Era Trump exige solidariedade e parcerias pelos direitos das mulheres

 

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“É o período mais difícil e assustador em muito tempo”. Foi desta forma que a ativista Monica Simpson iniciou sua palestra sobre “Os direitos reprodutivos das mulheres na era Trump”. Simpson é diretora do coletivo SisterSong, voltada para luta pelos direitos reprodutivos das mulheres, especialmente as marginalizadas – negras, latinas, indígenas e asiáticas. “O controle e a exploração dos corpos femininos existem nos EUA há séculos, a opressão da sexualidade não começou com o Trump”, pontuou.

Depois de fazer um histórico da questão do direito reprodutivo, desde a escravidão, passando pelo colonialismo, as pesquisas da pílula anticoncepcional em mulheres porto-riquenhas sem o consentimento adequado e a esterilização compulsório de negras, Simpson destacou o marco da criação do termo “Reproductive Justice” (Justiça Reprodutiva), em 1994, por mulheres ligadas aos movimentos pelos direitos humanos. “O corpo negro foi muito usado para ajudar no desenvolvimento da medicina, mas isso teve, ou tem até hoje, pouco impacto no acesso à saúde para esta população”, comentou, ao ressaltar que até 94 todos os debates sobre o sistema de saúde deixavam de lado os marginalizados.

“Ter escolha é um privilégio”, disse a ativista, que complementou explicando o conceito de justiça reprodutiva: “Não é só sobre aborto e métodos contraceptivos, mas sobre não querer ter filho ou sobre poder criar uma criança em um ambiente saudável”. Segundo Simpson, a mortalidade materna voltou a crescer nos Estados Unidos depois de décadas de queda. “Como ativista, digo que é um tempo de ser extremamente estratégico, não combativo. Precisamos construir solidariedade com nossos parceiros e aliados, para conseguirmos algum resultado em uma luta conjunta”.

Nos Estados Unidos, o aborto é permitido desde 1973. Antes da legalização, a situação era a mesma do Brasil hoje, as mulheres negras eram as que mais morriam em decorrência de complicações nos procedimentos ilegais. Ao ser informada sobre a audiência no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a descriminalização do aborto, no próximo dia 3, Monica Simpson se colocou imediatamente à disposição dos movimentos pelos direitos femininos brasileiros: “O que podemos fazer? Se for preciso vir ao Brasil e irmos ao STF para aumentar a pressão por uma decisão favorável às mulheres, viremos. Se tivermos que escrever algum manifesto para ser lido no Tribunal, escreveremos. Se for necessário ir às ruas nos EUA no dia 3, para mostrar nossa solidariedade, iremos”.

Assista à palestra “Os Direitos reprodutivos das mulheres na era Trump”

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