Lançamento do Prêmio Maria Cecília Minayo encerra o 7º CBCSHS


O sentimento é de dever cumprido. Essa frase esteve presente nas avaliações dos responsáveis pelo sétimo Congresso Brasileiro de Ciências Sociais e Humanas em Saúde (7º CBCSHS) durante a cerimônia de encerramento, fechando as atividades no Teatro Universitário da UFMT na tarde de quarta-feira, 12 de outubro. A cerimônia lançou e concedeu o Prêmio Maria Cecília de Souza Minayo, fez o balanço da sétima edição, anunciou Martinho Braga Silva (IMS/Uerj) como novo coordenador da Comissão de Ciências de Ciências Sociais e Humanas em Saúde (CCSHS/Abrasco) e lançou a candidatura da UFPB para sede do próximo congresso.

Os trabalhos foram iniciados pela leitura e aprovação de duas moções públicas sobre os malefícios da PEC 241/2016 e de repúdio ao projeto Escola sem Partido e à criação de uma a Base Nacional Comum Curricular sem a presença de cadeiras das Ciências Sociais e Humanas.

Na sequência, Maria Helena Mendonça (ENSP/Fiocruz) e Luis Eduardo Batista (IS/SESP) apresentaram o Prêmio Maria Cecília de Souza Minayo, criado pela CCSHS/Abrasco como reconhecimento da importância dessa cientista social para a Saúde Coletiva e, em especial, na sua atuação na defesa dos direitos humanos e sociais. “Com a criação do Prêmio, além de homenagear Maria Cecília, a Comissão busca consolidar esse espaço de valorização dos trabalhos apresentados no 7º Congresso Brasileiro de Ciências Sociais e Humanas em Saúde”, ressaltou Maria Helena.

Cecília, que não pôde permanecer até o final do Congresso, deixou uma mensagem lida por Maria Helena, na qual agradece muitíssimo o carinho e respeito das novas gerações de cientistas sociais e humanas e saúde. “Sinto-me especialmente emocionada com a presença da juventude em palestras e apresentação de obras que reúnem esse conhecimento e que buscam levar a público o debate sobre a situação de vida tão marginal”.

Todos os trabalhos inscritos foram avaliados por dois pareceristas. Os que obtiveram a pontuação máxima em pelo menos uma das avaliações foram avaliados novamente, sem conhecimento dos autores, no momento da apresentação nos GTs. Os 10 melhores trabalhos apresentados em ambas as modalidades (Comunicação Breve e Exposição Oral) foram selecionados, com três premiações e sete menções honrosas. Os autores presentes foram chamados ao palco. Clique e acesse a relação completa.

Nos agradecimentos, Gisela Brunken, diretora do ISC/UFMT, agradeceu a presença de todos, ressaltando como foi importantes os debates no momento em que foi aprovada a PEC 241. “Estarmos juntos ajudam a enfrentar esses momentos. É bom saber que a Abrasco é tão empenhada em fazer os congressos”

Coordenadora da Comissão Local e também docente da UFMT, Reni Barsaglini destacou a relevância do evento para os serviços de saúde, acadêmicos e movimentos sociais. “O evento é um momento especial de aprendizagem. Deu gosto ver os auditórios e salas lotadas e poder ouvir diretamente nossos colegas, amigos e professores que são as referências encontradas nos livros e artigos”, disse ela, agradecendo ao tom da hospitalidade cuiabana. “Pensamos em cada detalhe, sabemos que alguns escaparam, mas tentamos resolvê-los da melhor forma possível, para acolhê-los com conforto e comodidade”.

Leny Trad falou em nome da diretoria da Abrasco e elogiou a qualidade científica do evento e sua afinação com a ação da entidade. “Afirmar e consolidar uma posição de autonomia, um dos princípios da atual composição da diretoria e da própria Abrasco traz implicações diretas à realização dos eventos. Se no Rio trouxemos como mote a circulação de saberes e práticas, aqui a ideia chave foi a emancipação do pensamento crítico. De todos os esforços feitos em meio às adversidades financeiras, é um mérito de todos termos produzido um congresso para além da academia, valorizando a necessária articulação de saberes e práticas e experiências, vividas por nós nos clamores de Fora Temer e dos debates nas mesas redondas, nos grandes debates e nos GTs. Se somos tomados por desesperança ajudou também o sentimento de potências de que podemos agir. A Abrasco, a partir do trabalho dessa Comissão, conseguiu reafirmar esse princípio”.

Pela Secretaria executiva da Associação, Thiago Barreto fez os agradecimentos oficiais e anunciou os números finais. Nos quatro dias do 7º CBCSHS foram credenciados 958 congressistas do total de 1.144 pessoas inscritas na plataforma do evento.

“Mesmo com os desafios logísticos e as adversidades orçamentarias, Cuiabá ficará na memória da Abrasco pelos grandes e marcantes momentos do Congresso. Fizemos um evento de superação porque contamos com a cooperação e a solidariedade das comissões científica e local e de diferente alunos e voluntários que participaram ativamente do evento, interessados e vidrados no acompanhamento dos palestrantes, nas orientações, nos debates. A Secretária Executiva encontrou no trabalho dessas pessoas e desses grupos uma grande disposição para a parceria”, fazendo os agradecimentos à Secretaria do Estado da Saúde do Mato Grosso (SES-MT), Secretaria Municipal de Cultura e Esporte de Cuiabá, Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS/OMS), CAPES, CNPQ, Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat), ISC/UFMT e as empresas parceiras responsáveis pela infraestrutura e realização: Método Eventos e XR2 Equipamentos.

Coube à presidente Tatiana as últimas palavras. Ela resgatou o trabalho de três anos para que o evento chegasse ao seu término com tantos elogios. “Nosso plano diretor foi dinâmico, intercalado pela realização dos simpósios, de reuniões presenciais e virtuais. O ISC que tão bem nos acolheu demonstrou papel preponderante pela regionalização do conhecimento”. Ressaltou também as inovações lançadas, como o GT Ampliando linguagens e as mesas redondas inter-GTs, promovendo novos encontros e parcerias. “O sentimento é de gratidão é a tanto e amplo, abraça as pessoas que estiveram aqui presentes, pessoas que ainda não conhecia e proporcionaram um trabalho no qual aprendi muito. Deixo um agradecimento especial a Luis Eugenio e Gastão, nossos presidentes que me apoiaram nessa árdua tarefa com palavras amigas e todo o investimento intelectual e político para essa realização”.

A professora anunciou o nome de Martinho Braga Batista e Silva, professor do Instituto de Medicina Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (IMS/Uerj), como novo coordenador da Comissão, tendo como adjuntas Tatiana Gerhardt (UFRGS) e Silvia Gugelmin (UFMT). Boa parte dos programas e instituições com assento na CCSHS já fizeram suas indicações. Foi recebida com uma calorosa salva de palmas a candidatura da Universidade Federa da Paraíba em realizar o próximo congresso, que já nasce vencedor e com a missão de propiciar momentos tão marcantes ao campo da Saúde Coletiva como os vividos nos últimos quatro dias em Cuiabá.

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