Pesquisadora revela que SP entra no escopo da pesquisa para DST-Aids de Homens que fazem sexo com homens


Agência LGBT Brasil publicou notícia sobre tema que será debatido durante a programação do 9º Congresso Brasileiro de Epidemiologia, no dia 9 de setembro, em Vitória (ES), numa mesa redonda sobre as metodologias de pesquisa para HIV-DST em populações de difícil acesso e o impacto desses estudos na política nacional.

 

Confira a matéria na íntegra:

 

Em estudo que tem previsão para começar em 2015 no Brasil, financiado pela Agência Nacional Francesa de Pesquisa sobre Aids e Hepatites Virais (ANRS), a cidade de São Paulo vai entrar no escopo da investigação. Esse é o retorno da ANRS para as questões apontadas pelo rico estudo sobre DST-AIDS que começou em 2009 e resultados publicados em 2011, com uma população de “homens que fazem sexo com homens”, incluindo profissionais do sexo e usuários de droga. Essa boa notícia foi revelada pela pesquisadora da Universidade Federal do Ceará e membro da Comissão de Epidemiologia da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), Ligia Regina Kerr.

Uma avaliação da pesquisa vai ser debatida durante o 9º Congresso Brasileiro de Epidemiologia, no dia 9 de setembro, em Vitória (ES), numa mesa redonda que vai debater metodologias de pesquisa para HIV-DST em populações de difícil acesso e o impacto desses estudos na política nacional.

De acordo com Ligia Kerr, a investigação realizada apresentou dados importantíssimos sobre a população de homens que fazem sexo com homens de 10 cidades brasileiras, entre elas Rio de Janeiro, Salvador, Recife, Belo Horizonte, Curitiba, Itajaí e Santos. Dois resultados são destacados pela pesquisadora: a maior prevalência entre infectados pelo HIV está nessa população, na qual o índice é 30 vezes maior que a de heterossexuais, e ainda três vezes maior que a de profissionais do sexo. Outro dado é a baixa testagem entre os homens que fazem sexo com homens.

Entendendo a importância da avaliação das metodologias aplicadas, incluindo os cortes relacionados se são “profissionais do sexo” e “usuários de droga”, Ligia explica que em algumas cidades como Itajaí e Santos, o grau de dificuldade de coleta de informações foi elevado. “Nessas cidades, por exemplo, por serem cidades ‘conservadoras’, encontramos dificuldades a parti do corte ‘profissionais do sexo’ e ‘usuários de droga’”, revela. No próximo estudo, essas duas cidades deverão sair do escopo da pesquisa e serão no total de 12 municípios, dois a mais.

 

Ligia Regina Kerr é professora da Universidade Federal do Ceará, graduada em Medicina pela USP, mestre em Medicina Preventiva pela USP, doutora em Medicina Preventiva pela USP, possui pós-doutorado na University of California San Francisco, nos Estados Unidos, e também em Harvard University.

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