EPSJV tem presença marcante no 8º CBCSHS

Ingri D´avila, Luanda Lima, Mariana Nogueira, Grasielle Nespoli e Márcia Lopes (da esquerda para a direita). Foto Maíra Mathias

Educação popular em saúde, mobilização social para o enfrentamento das arboviroses, construção de experiências da agroecologia no cotidiano escolar… Esses são alguns dos temas que embalaram a participação de dez professores-pesquisadores da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz) no 8º Congresso Brasileiro de Ciências Sociais e Humanas em Saúde. O evento promovido pela Abrasco, a Associação Brasileira de Saúde Coletiva, aconteceu entre 26 e 30 de setembro, em João Pessoa, com a proposta de discutir a ‘Igualdade nas Diferenças’.

Apresentado por Fernanda Martins, o trabalho ‘A cultura e as linguagens da arte na construção curricular do curso de agentes comunitários de saúde’ ganhou uma menção honrosa na categoria ‘Ampliando linguagens’ que, junto às modalidades relato de pesquisa e de experiência, compõe o prêmio Maria Cecília de Souza Minayo. “Falei a respeito da cultura e das linguagens da arte no currículo como eixos fundamentais no processo de construção de um conhecimento autônomo, problematizador”, resume a professora-pesquisadora, que realizou o trabalho com base em fragmentos da pesquisa realizada por ela no mestrado, e também a partir da experiência como docente do curso técnico em Agente Comunitário de Saúde, oferecido pela EPSJV/Fiocruz.

A segunda edição do curso de Aperfeiçoamento em Educação Popular em Saúde, o EdpopSUS, foi o tema de três trabalhos apresentados por professoras-pesquisadoras da EPSJV. A iniciativa, fruto de uma parceria entre o Ministério da Saúde e a Escola Politécnica, formou aproximadamente dez mil pessoas em 15 estados do Brasil. Vera Joana Bornstein, que foi coordenadora nacional do projeto, falou sobre a trajetória do curso.

Já Grasiele Nespoli apresentou uma análise do EdpopSUS com foco na construção de um projeto democrático popular. “O estudo indica a importância do diálogo que o curso promoveu com os movimentos sociais, da reflexão sobre a relação entre mídia, poder, verdade e democracia, e da vivência da gestão participativa”, situa Grasiele. E continua: “Compreendemos que a educação popular potencializa a compreensão das relações de opressão e colonialismo próprias do capitalismo e formas de organização política de trabalhadores e movimentos sociais na luta do direito à saúde”.

Por seu turno, a professora-pesquisadora Luanda Lima escolheu o recorte temático do eixo que discutia os territórios no curso. “Falei sobre a experiência de construir um currículo que dialogasse com a prática dos territórios como um lugar, um espaço de construção de memórias, de luta e de vida”, conta ela que, além deste, apresentou outro trabalho no Abrasquinho, antecipando resultados do projeto de pesquisa que desenvolve no doutorado em Saúde Coletiva no Instituto Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz). “Investigo o cuidado de si como estratégia de emancipação a partir dos coletivos de ginecologia natural. O trabalho foca na descrição de quem são os grupos, como eles têm se organizado e como conseguem fundar novas medicinas da mulher em contraposição à perspectiva biomédica”, resume.

Outros cursos desenvolvidos pela Escola Politécnica mereceram relatos de experiência. Ingrid D´Avila falou sobre a especialização lato sensu em Educação e Agroecologia, fruto de uma parceria da EPSJV com a Escola Popular de Agroecologia e Agrofloresta Egídio Bruneto (Prado-BA) e o MST, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra. A iniciativa contou com o apoio da Vice-Presidência de Promoção e Atenção à Saúde da Fiocruz. A professora-pesquisadora deu ênfase aos desafios da construção de experiências agroecológicas no cotidiano escolar.

A professora-pesquisadora Marcia Lopes falou sobre a experiência educativa com agentes comunitários de saúde para além das técnicas. Já Edilene Pereira ressaltou a importância dos territórios e da mobilização social para o enfrentamento das arboviroses, debate inserido na ‘Pesquisa científica e tecnológica para inovação em educação e comunicação para a prevenção da zika e doenças correlatas nos territórios’ – coordenada pela presidente da Fundação Oswaldo Cruz, Nísia Trindade, e desenvolvida pela EPSJV/Fiocruz, em conjunto com outras unidades da Fundação.

Temas relacionados às políticas de saúde também foram objeto de apresentações. Mariana Nogueira abordou a crise na periferia do capitalismo e seus efeitos no direito à saúde, particularmente as repercussões na atenção primária à saúde brasileira. Já Dênis Petuco falou sobre a constituição de um campo de lutas em torno das políticas e técnicas de cuidado dirigidas a pessoas que usam drogas no Brasil (leia mais aqui). Por fim, Elenice Cunha falou sobre a inserção e o trabalho do técnico de enfermagem no tratamento supervisionado do Programa de Controle da Tuberculose de Duque de Caxias, na região metropolitana do Rio de Janeiro.

Momento de articulação

O Abrasquinho também foi uma oportunidade para estabelecer contatos, articulações e possíveis parcerias. De acordo com Vera Joana, a trajetória do EdPopSUS II  gerou interesse em instituições do Rio Grande do Norte que pretendem desenvolver a formação naquele estado.

A professora-pesquisadora Mariana Nogueira representou a Escola Politécnica em uma reunião com o grupo de coordenação pedagógica do Centro Formador de Recursos Humanos da Paraíba (Cefor-PB). O objetivo do encontro foi discutir a possibilidade de uma parceria para a formação técnica de agentes comunitários de saúde no estado.

Grasielle e Luanda participaram de reuniões do grupo de trabalho (GT) de educação popular e saúde da Abrasco e da reunião de organização do 6o Encontro Nacional e 1o Encontro Internacional de Educação Popular em Saúde, que vai acontecer de 6 a 9 de fevereiro de 2020, em Parnaíba (PI).

(Reportagem publicada originalmente no site da EPSJV/Fiocruz)

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