Tema e arte apresentam o Epi2020 à comunidade científica

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Atualizada em 20 de dezembro de 2019

Com a divulgação da arte central e do tema, o 11º Congresso Brasileiro de Epidemiologia vai ganhando forma e anuncia a chamada pública para propostas ao programa científico do evento, marcado para novembro de 2020, em Fortaleza, Ceará. Grupos de pesquisa, grupos temáticos da Abrasco e programas de pós-graduação têm até 14 de fevereiro para propor atividades, entre mesas-redondas, palestras e cursos.

O tema “Epidemiologia, Democracia & Saúde: conhecimento e ações para equidade” foi decidido pela Comissão de Epidemiologia da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (CE/Abrasco) para demarcar uma posição clara de confronto frente às desigualdades brasileiras nos padrões de morbidade, de mortalidade e de acesso aos serviços de saúde.

“O enfrentamento das desigualdades em saúde passa pelo seu reconhecimento enquanto realidade injusta e evitável e também pela produção de conhecimento e implementação de ações eficazes. Nesse sentido, a epidemiologia brasileira, que reúne imensa capacidade teórica, técnica e compromisso social, tem muito a contribuir gerando e difundindo novos conhecimentos que subsidiem ações para a promoção da equidade em nosso país.” afirma Antonio Boing, coordenador da CE/Abrasco e presidente da Comissão Científica do Congresso.

A presidente da Abrasco Gulnar Azevedo e Silva corrobora: “Este congresso é importante para Abrasco não só por valorizar o trabalho de tantos sanitaristas e epidemiologistas da região, como também por ser um espaço essencial para troca de experiências, aprofundamento teórico e discussão crítica em vistas ao fortalecimento do nosso olhar sobre as desigualdades em saúde e à reafirmação do nosso compromisso com o direito universal à saúde”.

Dupla função: Lançada no último dia 05, a chamada pública tem uma dupla função calcada na coletividade: ampliar a participação da comunidade científica na construção do programa do evento e viabilizar o congresso financeiramente.

“Na chamada para o Epi 2017 recebemos mais de 60 propostas, com expressiva incorporação delas ao programa final do Congresso. Esperamos que para o Epi 2020 a participação seja tão intensa quanto, refletindo a força de nossa comunidade científica” afirma Boing, que destaca o desfavorável cenário para o financiamento público à ciência. “O momento político, social e sanitário exige nossa reunião e união, por isso a participação dos grupos na chamada pública é tão importante para viabilizar o evento” diz o coordenador da CE/Abrasco.

Como participar: A chamada estará aberta entre 05 de novembro de 2019 a 14 de fevereiro de 2020. Cada proponente – individual ou grupo de pesquisa – poderá sugerir até duas atividades. O envio das propostas deve ser feito exclusivamente por meio de formulário eletrônico disponível em https://forms.gle/KQJxJM8oAVpPQXBLA. O resultado da avaliação será comunicado aos proponentes até 28 de fevereiro de 2020.

+ Acesse a Chamada Pública em PDF

Uma cidade, vários Brasis: Assim como expresso no tema, a arte central do evento também buscou captar em imagem a importância da equidade. Numa alusão à xilogravura, técnica de gravura representativa do Nordeste, os artistas gráficos Gilson Rabelo de Almeida Neto e Catarina Gomes trouxeram para o primeiro plano um jogo de contrastes em preto e branco, onde elementos como o caju, a carnaúba, o coqueiro e as casas do bairro Pirambu dialogam com a estátua de Iracema e os grandes edifícios da orla marítima fortalezense.

“A desigualdade em Fortaleza tem raízes profundas nas secas que atingem o estado e que foram muito bem retratadas em “O quinze”, romance da escritora cearense Raquel de Queiroz. Os retirantes, que fugiam do sertão tentando sobreviver à seca, eram impedidos de entrar na capital e isolados em verdadeiros campos de concentração em diferentes regiões do estado. O bairro do Pirambu foi uma dessas áreas em Fortaleza e ainda hoje carrega as marcas do seu passado” explica Lígia Kerr, docente da Universidade Federal do Ceará (UFC) e presidente do Congresso, destacando também a representação da igreja, da mulher nordestina, da ciranda de crianças e do jangadeiro como símbolos da resistência do povo e da vida da comunidade.

Construção coletiva e sustentável: Com essa perspectiva social e esse olhar humanizado, a Comissão de Epidemiologia estruturou 8 eixos temáticos, também anunciados na chamada pública. O intuito é abarcar a diversidade e a abrangência da epidemiologia no nosso país e a necessidade de se dar respostas a tantos desafios sanitários impostos ao Brasil e ao mundo.

“Apesar do número mais elevado de eixos em relação ao congresso anterior, há inúmeras interfaces entre os mesmos, dada à complexidade do conhecimento” ressalta Larissa Fortunato Araújo, também docente da UFC e integrante da Comissão Organizadora Local.

Juntamente à construção desse mosaico de saberes e atores está a necessidade de um congresso autossustentável. “Em tempos de pós-verdade, de criminalização dos profissionais, em especial de pesquisadores e professores, e de contenção dos recursos financeiros destinados ao ensino, à pesquisa e ao Sistema Único de Saúde, percebemos uma maior fragilidade das relações profissionais no campo da Saúde Coletiva, incluindo a epidemiologia, a qual precisamos dar respostas e refletir diante da atual crise civilizatória e planetária” complementa Francisco Marto Leal Pinheiro Júnior, pesquisador associado da UFC e também integrante da Comissão Organizadora Local.

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