Espaço Marés: Educação Popular em Saúde, Direitos Humanos e Economia Solidária

Confira as programações das Tendas Maria Felipa e Dom Helder Câmara

Entre inúmeras novidades do 13º Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva – Abrascão 2022 – uma delas será o Espaço Marés, que integrará as atividades fora da programação científica e organizada em duas tendas, e em diálogo com a Feira de Economia Solidária. A ampliação das atividades livres e uma maior sinergia desses debates é visto como uma grande conquista deste evento.

“Pretendemos com isso viabilizar diálogos que fortaleçam a participação social, a defesa dos Direitos Humanos, o enfrentamento das violências e a questão ambiental. É mais uma estratégia que adotamos em prol de uma produção mais orgânica da Saúde Coletiva com os movimentos sociais populares, pequenos produtores, quilombolas, indígenas e demais populações vulnerabilizadas”, destaca Liliana Santos, da Comissão Organizadora Local.

Resistência baiana para inspirar e pensar novos mundos: A tradicional Tenda PauIo Freire, um marco do movimento popular da Educação Popular em Saúde presente em diversos congressos da Saúde, nesta edição homenageará Maria Felipa de Oliveira, heroína revolucionária de origem popular que teve um importante papel na Guerra da Independência, que ocorreu entre 1822 e 1824.

Mulher de muita coragem e à frente do seu tempo, Maria Felipa trabalhava como marisqueira e era conhecida pela beleza e pelas habilidades de capoeirista. No enfrentamento com os portugueses, ela liderou um grupo de 40 mulheres que entrou no acampamento do Exército lusitano, atacando os guardas com galhos de cansanção e pondo fogo em 42 embarcações, além de ter atuado como enfermeira nos confrontos ocorridos em Itaparica.

“Inspirada nas Tendas Paulo Freire e nessa figura histórica e militante que é Maria Felipa, a Tenda da Educação Popular no Abrascão 2022 será um espaço de circulação ampla e aberta, norteada pelas práticas de educação popular e saúde, enquanto referencial teórico e metodológico potente para a aproximação da concepção do SUS com o povo. Portanto, a Tenda Maria Felipa é um ponto de encontro dentro do espaço acadêmico para educadores e educadoras populares, movimentos populares e demais atrizes e atores sociais implicados com a defesa da democracia”, diz Hanna Santos, da Coordenação da Tenda.

A Tenda oferecerá ainda atividades de práticas integrativas de cuidado coletivo, respeitando todas as recomendações de biossegurança por conta da pandemia.

Confira a programação da Tenda Maria Felipa

Legado dos Direitos Humanos: Em sua primeira edição, a Tenda Dom Helder Câmara é uma proposição do GT Violência e Saúde, apoiado pelos GT Racismo e Saúde, GT Saúde dos Povos Indígenas, GT Promoção da Saúde e Desenvolvimento Sustentável, GT Saúde e Ambiente, pelos Eixos temáticos 4 e 12, respectivamente, e em diálogo com o Instituto Dom Helder Câmara (IDHeC) e o Centro Dom Helder Câmara de Estudos e Ação Social (CENDHEC), ambos sediados em Recife (PE).

Durante os quatro dias do Congresso a Tenda abrigará atividades distintas nos formatos de rodas de conversa e relatos de experiências sobre Direitos Humanos e Cidadania: lutas por equidade e justiça social em tempos autoritários; Mortalidade materna e infantil no Brasil; Soberania e Segurança Alimentar da População Negra, entre outros temas.

O espaço promoverá também a exibição de filmes e documentários: Relatos do Front: A outra face do cartão-postal, de Renato Martins, Mais meninas e mulheres na ciência, de Inês Fernandes, e Lápis de Cor, de Larissa Fulana de Tal, e ainda com a apresentação do Dicionário das Favelas. Todas essas atividades serão seguidas de debate.

“É uma oportunidade de trazer esse legado de Dom Helder, um legado de cultura de paz, e de debatermos, dentre outros assuntos, a questão da violência em saúde, que muitas vezes fica presa somente às análises dos indicadores de morbi-mortalidade. Com a Tenda, queremos promover e valorizar as experiências positivas de emancipação social. Muitos dos movimentos que estarão presentes ressignificaram essas violências e transformaram em luta de forma organizada. Para nós é muito sensível dar visibilidade a essas questões”, reforça Marcílio Medeiros, pesquisador da Fiocruz Amazônia e um dos coordenadores do Espaço junto com Edinilsa Ramos, pesquisadora do CLAVES-Fiocruz e coordenadora do GT Violência e Saúde/Abrasco.

Confira a programação da Tenda Dom Helder Câmara

Opções de presentes com origem na luta: Para as pessoas que gostam de contribuir com a luta e levar lembranças dos eventos, a Feira de Economia Solidária estará organizada ao lado das tendas, com barracas com diversos produtos feito por cooperativas ligadas a usuários e famílias da saúde mental e de pequenos produtores e comunidades. A parceria com as tendas está na solidariedade e construção coletiva das atividades, com debates sobre economia solidária em ambas as programações das tendas.

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