Produção científica das Ciências Sociais na pós-graduação têm debate no VI CBCSHS


Uma reflexão em eterna construção e que se submete a sistemas de aferição que não correspondem a sua constituição como campo de saber. Essas e outras ideias foram abordadas na mesa redonda “Ciências Sociais e formação pós-graduada em Saúde Coletiva – uma interlocução revisada”, durante a manhã de 16 de novembro no VI CBCSHS. Coordenada pela professora Paulete Goldenberg, da Unifesp, a atividade contou com as exposições de Everardo Duarte Nunes, da Unicamp, Regina Marsiglia Giffoni, da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

Na abertura, Paulete Goldenberg fez um rápido panorama da entrada da sociologia na área da Saúde, promovida pela reforma universitária da década de 1970 e que trouxe à crítica ao pensamento positivista, permitiu a entrada do materialismo histórico e as primeiras discussões da reforma da assistência, o que ampliou a pós-graduação do campo da Saúde Coletiva.  “Em 1984, havia centenas de egressos, e em pouco tempo chegou-se a mais de cinco mil formados”.

Regina Marsiglia  falou sobre a construção das Ciências Sociais e Humanas na Saúde em paralelo aos congressos realizados pela Abrasco: das primeiras abordagens sociológicas sobre a morte, as relações entre o fisiológico e o emocional e a crítica ao modelo biomédico das décadas de 1950 e 1960 e os debates inaugurais da Reforma Sanitária, que levou à criação da associação e formatou o encontro dos três campos do conhecimento da Saúde Coletiva. “Foi a construção de uma teoria para a explicação da nossa própria realidade brasileira”. O 2º Congresso da área marca a emergência das demais abordagens das ciências humanas, ampliando e rediscutindo “o próprio objeto sobre o qual a área se debruça: a relação do biológico com o humano”.

A interdisciplinaridade e o confronto entre os conhecimentos social e médico foram os eixos da apresentação de Everardo Nunes. “Trabalhar nessa tensão é o próprio exercício da sociologia na Saúde”. O professor abordou a passagem dos estudos de 1960 a 1990, período em que o debate acerca das grandes escolas sociológicas e suas implicações na área da Saúde abriu espaço para a emergência das microssociologias, “tornando-se uma disciplina heterogênea e centrífuga”.

Andréa Loyola, com auxílio do pesquisador Pedro Villari, trouxe a continuação do estudo da indexação sobre a publicação de artigos científicos das Ciências Sociais e Humanas nas três principais revistas da área: Cadernos de Saúde Pública, da ENSP/Fiocruz; Revista da Saúde Pública, da FSP/USP, e Ciência & Saúde Coletiva, editada pela Abrasco, iniciado em 2007 e atualizado com os dados de 2012. “Pouca coisa mudou no cenário das publicações”, afirmou Andréa, que exibiu uma taxa de prevalência de textos das áreas de epidemiologia e política, planejamento e gestão em Saúde nas publicações ligadas aos institutos superiores e uma proporção mais equilibrada na revista da Abrasco. “Acredito que as Ciências Sociais continuam perdendo espaço, pois é submetida a critérios que não lhe dizem respeito”.

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