Situação atual, desafios e perspectivas da Epidemiologia brasileira


Logo no primeiro slide da apresentação ‘Epidemiologia no Brasil: novas perspectivas’, Rita Barradas anuncia que é intensa a participação de epidemiologistas na concepção e implementação dos sistemas nacionais de informação em saúde, nos comitês técnicos dos programas nacionais, estaduais e municipais de saúde, assim como na construção das instâncias técnicas dedicadas às práticas epidemiológicas em serviços de saúde.

Nesta tarefa de abordar as perspectivas para a epidemiologia no Brasil, Rita destacou a posição da disciplina no campo da saúde coletiva, analisando as contribuições da epidemiologia para a formulação, implementação e avaliação de políticas públicas de saúde, explicando a aplicação dos conhecimentos e do raciocínio epidemiológicos na solução dos problemas de saúde.

A seguir, Rita mostra pormenorizadamente os desafios do campo. Para a professora da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e que compõe atualmente o Comitê de Área da Saúde Coletiva do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), é preciso ampliar a formação profissional, aumentando a formação acadêmica assim como o número dos grupos de pesquisa.
Durante a conferência, Rita chamou a atenção para o fato de que apenas 20% das linhas de pesquisa que dizem trabalhar em epidemiologia, o fazem realmente. “Eu tinha uma suspeita deste cenário, mas não imagina ser nesta dimensão. Hoje em dia vários grupos se definem trabalhando no campo da epidemiologia, mas quando você vai investigar mais a fundo, ou eles estão usando o método epidemiológico em outras aplicações, que não a epidemiologia, e então colocam a epidemiologia como palavra chave, ou muitas vezes, não existe nenhuma proximidade do que está sendo feito com a epidemiologia. Na minha opinião, este fato mostra a pouca compreensão do campo, e isso é uma importante tarefa para esta nova Comissão de Epidemiologia da Abrasco: tornar mais claro, tanto na comunidade acadêmica, como fora dela, qual o nosso objeto de estudo, para tornar mais explícitos os benefícios e as contribuições que a epidemiologia pode dar, pra saúde em geral” explica Rita.

Desafios para a produção

“A gente já publica bastante, a questão não é numero, e sim qualidade” refroça Rita sobre os desafios para a produção no campo da epidemiologia. Ela enfatizou o aumento da participação proporcional na produção mundial e regional o que depende da formação de maior número de epidemiologistas no país. Chamou a atenção ainda para a qualidade e criatividade das perguntas de investigação, o que daria maior integração dos pesquisadores a redes internacionais. “É preciso publicar mais em revistas que tenham uma circulação mais ampla, para que o mundo veja o que a gente faz. Embora uma parte da nossa produção já esteja internacionalizada, outra parte dela é exclusivamente de circulação nacional” avalia Rita.

Como conclusão, a professora Rita Barradas, enfatiza que a produção dos docentes com atuação em epidemiologia é quantitativa e qualitativamente relevante, entretanto, há alguns desafios que permanecem, como o aumento do número de docentes com atuação em epidemiologia “Precisamos de mais doutores e uma perspectiva nessa direção, seria a oferta de programas de doutorado exclusivos em epidemiologia. Outra é a ampliação da formação de doutores nos cursos já existentes e ainda uma maior utilização das bolsas sanduiches e pós doutorado” explica Rita.

Ela pontuou ainda o aumento da participação proporcional da epidemiologia brasileira na ciência mundial, com o objetivo de aumentar o impacto das publicações. “É importante mostrar lá fora o que está sendo feito aqui, isso ganha mais importância pelo fato de termos uma proximidade maior com a política de saúde do país, a nossa epidemiologia é muito comprometida com a saúde pública, e, portanto, o que vem sendo feito aqui, certamente serve para outros países de renda media como o Brasil, que poderiam se beneficiar deste conhecimento. Quando ficamos restritos ao Brasil, deixamos de contribuir para a formulação de políticas, programas e ações de combate aos problemas de saúde e seus determinantes” conclui Rita.

 

Confira aqui apresentação de Rita Barradas

 

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