Reunião do Fórum de Editores da Abrasco

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As dificuldades de financiamento advindas da Política de Ciência e Tecnologia do governo foi assunto central da reunião do Fórum de Diretores de Revistas Científicas de Saúde Coletiva coordenado pelo professor Kenneth Camargo do Instituto de Medicina Social – IMS da Universidade do Estado do Rio de Janeiro – Uerj e editor-chefe da Physis Revista de Saúde Coletiva do IMS e editor associado da American Journal of Public Health Association. A reunião aconteceu durante as atividades do pré-Abrascão 2018 e com a participação de Cláudia Medina Coeli e Luciana Dias de Lima, da Revista Cadernos de Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz; Thereza Christina Bahia Coelho da Universidade Estadual de Feira de Santana; Kizi Mendonça de Araújo da Revista Reciis-Fiocruz e Angélica Ferreira Fonseca, editora da Revista Científica Trabalho, Educação e Saúde Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio – EPSJV/Fiocruz.

Os editores não têm como garantir a publicação de um artigo científico dentro de um prazo estabelecido. Além disso, exigências adicionais para as publicações (conversão para formatos específicos, tradução para outras línguas) aumentam ainda mais os custos num momento em que se verifica um estrangulamento financeiro ainda maior nas áreas de Saúde, Ciência e Tecnologia, e Educação.

As revistas clínicas médicas tradicionais, do setor privado, arrecadam dinheiro com assinatura paga e anúncios de empresas farmacêuticas. “as nossas revistas são produzidas num modelo chamado Acesso Aberto. Para acessar a revista inteira não é preciso pagar. Basta acessar o portal e baixar o arquivo. Escolhemos não ter anúncios, mas mesmo que fossem adotados não resolveria porque não há interesse comercial anunciar numa revista que tem compromisso com a Saúde Pública”, afirmou Kenneth.

As revistas científicas de Saúde Pública dependem do financiamento das agências de fomento que sofrem com os cortes no orçamento do governo. A forma que alguns editores têm encontrado para driblar este problema é transferindo o ônus do financiamento para o autor do artigo. É cobrada uma taxa para cada artigo que o autor publique. Kenneth explicou que “Isto é transferir o ônus da publicação para o pesquisador e autor do artigo num momento em que ele também está com dificuldade de receber financiamento para sua pesquisa. Uma saída seria publicar nas revistas estrangeiras de Acesso Aberto, mas é caríssimo porque são mais de 2 mil dólares, por publicação, o que deixa de fora a maior parte dos pesquisadores brasileiros. Estamos num impasse”, esclareceu Kenneth.

Os recursos públicos para as revistas científicas já foram bem melhores. O CNPQ, por exemplo, administrou o portal Scielo. Na medida em que este migrou para a Fundação de Apoio á Pesquisa de São Paulo (FAPESP) aumentaram as restrições de financiamento. No Rio de Janeiro, a FAPERJ tem uma linha de financiamento para publicações, porém a verba caiu progressivamente de 2015 para cá, ainda que o pagamento de bolsas científicas para pesquisa, em geral, continue mantido.

“Se de todo o financiamento que é investido em pesquisas se apenas 2% fossem destinados às revistas da área de saúde coletiva estaríamos trabalhando muito melhor. Hoje, temos outros problemas, mas a questão do financiamento é emergencial.” concluiu Kenneth.

Foi unanime no Fórum, por parte de todos os editores presentes, que as restrições financeiras estão impactando fortemente na produção de Revistas Científicas de Saúde Coletiva, além de prejudicar toda uma cadeia de produção científica que fica extremamente prejudicada sem a publicação do resultado de suas pesquisas.

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