Divulgada a programação do X Congresso Brasileiro de Epidemiologia

Zika, inferência causal e as situações de saúde dos diferentes grupos populacionais. E também violência, doenças crônicas não-transmissíveis, e o ensino e a pesquisa em Epidemiologia. Esses são alguns dos temas que compõem a programação do X Congresso Brasileiro de Epidemiologia, que acontecerá de 07 a 11 de outubro, na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e no Centro de Convenções CentroSul, em Florianópolis, Santa Catarina.

Segundo Antônio Fernando Boing, presidente do Congresso, a Comissão Científica procurou construir um programa plural que contemplasse a diversidade de temas e de abordagens que formam a área. “Serão mesas-redondas, palestras e conferências instigantes, críticas e que lançarão um olhar sobre a Epidemiologia que estamos fazendo no país e qual será nossa agenda para o futuro. Todo esse programa estará articulado com o tema do evento, que é a Epidemiologia em defesa do Sistema Único de Saúde.”

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A construção desta décima edição partiu de um desenho estruturado de congresso que vem se aperfeiçoando ao longo das últimas edições. Os dois primeiros dias (07 e 08) serão destinados a cursos, oficinas e reuniões de grupos de pesquisa e de grupos temáticos da Abrasco, que serão realizados exclusivamente na UFSC – saiba mais aqui. Nos demais três dias (09, 10 e 11) acontece a programação científica no CentroSul. O credenciamento estará aberto no dia 08, já no centro de convenções.

As comunicações coordenadas começam às 08h30 pela parte da manhã, e às 16h50 na parte da tarde. Já os pôsteres dialogados serão avaliados na faixa horária entre 13h45 e 14h40.

As conferências centrais acontecem pela manhã, das 10 às 11 horas, e à noite, das 18h20 às 19h30. Foram pensadas para dialogar com o conjunto dos eixos temáticos e dar visibilidade aos temas de maior relevância em debate hoje na Epidemiologia brasileira, contando com as contribuições de grandes nomes da ciência nacional e internacional.

Na faixa das 11h10 às 13 horas e das 14h50 às 16h40 estão concentradas as mesas-redondas e as palestras. As mesas-redondas têm duração de duas horas e contarão na maioria com três palestrantes, enquanto as palestras poderão ter até duas sessões consecutivas no mesmo intervalo, com uma hora de duração cada. Ofertar a produção e contribuição de grandes brasileiros e estrangeiros nos seus temas de especialidade é o objetivo dessas sessões, que terão entre os convidados Celina Turchi; Moyses Szklo; Aluísio Barros; Iveta Simera; Nadia Slimani; Ignacio Cano, entre outros.

Dois debates prometem colocar importantes temas em diferentes perspectivas. Na terça-feira, dia 10,  às 14h50, Maria do Carmo Leal (ENSP/Fiocruz) e Catherine Deneux-Tharaux, do Institute National de la Santé e de la Recherche Médicale (Inserm), trarão visões distintas sobre as morbidades maternas graves e óbito materno. Já Cesar Victora (UFPel), e Antônio Guilherme Pacheco, (ENSP/Fiocruz), irão debater sobre a validade e a ética do uso de dados abertos em Epidemiologia na quarta-feira, dia 11, às 11 horas.

Ao longo do evento, intervenções culturais irão surpreender os congressistas, levando ao evento os principais elementos da cultura de Florianópolis, também conhecida como Ilha da magia. A maior parte da programação já disponível no site, faltando apenas algumas mesas-redondas. Confira os destaques de cada dia.

A abertura oficial do congresso será na noite do domingo, (08/10), que contará com a cerimônia e a conferência de abertura “A Epidemiologia em defesa do SUS: mas qual SUS?”, a ser proferida por Jairnilson Paim (UFBA). No primeiro dia da programação científica (09/10), a conferência da manhã terá o tema “Superando crises econômicas: o papel do desenvolvimento científico e tecnológico”, com Maurício Barreto (Cidacs-IGM/Fiocruz), e a da noite abordará os “Efeitos das políticas de austeridade sobre a saúde das populações”, com o norte-americano David Stuckler, da Oxford University e pesquisador da London School of Hygiene and Tropical Medicine. Assuntos relacionados a desigualdades e grupos vulneráveis terão espaço nas mesas-redondas “Métodos aplicados em pesquisas com populações de difícil acesso”, “Avaliação do impacto na saúde de intervenções sociais, “Saúde mental e determinantes sociais”; “Racismo e saúde pública no Brasil: contribuições da epidemiologia” e nas palestras “Lições aprendidas sobre a da implementação da PrEP no SUS”, conferida por Beatriz Grinsztejn (INI/Fiocruz); “Monitoramento das desigualdades subnacionais em saúde: agenda para a Brasil”, por Aluísio Barros (UFPel). Além desses temas, haverá a mesa-redonda “Avaliação para a ciência que queremos: aplicações e armadilhas da cientometria” e outra dedicada ao ensino da epidemiologia e as palestras de Celina Turchi (CPqAM/Fiocruz), pesquisadora indicada pela revista Nature como uma das dez cientistas mais representativas de 2016, falando de suas pesquisas sobre o Zika Vírus, e de Moyses Szklo, professor da Johns Hopkins Bloomberg School of Public Health, falando dos desafios na prevenção de doenças cardiovasculares e cânceres.

No segundo dia do evento (10/10), a programação começa com a conferência “Ensinando epidemiologia: métodos, ainda que sofisticados, não são suficientes!”, com Art Reingold, diretor do Center for Global Health/UC Berkeley School of Public Health, e termina com a conferência de Maya L. Petersen, pesquisadora e professora também da UC Berkeley School of Public Health, que falará dos estudos em Inferência causal em Epidemiologia. O conjunto da programação do dia dará destaque aos debates sobre saúde gestacional, nascimentos e as condições dos primeiros mil dias do ciclo vital, presentes nas mesas-redondas “A epidemia de cesáreas no Brasil: onde vamos parar?”; “Novas curvas de ganho de peso gestacional e o SUS”; no debate “Morbidade materna graves, near miss e óbito materno” e nas palestras “Parto e nascimento no Brasil – do normal ao normalizado: consequências para mães e bebes”, proferida por Maria do Carmo Leal (ENSP/Fiocruz); “Múltiplas abordagens e potencialidades na análise de dados de consumo alimentar”, com Nadia Slimani, da Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC/OMS). Destaque também para os debates sobre a produção e construção das bases da epidemiologia e do conhecimento em geral, com as palestras “Como aumentar a qualidade e a transparência de resultados de pesquisas em saúde”, proferida por Iveta Simera, da Oxford University, e  “Integridade e promoção da equidade de gênero na pesquisa e na publicação”, por Maria Teresa Cantero, da Universidad de Alicante, Espanha, e nas mesas-redondas “Experiências de linkage de bases de dados populacionais”; “Tópicos em inferência causal” e “Experiências com o ensino de epidemiologia na graduação”.

O terceiro e último dia (11/10) do evento trará também a última conferência com Laura Rodrigues, pesquisadora brasileira titular do quadro da London School of Hygiene and Tropical Medicine, que falará da “Resposta brasileira à emergência da epidemia pelo vírus Zika”.  As relações da Epidemiologia com o SUS e as políticas públicas terão destaque nas mesas-redondas “Avaliação de impacto de políticas e ações de saúde: evidências e desafios teórico-metodológicos”; “Como avançar na agenda regulatória na área de alimentos: cenário atual e perspectivas”; “Avanços e retrocessos sobre a prática e a regulamentação do aborto no Brasil”; “A epidemia de HIV/Aids no Brasil entre populações específicas”, e as palestras “Determinantes de comportamento violento: uma abordagem centrada nos ciclos de vida”, proferida por Joseph Murray (UFPel); “Violência e saúde global no mundo contemporâneo”, por Ignacio Cano, (Uerj), e “Erros na avaliação de consumo alimentar e possíveis correções”, a ser proferida por Victor Kipnis, do National Cancer Institute of the United States. A premiação dos melhores trabalhos apresentados nas sessões de Comunicação Coordenada e nos pôsteres dialogados e o balanço do evento irão compor a cerimônia de encerramento.

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