A saúde das mulheres, seus filhos e filhas em destaque no Congresso Brasileiro de Epidemiologia

Bebê recém-nascido em amamentação – Foto:  Peter Ilicciev/CCS/Fiocruz

Os últimos 15 anos trouxeram grandes avanços no quadro epidemiológico dos nascimentos no país. Por ano, são quase 3 milhões de nascidos vivos, em média, e que vieram ao mundo beneficiados pela redução alcançada na mortalidade infantil, motivada, dentre outras ações, por programas como o Estratégia da Saúde da Família, avanços na terapia de reidratação oral, no aleitamento materno e na redução das pneumonias e diarreias infantis. No entanto, ao lado dos avanços, questões da saúde perinatal têm aparecido no dia a dia dos serviços, mas sem o devido destaque na agenda das políticas públicas, assim como a mortalidade materna ainda é alta para os atuais padrões de desenvolvimento nacional. Estes temas e contradições estarão em evidência nas mesas-redondas e palestras dedicadas à saúde materno-infantil durante o X Congresso Brasileiro de Epidemiologia, que acontece de 07 a 11 de outubro, em Florianópolis.

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Antônio Augusto Moura, professor titular do Departamento de Saúde Pública da Universidade Federal do Maranhão (DSP/UFMA) e vice-coordenador da Comissão de Epidemiologia da Abrasco, destaca que a escolha dos temas buscou o diálogo direto com a realidade epidemiológica do país. “Em várias reuniões da Comissão Organizadora identificamos estudiosos que conduziam pesquisas de boa qualidade metodológica sobre temas relevantes. Ficamos impressionados com a vasta produção da Epidemiologia brasileira e de ver que estudos de excelente qualidade estão acontecendo em todas as regiões do Brasil. No Congresso serão apresentadas visões convergentes e divergentes, além de proporcionar oportunidades a grupos provenientes de diferentes estados e instituições.”

Ele ressalta que a mulher e a criança permanecem prioridades na saúde pública brasileira, mesmo com os inúmeros avanços conquistados. “Se, por um lado, velhos problemas prosseguem, apesar da redução da sua magnitude, novos obstáculos, como a zika, demandam atenção, ao passo que agravos persistentes continuam nos desafiando, como a violência. O nosso Congresso ocorre num momento em que o Brasil enfrenta uma grande redução no volume de recursos financeiros alocados para a pesquisa científica. O debate está posto: como enfrentar novos, velhos e persistentes problemas na saúde das mulheres e de seus filhos num momento de escassez de recursos para a pesquisa?”, pergunta ele, apontando a necessidade de se debater o que se produz em Epidemiologia com os atuais indicadores de saúde e com os objetivos que a comunidade acadêmica quer alcançar com a política científica nacional.

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Confira abaixo a lista completa das atividades relacionadas aos temas da saúde materno-infantil e saúde das mulheres no X Congresso Brasileiro de Epidemiologia:

Sábado, 07 de outubro
08:00 – 17:00 – Curso: Desenvolvimento de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade – Com Joviana Avanci (RJ) e Fernanda Serpeloni (RJ)

08:00 – 17:00 – Curso – Novas tecnologias para identificar possíveis casos de zika vírus: coleta e análise de dados em tempo real – Com Rogério Luiz Araújo Carminé (AM) e Priscilla Costa Ciodaro de Souza (DF)

Domingo, 08 de outubro
08:00 – 17:00 – Oficina – Desenvolvimento e Saúde Mental na primeira infância no contexto da Atenção Básica: reflexões decorrentes da epidemia do zika vírus

Segunda-feira, 09 de outubro
11:10 – 13:00 – Mesa-redonda – Diagnóstico e estratégias para prevenção da obesidade em escolares – Com Maria Alice Altenburg de Assis (UFSC); Rosângela Alves Pereira (RJ), e Luis Moreno (Espanha)

14:50 – 16:40 – Mesa-redonda – Zika como emergência em saúde pública: resultados das coortes brasileiras de gestantes e neonatos – Com Ricardo Ximenes (PE); Mayumi Duarte Wakimoto (RJ), e Adriana Suely de Oliveira Melo (PB)

Terça-feira, 10 de outubro
11:10 – 13:00 – Mesa-redonda – Novas curvas de ganho de peso gestacional e o SUS – Com Dayana Rodrigues Farias (RJ); Michele Drehmer (RS), e Vivian Siqueira Santos Gonçalves (DF)

14:50 – 15:40 – Palestra – Morbidade materna graves, near miss e óbito materno – Com Rodolfo Pacagnella (SP)

14:50 – 15:40 – Palestra – Violência contra a mulher: panorama global e ações de enfrentamento – Com Nadine Gasman (DF)

15:50 – 16:40 – Palestra – Parto e nascimento no Brasil – do normal ao normalizado: consequências para mães e bebês – Com Maria do Carmo Leal (ENSP/Fiocruz)

15:50 – 16:40 – Palestra – Transmissão sexual do zika vírus: o que já sabemos e por que isso importa – Com Philippe Mayaud (London School of Hygiene and Tropical Medicine/Reino Unido)

Quarta-feira, 11 de outubro
10:00 – 11:00 – Conferência – A resposta brasileira à emergência da epidemia pelo vírus zika – Com Celina M. Turchi (CPqAM/Fiocruz)

11:10 – 13:00 – Mesa-redonda – Epidemiologia genômica de doenças complexas em coortes brasileiras de base populacional – Com a participação de Maurício Barreto (Cidacs/IGM/Fiocruz) com a comunicação “Coorte de crianças de Salvador”, além de Maria Fernanda Furtado de Lima e Costa e Bernardo Lessa Horta

11:10 – 13:00 – Mesa-redonda – Violências nas distintas fases da vida: magnitude e impactos na infância, juventude e velhice – Com a comunicação “Prevalência e impactos da violência na infância”, de Maria Helena Hasselmann (RJ), além de Maria Fernanda Tourinho Peres (FM/USP) e Stela Nazareth Meneghel (RS)

14:20 – 16:10 – Mesa-redonda – Um panorama da discussão sobre o aborto na América Latina – Com Margareth Martha Arilha Silva (SP); Greice Maria de Souza Menezes (UFBA); e Jefferson Drezett Ferreira (SP)

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