Fortalecimento da ESF e resposta comunitária à pandemia são abordados em oficina

A Abrasco realizou mais uma oficina preparatória para o 4º Congresso Brasileiro de Política, Planejamento e Gestão da Saúde. O painel A Atenção Básica como pilar das Redes de Atenção à Saúde: em que e de que forma conseguimos avançar? abordou os principais desafios para o fortalecimento da atenção básica e do próprio SUS. Participaram do painel Ricardo Teixeira (USP), Luiza Garnelo (Abrasco e Fiocruz/AM), Zeliete Zambon (Presidente da SBMFC), Patty Fidelis (UFF), Ana Karla (Favela Brasil), Vânia Barbosa do Nascimento (FMABC), Fabiano Guimarães (SMS/BH), Marcia Teixeira (ENSP/Fiocruz), Luciano Bezerra Gomes (UFPB), Liane Rigui (UFSM), Altamira Simões (Conselheira/CNS), Ana Maria Malik (FGV) e Tiago Feitosa (UNICAP). A coordenação foi de Marília Louvison (USP e Diretoria Abrasco).

A intervenção disparadora da oficina foi feita por Ricardo Teixeira, que analisou a resposta brasileira à pandemia. Segundo o pesquisador, a “resposta global brasileira tem abordagem centrada na doença, no enfoque biomédico e hospitalocêntrico”. Ricardo apontou problemas como as propostas de privatização da atenção básica, que representam um modelo de cuidado que se deseja impor, e também a falta de uma abordagem comunitária, que seria fundamental durante a pandemia.

Em seguida, os demais debatedores expuseram questões sobre o tema dando continuidade ao debate. Luiza Garnelo trouxe os problemas e desigualdade de investimentos na rede na Região Norte. A professora destacou a centralidade na cidade de Manaus e as grandes distâncias que existem entre unidades de atendimento e diversas comunidades. Garnelo foi seguida por Zeliete Zambom, que ressaltou a importância da garantia do acesso e apontou: “Atenção básica precisa ser fortalecida porque é onde você consegue dispensar o cuidado às pessoas de forma mais próxima”.

A comunicação interprofissional foi abordada por Patty Fidelis, que apresentou dados de pesquisa que atesta a sobrecarga dos profissionais de APS e as poucas relações entre profissionais de níveis diferentes na rede. Enquanto isso, Ana Karla trouxe a importância da organização popular para o debate: ” Foi importante ver a capacidade de resposta de uma população esquecida pelo Estado brasileiro; de como fomos capazes de construiu as respostas. A situação que vivenciamos mostra que a atenção primária é uma saída para o fortalecimento do SUS, para a democracia e para salvar vidas”.

Vânia Barbosa do Nascimento deu continuidade ao painel falando sobre a construção da atenção primária à saúde e como as conquistas foram paralisadas no atual governo. Já Fabiano Guimarães trouxe a experiência e os desafios vivenciados à frente da gerência da Estratégia Saúde da Família em Belo Horizonte. A manutenção dos profissionais na rede foi colocada como uma dos maiores desafios: “Eu tenho dificuldade de criar mecanismo de manutenção dos profissionais na minha rede. Conseguimos que o concurso tivesse prova de títulos e outras estratégias na tentativa de melhorar as condições para que fiquem”.

Os demais debatedores abordaram a questão da mercantilização da saúde e o avanço do setor privado, além das dificuldades de sustentabilidade. O racismo estrutural, a falta de uma coordenação nacional e a regulação entre os níveis de atenção também compuseram as falas. Por fim, foi colocada por todos a necessidade de se politizar o debate da atenção básica e a defesa e o fortalecimento do SUS, fundamentais não só para a saúde, mas para a democracia.

Confira a íntegra da oficina na TV Abrasco:

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