Em sua primeira reunião, Comissão Científica define rumos do Abrascão 2018

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A primeira reunião da Comissão Científica do Abrascão 2018 aconteceu nos dias 02 e 03 de outubro, no Rio de Janeiro, e contou com a participação de pesquisadores de diversas partes do país, representantes das diversas estruturas internas e de gestão da Abrasco, como os grupos temáticos, fóruns, comitês, comissões e diretoria. O objetivo central do encontro foi traçar as primeiras diretrizes que orientarão a construção do 12º Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva, a ser realizado entre 26 e 29 de julho de 2018, no Rio de Janeiro.

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Na abertura, Gastão Wagner, presidente da Abrasco, saudou os presentes e apresentou os elementos que nortearam as definições do tema – Fortalecer o SUS, os direitos e a democracia – e da logomarca do evento. “Escolhemos um verbo que indicasse força. Já temos algum grau de democracia, já temos o SUS, a Constituição e uma população que tem a cara da diversidade. O SUS é a concretização do direito à saúde, e nosso papel é incidir nesse compromisso e nesse fortalecimento. São esses elementos que traremos nas mesas da programação científica e que queremos ver refletido nas comunicações”.

Na sequência, foram apresentados elementos gerais da estrutura do evento. A expectativa é alcançar um público entre sete e oito mil participantes. Para recebê-los, serão instaladas no campus Manguinhos da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) quatro tendas – uma com capacidade para três mil pessoas e outras menores que, juntamente com as estruturas do campus, comportarão cerca de 38 atividades científicas oficiais ao longo dos quatro dias de congresso. As atividades serão realizadas entre às 8h30 até às 18h30. Haverá transporte entre o campus da Fiocruz até as estações de metrô mais próximas.

O debate seguiu-se na discussão do alinhamento das estratégias políticas e científicas do Congresso. Por conta da definição do local e da atual conjuntura social do Rio de Janeiro, o tema da violência logo tomou a dianteira entre os membros da Comissão: “Aqui no Rio temos uma população cercada, cerceada. São milhares de famílias e de áreas públicas que têm suas vidas atravessadas. Não faz sentido comunidades continuarem cronicamente nessas condições, sem saneamento, sem saúde, sem esperança. Precisamos desnaturalizar a violência e tratar o tema diferente de como a mídia tem trabalhado”, ressaltou Estela Aquino, docente do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia (ISC/UFBA) e representante do Grupo Temático Gênero e Saúde (GTGen/Abrasco).

Paulo Amarante, pesquisador da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP/Fiocruz), vice-presidente da Abrasco e representante do GT Saúde Mental, ressaltou a importância de fazer deste congresso um marco na consolidação de uma comunicação ativa do campo da Saúde Coletiva com a sociedade. A perspectiva de incorporar líderes dos movimentos sociais e de estudantes na Comissão Científica já vem sendo contemplada, com a participação de, entre outras pessoas, de Douglas Vinícius, estudante de medicina da Universidade Federal de Alfenas e coordenador da Direção Executiva Nacional dos Estudantes de Medicina (DENEM). “Precisamos ressaltar vozes emergentes da sociedade civil”, completou o pesquisador. Foi aprovado também a realização de um ato público nos dias do evento, em diálogo com os movimentos sociais e afinado ao contexto político do país na proximidade da atividade.

Junto com a preocupação da representatividade, foi destacada também por Dais Rocha, professora da Faculdade de Ciências da Saúde e da coordenação do GT Promoção da Saúde e Desenvolvimento Sustentável, a questão da acessibilidade em todos os níveis. Já estão em andamento os diálogos para parceria com o Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES) e Instituto Benjamim Constant (IBC).

Uma série de nomes internacionais e nacionais de relevância científica foram listados e já estão sendo contactados para compor a programação do evento. Mais uma vez e cada vez mais, a sustentabilidade dos congressos da Abrasco está em pauta, com o convite para grupos de pesquisa, programas, cursos e coletivos sugerirem atividades autosustentadas, garantindo assim a pluralidade de ideias, de participantes e de correntes teóricas.

Programação, comunicação coordenada e atividades: Em paralelo às mesas-redondas e palestras, haverá as oficinas de diálogo e construção. Serão espaços abertos para debate e elaboração coletiva da Carta do Abrascão 2018, a partir das contribuições vindas dos seminários preparatórios. “A Carta que queremos fazer não é um paper, nem um panfleto. A orientação é que cada encontro produza um documento pequeno para compor a versão final. O diagnóstico e crítica produzidos no nosso Congresso não podem prescindir de proposições e encaminhamentos estratégicos”, ressaltou Gastão.

Foi iniciada também a estruturação das sessões de comunicação coordenadas. Foram definidos os 32 eixos temáticos e o modelo das comunicações. Mantendo o procedimento já adotado no último Abrascão, não haverá a categoria poster. Os resumos aprovados deverão ser apresentados como Comunicação Coordenada – com 10 minutos de apresentação –, Comunicação Coordenada Breve – com 5 minutos, e Outras Linguagens, abrindo espaço para outros suportes. No ato da submissão do resumo, o participante deverá especificar qual é a linguagem adotada e o modo como será realizada, bem como o tempo necessário. Em breve, serão divulgados os termos de referência de cada eixo.

Já a Tenda Paulo Freire, espaço já conhecido e reconhecido do movimento da Educação Popular, terá um diálogo ainda maior com a programação científica, sem perder sua autonomia. O patrono da educação brasileira ganhará uma homenagem especial, assim como será lembrada a contribuição do médico e pesquisador Victor Valla, que deverá batizar um espaço/percurso temático, construindo pontes com o território e as comunidades de Manguinhos e da Maré.

O segundo dia de reunião definiu várias datas importantes: site do congresso começará a receber resumos ainda em outubro. Este prazo terminará dia 21 de fevereiro de 2018. A divulgação do resultado da avaliação será no fim de março de 2018. A Comissão Científica do Abrascão 2018 se reunirá novamente em dezembro, nos dias 14 e 15, também no Rio de Janeiro.

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