GT Educação Popular e Saúde realizou Seminário Preparatório para o Abrascão 2018

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Aconteceu no dia 9 de abril, na Universidade Estadual do Ceará (UECE), um Seminário Preparatório para o Abrascão 2018, organizado pelo Grupo Temático de Educação Popular em Saúde da Abrasco. Sob o tema “Participação Popular em Saúde” 101 pessoas – entre estudantes, residentes de diferentes instituições de ensino, mestrados e doutorandos de diversos programas de pós-graduação e movimentos populares – debateram e elaboraram uma Carta Pública a fim de contribuir nas discussões do 12º Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva. Confira o relato de Pedro Cruz, Coordenador do GT e professor da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) sobre:

O seminário começou com uma grande roda, refletindo com as gentes de tons e cores diferentes, na perspectiva da defesa do SUS. Após isso, seguimos para problematização com Cenopoesia e com um movimento de reflexão sobre “a boa luta pelo direito a saúde”. Após essa vivência acolhedora e reflexiva, fomos com animadores para as rodas de conversas, onde decorreram potentes reflexões articulando o vivido no campo da educação popular. Depois, em plenária ampliada seguiram diálogos sobre de que modo a educação popular em saúde pode revelar sua potência. Foi um encontro de diálogos e de compartilhamento de reflexões cujo sentimento foi muito energizante, diante de todos os desafios colocados pela atual conjuntura brasileira.

Estiveram presentes representantes de coletivos e movimentos como: Articulação Nacional de Movimentos e Práticas de Educação Popular e Saúde – ANEPS-CE, GT Educação Popular e Saúde da ABRASCO, Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva/UECE, Movimento Nacional dos Trabalhadores Rurais sem Terra – MST, Movimento da Luta Antimanicomial, Fórum de Residentes, Levante Popular da Juventude, Associação Cearense de Alunos de Pós- Graduação, Movimento Nacional de Médicos e Médicas Populares, Rede de Educação Popular e Saúde, Conselho Municipal de Saúde de Fortaleza, Conselho Estadual de Saúde do Ceará.

Rocineide Ferreira (uma das coordenadores do GT vice coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva/UECE) foi a anfitriã do evento, juntamente com Vera Dantas (participante do GT de EdPoP), contando e com a colaboração, na coordenação das atividades, de Helena David e de José Ivo Pedrosa, os quais são membros do GT e também da Comissão Científica do Abrascão e também de Gislei Siqueira, que é do MST e da ANEPS.

Leia  trechos da carta produzida pelo grupo e intitulada “Convergências e urgências: o papel da educação popular e saúde hoje”: 

O Seminário do GT Educação Popular e Saúde da ABRASCO (GT EPS), com o apoio do Curso de Pós Graduação em Saúde Coletiva da UECE, teve como objetivos desenvolver uma breve análise da conjuntura política e da saúde, a partir de reflexões trazidas por dois convidados, José Ivo Pedrosa, da Universidade Federal do Piauí, e Gislei Knierim, do Setorial Saúde do Movimento Trabalhadores Rurais sem Terra.

Embalados pelos versos do poeta e revolucionário angolano Agostinho Neto, coletivamente cantados no ato de cenopoesia que abriu o Seminário, tivemos, pouco mais de uma centena de pessoas,  uma manhã de debates e trocas, reavivando sonhos e o sentido de luta social que a defesa do SUS exige.

Não basta que seja pura e justa a nossa causa. É necessário que a pureza e a justiça existam dentro de nós.”

A conjuntura na qual se deu seminário foi trazida e serviu de ponto de partida para o debate e a elaboração deste documento. Trata-se de um complexo processo político, econômico e social de ataque e desmonte de políticas de bem-estar social, entre as quais está o setor saúde. Este processo não é apenas fruto de uma crise nacional, e sim parte de um reordenamento das forças do capital internacional. No Brasil, a correlação de forças políticas, que vinha caminhando na direção de um projeto democrático e popular, passou, a partir do golpe de 2015, a avançar na direção de um projeto conservador e elitista de sociedade, ocultado pelo ideário de guerra à corrupção, fazendo crer que esta é a principal causa das muitas crises vivenciadas pelo país, quando na verdade é, antes, um sintoma característico do conservadorismo, moralista, hipócrita e excludente.

O que está em jogo é o futuro da democracia no país, sendo o Sistema Único de Saúde uma das principais políticas públicas que compõe o conjunto de iniciativas e propostas com vistas à justiça social. Sabemos bem quem são os grupos mais penalizados, aqueles que sofrem e sofrerão as consequências da retirada de direitos básicos à educação, à saúde, ao trabalho digno, à segurança.

Baixe a carta completa aqui. 

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