“Temos que ter consciência do que aconteceu, para que nunca mais se repita”

“Não podemos esquecer o que aconteceu na pandemia!”. Essa afirmação foi consenso entre todos os convidados da mesa redonda Os legados da pandemia: Lições aprendidas na preparação para o enfrentamento de epidemias e pandemias e legados institucionais, realizada na manhã desta quarta-feira (23/11) como parte da programação do 13º Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva, que ocorre até 24 de novembro, no Centro de Convenções de Salvador, Bahia.

“Como explicar que o maior programa de imunizações do mundo deixou de salvar 47 mil idosos que poderiam ser salvos pela vacinação da Covid-19?”. O questionamento foi feito pelo médico sanitarista, coordenador e pesquisador do Núcleo de Epidemiologia e Vigilância em Saúde (NEVS) da Fiocruz em Brasília, Cláudio Maierovitch. “Carregamos um rastro de destruição, sofrimento e morte como nunca vimos antes no país”, afirmou.

O sanitarista também abordou o conhecimento sobre a doença e o vírus, o desenvolvimento de tecnologias de novas vacinas, o impacto social das (des)igualdades em uma emergência em saúde e o papel da cultura e da comunicação. A falta de uma política e coordenação nacional para divulgar e incentivar o uso de medidas corretas contra a Covid-19 também foi lembrado pelo pesquisador. Segundo ele, a falta dessas medidas foi um dos fatores que disseminaram hábitos sem eficácia e inflamaram nas redes sociais os movimentos antivacinas.

Maierovitch apontou, ainda, a falta de investimento na atenção básica de saúde, que deveria ser prioridade para o Sistema Único de Saúde (SUS). “Se o Brasil contava com o SUS, por que as pessoas ficaram sem diagnóstico, sem vaga, sem tratamento, sem oxigênio, sem kit de intubação e sem chance?”, questionou, indicando que o Brasil não garantiu as medidas de prevenção, controle da doença e divulgação de informações baseadas nas evidências científicas. “Em uma crise sanitária, é preciso constituir um Comitê de Operações de Emergência e Saúde, com acompanhamento das necessidades e respostas de cada estado, de cada município”, destacou ao lembrar a forma como o Brasil estava acostumado a trabalhar em outros momentos em que o país passou por crises sanitárias.

De acordo com o palestrante, deve-se carregar a esperança de que as futuras decisões frente às crises sanitárias sejam diferentes para fazer frente ao legado do negacionismo cultivado nesta pandemia. Por fim, ele sintetizou que o maior legado que carregamos desse período é o da consciência do que aconteceu, reforçando a tarefa do resgate das informações de todo o período da pandemia. “Não podemos carregar o legado da impunidade, temos que ter consciência do que aconteceu, para que nunca mais se repita”, concluiu. 

O debate contou também com a participação das pesquisadoras Maria Rita Donalisio, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp); Deisy Ventura, da Universidade de São Paulo (USP); e Ethel Maciel, da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES).

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