Um Fórum de anseios, diferenças e busca de um diálogo para o fortalecimento da SC e do SUS

“O Fórum somos todos nós com seus anseios, diferenças e busca de um diálogo construtivista para o fortalecimento do campo da SC e do SUS” frisou Adauto Emmerich Oliveira da Universidade Federal do Espírito Santo, um dos coordenadores do Fórum de Pós-graduação em Saúde Coletiva da Abrasco, sobre o encontro do grupo que se reuniu em 23 e 24 de novembro, no prédio histórico da Faculdade de Medicina da Bahia, construído em 1905 no lugar do antigo Colégio dos Jesuítas. A mesa de abertura contou com a presença de Guilherme Werneck – Coordenador da Área da Saúde Coletiva na Capes; Gastão Wagner – presidente da Abrasco; Darci Santos – pesquisadora do Instituto de Saúde Coletiva que estava representando o Reitor da UFBA, professor João Carlos Salles Pires da Silva; do Diretor da Faculdade de Medicina da Bahia, professor Luis Fernando Fernandes Adan; e Silvana Granado, coordenadora do Fórum.

Acesse aqui ao vídeo com toda a cerimônia de abertura do Fórum em Salvador.

Na manhã do primeiro dia houve debate sobre o ensino na Pós-graduação em Saúde Coletiva com apresentações de Naomar de Almeida Filho e Ligia Bahia sob mediação de Gastão Wagner. À tarde, foram apresentados os resultados da Avaliação Quadrienal da Capes, 2013-2016, pelo Coordenador da Área da Saúde Coletiva, Guilherme Werneck; pela coordenadora adjunta Maria Novaes ; e ainda por Eduarda Cesse, atual Coordenadora Adjunta para Mestrados Profissionais da Área da Saúde Coletiva da Capes.

Em sua participação, Gastão Wagner falou sobre a importância e o enfrentamento dos inúmeros desafios da pós-graduação em Saúde Coletiva no país, por meio da análise do contexto sociopolítico e de suas repercussões sobre os direitos sociais, no que tange a saúde, educação e ciência & tecnologia. O presidente da Abrasco, chamou atenção para o encontro de tantos coordenadores que justifica e mobiliza a Saúde Coletiva.

Assista aqui ao vídeo com a íntegra da participação de Gastão Wagner no Fórum.

Durante sua apresentação, o professor Naomar Almeida Filho apresentou a história da instituição universitária no mundo ocidental e no Brasil. O professor falou também do crescente interesse do capital financeiro em investir em fusões e aquisições de empresas educacionais como movimento para transformar o ensino superior em bens e serviços. Analisou ainda as perspectivas da universidade como instituição de conhecimento, num contexto de transformação da educação superior em espaço de negócios e mercado de valores e produtos simbólicos – “Proponho uma rápida revisão da trajetória histórica da educação universitária no mundo ocidental, a partir de textos clássicos. O filósofo e diplomata Wilhelm Von Humboldt tem sido largamente reconhecido e exaustivamente estudado como criador da universidade de pesquisa. Quero debater hoje os dilemas políticos e institucionais que desafiam a universidade brasileira no contexto atual de crises, conflitos e acomodações na nossa sociedade”, propos Naomar.

Assista aqui ao vídeo com toda a apresentação de Naomar Almeida Filho.

Em sua apresentação, Ligia falou sobre A saúde coletiva: ensino e pesquisa para reduzir desigualdades no Brasil contemporâneo. Seguindo um roteiro que começava no disclaimer, pressupostos, passando pelas “pré-hipóteses”, conjectura, interpretações sobre desigualdades no mundo contemporâneoe finalmente abordando os desafios para refletir e propor intervenções para a redução de desigualdades no Brasil. A professora sugeriu a construção de plataformas digitais comuns, pois atualmente grandes pesquisas feitas com dinheiro público não têm um espaço comum que permita acesso livre: – “Afinal, bancos de dados viraram bens de bancários”, alfinetou Ligia.

Sobre a divulgação científica na Saúde Coletiva, Ligia sugeriu que as revistas da Abrasco poderiam divulgar os trabalhos premiados nos congressos da Associação. Ainda sobre os trabalhos submetidos aos congressos da Associação, Ligia salientou a importância de permitir a submissão de trabalhos em andamento, pois permitiria melhor debate de temas, durante os encontros abrasquiano: – “Muitas vezes os trabalhos apresentados nos congressos da Abrasco são trabalhos que já foram até publicados, o que, na minha opinião, não permite um debate com o público interessado”

Ao final da apresentação, Ligia chamou atenção para o cenário político no mundo e algumas novidades como a candidata mexicana indígena María de Jesús Patricio, candidata nahua do Conselho de Governo Indígena e que tem o apoio do Exército Zapatista de Libertação Nacional, conhecida como Marichuy: – “Prestem atenção nesta candidata independente às eleições presidenciais de 2018, ela já anunciou que não usará “nenhum peso” dos recursos públicos que a autoridade eleitoral fornece aos candidatos para sua campanha”, explicou Ligia.

Em relação ao recente estudo anunciado pelo Banco Mundial Um ajuste justo: análise da eficiência e equidade do gasto público no Brasil Ligia pediu: – Leiam as 3 páginas do Relatório que fala sobre saúde (sim, só 3 páginas) lá eles dizem que precisamos ter mais médicos, mas não é disso que se trata, não é verdade? O que nós precisamos é reduzir desigualdades, e o que estamos fazendo para a redução das desigualdades? Finalizo chamando atenção para a destruição da base técnica do SUS que está acontecendo debaixo das nossas barbas: nós formamos milhares, milhares de pessoas na saúde pública que não têm nenhuma autonomia para resistir a esta destruição e esse é um problema muito sério, não só de precarização do trabalho na saúde, mas um problema de formação, um problema de cidadania, um problema dos sujeitos sociais que estamos formando”.

Acesse aqui à apresentação de Ligia Bahia, em formato PDF.

Assista aqui ao vídeo com a participação de Ligia Bahia no encontro de Salvador.

À tarde, o professor Guilherme Werneck apresentou o sistema de avaliação da Pós-graduação no Brasil, feito pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – Capes. Os resultados foram publicados em 20 de setembro: – “Os objetivos da avaliação são contribuir para a garantia da qualidade da pós-graduação brasileira; retratar a situação destas pós-graduações;  contribuir para o desenvolvimento de cada programa e área em particular e oferecer subsídios para fundamentar decisões sobre as ações de fomento dos órgãos governamentais”, introduziu Werneck.  A Avaliação analisou os projetos político-pedagógicos, a inserção social e a produção científica docente e discente de 4.175 programas de pós-graduação (PPG) distribuídos em 49 áreas de conhecimento. Na área da Saúde Coletiva, foram avaliados 87 programas, sendo 51 acadêmicos (44 em avaliação e 7 em acompanhamento) e 36 profissionais (34 em avaliação e 2 em acompanhamento). Todos pontuaram a partir da nota 3, não havendo necessidade de descredenciamento de nenhum dos PPG em atividade atualmente. As notas ficaram assim distribuídas: 35 PPG obtiveram nota 3; 29 PPG computaram nota 4, e 13 PPG a nota 5. Foram 7 PPG com nota 6, e 3 programas com nota 7. A área concentra um percentual de 26% de seus programas que oferecem cursos de doutorado com notas 6 e 7, acima do percentual médio, considerando todas as áreas de conhecimento (21%). Dos 35 PPG ranqueados na nota 3, 14 deles iniciaram seu funcionamento a partir de 2014 e não tiveram tempo suficiente para um ciclo de avaliação completo tendo, portanto, mantido a nota obtida quando de sua abertura. O gráfico abaixo traz a distribuição das notas pelos tipos de programa: com mestrado acadêmico (ME) e doutorado (DO), só doutorado, só mestrado acadêmico, e só mestrado profissional (MP).

Acesse aqui à apresentação de Guilherme Werneck, em formato PDF.

O segundo dia da reunião do Fórum abordou a translação do conhecimento científico na pesquisa em Saúde Pública, através das abordagens de Maria do Carmo Leal – professora de Epidemiologia nos cursos de pós-graduação da Escola Nacional de Saúde Pública / Fiocruz; e ainda do professor Luis Eugenio Souza, do Instituto de Saúde Coletiva da UFBA, presidente da Abrasco na gestão 2012 – 2015 e atual coordenador do Comitê de Ciência e Tecnologia da Associação.

A translação do conhecimento consiste na troca e aplicação do conhecimento com vistas a potencializar os benefícios decorrentes de inovações para fortalecer sistemas de saúde e a melhoria da saúde das populações. O conceito refere-se ao entendimento de que não basta haver conhecimento novo ou sua divulgação, sendo necessário promover sua utilização, na prática.

Em sua apresentação, o professor Luis Eugenio trouxe o conceito de inovação como formulado por Joseph Schumpeter, uma mola propulsora da economia no sistema capitalista que dispara uma complexa relação entre produção e destruição. Eugenio falou ainda da relevância do conhecimento científico para o cuidado e a gestão de saúde, dos obstáculos à sua utilização e à inovação e questionou: – Como melhorar a utilização e a inovação? “Para responder a esta questão, falarei aqui sobre a revisão de conceitos chave relativos ao uso de conhecimento e à inovação e sobre a identificação de fatores intervenientes”, introduziu Eugenio.

Acesse aqui à apresentação de Luis Eugenio Souza, em formato PDF.

Assista aqui à íntegra da apresentação de Luis Eugemio Souza, em vídeo.

A abordagem de translação da pesquisadora Maria do Carmo Leal permeou a pesquisa Nascer no Brasil, por ela coordenada e que revelou um Brasil recordista mundial em cesarianas, e os índices são ainda mais alarmantes no setor privado, com 88% dos nascimentos. Maria do Carmo mostrou os aspectos metodológicos da amostra, a criação de um algoritmo para cálculo da idade gestacional e estimação da mortalidade materna; resultados sobre a assistência pré-natal; decisão sobre a via de parto; intervenções sobre as parturientes e recém-nascidos de risco habitual; tipo de parto nas adolescentes; entre outros. Através de um panorama do parto e nascimento no Brasil para a sociedade, a pesquisadora mostrou como se deu a sensibilização de profissionais, gestores, gestantes e seus familiares para a necessidade de mudanças no atual modelo de atenção obstétrica.

Acesse aqui à apresentação de Duca Leal, em formato PDF

Assista aqui à íntegra da apresentação de Duca Leal, em vídeo.

Por fim, a plenária final aprovou dois o pesquisador Sérgio William Viana Peixoto, coordenador do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da Fiocruz Minas, para compor a coordenação do Fórum, no lugar da pesquisadora da Escola Nacional de Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz, Silvana Granado – “ É, sem dúvida, um espaço de muito aprendizado, onde temos a oportunidade de conhecer o trabalho das várias instituições que atuam na área. E é também um lugar em que se discutem os rumos da área, o sistema de ensino, a inserção no mercado e o contexto político. O fórum também tem o papel importante de dialogar com a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – Capes, propondo, por exemplo, indicadores para o sistema de avaliação”, explica Sérgio, que terá um mandato de três anos na coordenação do fórum, e que integrará o grupo formado atualmente pelo professor Adauto Emerich, da UFES, e pela professora Mônica Angelim, da UFBA.

Atualmente 78 programas compõem o Fórum da Abrasco, que reúne coordenadores dos Programas de Pós-Graduação em Saúde Coletiva do Brasil. O grupo se encontra duas vezes ao ano, o próximo encontro será em São Paulo, na segunda quinzena de maio.

Reunião do Fórum de Pós-Graduação será em Salvador


Os coordenadores e adjuntos dos programas de Pós-Graduação estarão reunidos no Fórum de pós-graduação em Saúde Coletiva durante os dias 23 e 24 de novembro, no Salão Nobre da Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia – UFBA, no Largo do Terreiro de Jesus, no Centro Histórico de Salvador. No dia 23 pela manhã, após cerimônia de abertura, haverá uma mesa sobre Formação em Saúde Coletiva na Pós-Graduação, com os professores Naomar de Almeida Filho e Ligia Bahia. “Este Fórum está sendo acolhido por quatro programas de Pós-graduação em Saúde Coletiva: o PPGSAT da Faculdade de Medicina da Bahia; o ISC/UFBA, o PPGSC/UFBA Vitória da Conquista e o PPGSC da Universidade Estadual de Feira de Santana do Estado da Bahia – UEFS. Acho que esta composição e a forma como estamos trabalhando para promover este evento é, em si, uma boa notícia. A ideia foi também para aumentarmos nossa integração aqui na Bahia”, conta Mônica Angelim Gomes de Lima, professora do Departamento de Medicina Preventiva e Social da Faculdade de Medicina da UFBA e uma das coordenadoras do Fórum de Pós-graduação da Abrasco.

A mesa de abertura contará com a presença do Reitor da UFBA, Professor João Carlos Salles Pires da Silva, o Reitor da UEFS Professor, Evandro do Nascimento Silva, o Pró-Reitor de Pós-Graduação a UFBA, Professor Olival Freire Junior, o Diretor da Faculdade de Medicina da Bahia, Professor Luis Fernando Fernandes Adan, além da Coordenadora do Fórum, Professora Silvana Granado e do presidente da Abrasco, Professor Gastão Wagner.

Acesse aqui a Carta Convite para esta reunião.

Confira a programação:

Dia 23 de novembro

8:30h – Mesa de Abertura

9:30 – Mesa: Ensino na Pós-Graduação em Saúde Coletiva

Convidados: Naomar de Almeida Filho (UFSB) e Lígia Bahia (UFRJ)
Debatedor: Gastão Wagner
Coordenadora: Mônica Angelim

12:00h – Almoço

13:30 – Mesa: Resultados da Avaliação Quadrienal da Capes, 2013-2016

Convidados: Guilherme Werneck (Coordenador da Área da Saúde Coletiva – CAPES), Maria Novaes (Coordenadora Adjunto da Área da Saúde Coletiva – CAPES), Eduarda Cesse (Coordenadora Adjunto para Mestrados Profissionais da Área da Saúde Coletiva – CAPES) Coordenador: Silvana Granado

Dia 24 de novembro

8:30 – Apresentação coordenadores e recepção dos novos coordenadores

9:00h – Mesa: Translação do conhecimento científico na pesquisa em Saúde Pública
Convidados: Maria do Carmo Leal (Fiocruz) e Luis Eugênio Portela Fernandes de Souza (UFBA)
Coordenadora: Silvana Granado

11:00h – Trabalho de Grupo: Grupo 1: Avaliação Quadrienal 2017-2020 (Sala Jorge Novis, Térreo); Grupo 2: Doutorado Profissional (Sala 2 PPGSAT, 1º Piso)

12:30h – Almoço

14:00h – Relato de experiências da formação em Programas de Pós-Graduação em Saúde Coletiva: experiências inovadoras

Coordenador: Adauto Emmerich

14:30h – Plenária Final
– Apresentação dos GT “Doutorado Profissional” e “Avaliação Quadrienal 2017-2020”
– Agenda até o próximo Fórum
– Eleição de novo membro da Coordenação do Fórum
– Local e data do próximo

Em maio deste ano, prestes a começar o processo de avaliação dos programas de pós-graduação de todas as 49 áreas do conhecimento da CAPES, mais de 70 coordenadores de PPGs de Saúde Coletiva e áreas afins estiveram reunidos em Campinas para mais uma edição do Fórum de Coordenadores, onde os docentes foram além e iniciaram o processo de planejamento para o próximo quadriênio.

Fórum de Coordenadores avança nas propostas para a próxima avaliação da Capes


Mais de 75 docentes, entre coordenadores e sub-coordenadores dos Programas de Pós-Graduação em Saúde Coletiva estiveram reunidos entre 1º e 02 de junho no auditório H do Centro de Ciências da Saúde da Universidade Federal de Santa Catarina (CCS/UFSC) para debater as propostas da área para a próxima avaliação quadrienal da CAPES e a conjuntura política nacional, frente aos novos ataques ao SUS e às universidades. O resultado desses dois dias materializaram-se no posicionamento do coletivo em duas notas públicas –repúdio à Portaria GM/MS 958/2016; pela valorização dos ACS   e  em Defesa do SUS e do Estado Democrático de Direito e um grande conjunto de propostas e sugestões que visa a valorização da produção da Saúde Coletiva na próxima avaliação dos programas pela Capes. Os tópicos serão sistematizados pela coordenação do coletivo para serem encaminhados aos representantes da área na Agência, instrumentalizando-os para as discussões finais no interior do Conselho Técnico-Científico da Educação Superior (CTC/ES), instância maior de deliberação da agência.

+ Confira o documento final com a sistematização dos debates em Florianópolis
+ Confira a galeria de fotos do encontro na matéria do portal Abrasco

Aylene Bousquat, da coordenação do Fórum; Sergio Fernando Torres de Freitas, pró-reitor de Pós-Graduação da UFSC, Isabela Back, diretora do CCS/UFSC, Antônio Fernando Boing, chefe do Departamento Saúde Pública da universidade, Eduarda Cesse, integrante da Coordenação da Área de Saúde Coletiva na Capes, e Eduardo Faerstein, vice-presidente da Abrasco compuseram a mesa de abertura.

Os anfitriões ressaltaram a honra em receber o Fórum, organização pioneira dentro das áreas de conhecimento atualmente organizadas pela Capes e que fortalece a ação dos PPGs em Saúde Coletiva, como frisou Freitas. “É uma grande satisfação para nós receber esse fórum para o fortalecimento dessa área, bem como todo o campo da saúde”, disse Isabela Back.

“É importante nesse momento estarmos juntos nesse momento de discussão da pós-graduação e da defesa do SUS”, salientou Boing, que aproveitou e falou dos debates da reunião da Comissão de Epidemiologia (CE/Abrasco), ocorrida dias antes na mesma universidade e que decidiu, entre outras questões, o nome do 10º Congresso Brasileiro de Epidemiologia – Epidemiologia em defesa do SUS: Formação, Pesquisa e Intervenção, a ser realizado no próximo ano, na mesma Florianópolis.

Eduarda Cesse, integrante da Coordenação de Área, destacou que no exato momento da reunião do Fórum o CTC/ES reunia-se em Brasília numa condição sui generis: dentro de um único quadriênio, houve três presidentes da Agência e três diretores de avaliação. “Estamos diante de mudanças que talvez não sejam como nós esperamos, mas que espero que consigamos impactar. Esse Fórum tem sido um importante espaço para levarmos coletivamente nossas discussões. Queria parabenizar a Coordenação do Fórum e da Abrasco, o que nos facilita a levar proposições firmes para a avaliação dos demais membros do CTC”.

Já Eduardo Faerstein relembrou o papel do Fórum como célula de origem da própria Abrasco e que, com o crescimento dos campos de ação da Associação, o coletivo cumpre um importante em manter esse vínculo com a produção da pós-graduação. “É preciso lembrar disso e resgatar o fio da meada da história para darmos um salto de qualidade e quantidade, mantendo a pluralidade de visões da Saúde Coletiva. No momento em que é mais necessário e também mais difícil de manter esse espaço semestral, agradecemos aos programas e aos coordenadores por terem feito o esforço de estarem presentes”, agradeceu Faerstein, que à tarde informou do lançamento no novo número da revista Ensaios e Diálogos em Saúde Coletiva e da nova campanha de associados da Abrasco.

Posição firme contra o retrocesso: Nas duas manhãs, os docentes dividiram-se em grupos dedicados aos temas do Mestrado Profissional e dos Programas acadêmicos nos quais debateram propostas e ajustes a partir da atual ficha de avaliação da Capes.

Às tardes foram organizadas as plenárias, buscando a construção de consensos e de instrumentos de intervenção. O primeiro debate, realizado no dia 1º, foi em torno da conjuntura política nacional, no qual diversos docentes listaram os inúmeros retrocessos vivenciados nas áreas da saúde, ciência e tecnologia e educação e cultura com a ascensão do governo interino liderado por Michel Temer.

Dentre os pontos listados, a junção e recuo do ministério da Cultura; a valorização dos debates a respeito do projeto Escola Sem Partido; o fim do ministério de políticas para as mulheres e, principalmente, os retrocessos vistos no Ministério da Saúde, como a portaria GM/MS 958/2016, que possibilita a formação de equipes da Estratégia Saúde da Família (ESF) sem a participação dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS); a proposta de passagem das ações em Saúde Mental para o Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) e as falas de Ricardo Barros, atual titular da pasta. “A constituição dessa agenda significa, acima de tudo, uma profunda alteração nas conquistas sociais dos últimos anos e que sustentam nossas linhas de investigação e pesquisa. Essas mudanças dizem diretamente ao nosso trabalho”, destacou Aylene. Foram deliberadas duas notas: Pela valorização dos ACS – nota em repúdio à Portaria GM/MS 958/2016 e Nota Pública em Defesa do SUS e do Estado Democrático de Direito.

Na sequência, Maria Novaes e Eduarda Cesse, representantes adjuntas da área junto à Capes, apresentaram o atual momento do debate dentro do CTC/ES para os preparativos da próxima avaliação quadrienal. Ainda não houve tempo de as recentes nomeações de Abílio Baeta Neves como presidente da Agência e de Anderson Stevens Leônidas Gomes na diretoria de Avaliação se apresentarem e apontarem mudanças. “Não vejo que a Capes será arrasada, a não ser que nós permitamos. Temos uma briga boa pela frente e não vamos abrir mão dela”, ressaltou Maria Novaes.

Segundo a professora, o atual debate dentro do CTC indica que haverá poucas mudanças na ficha de avaliação, e que o esforço conjunto que se desenha

Discentes da Pós-Graduação terão espaço no Abrascão

Thiago Silveira
Thiago Silveira

27/05/2015 | Bruno C. Dias. Serão duas atividades coordenadas pela Associação Nacional de Pós-Graduandos. Representantes dos Programas devem participar do mapeamento prévio

O 11º Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva, o Abrascão, é uma construção coletiva de toda a comunidade científica, tanto docentes, pesquisadores quanto estudantes. E a presença desses últimos é fundamental para a constante e crescente reoxigenação das discussões, pensamentos e ações do campo.

Nesse contexto, a Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG), liderada pelo Fórum de Pós-Graduandos em Saúde, estará a frente de duas atividades no período pré-congressual. São elas a roda de conversa Formação e Direitos dos Pós-Graduandos em Saúde: Nossos Principais Enfrentamentos no Cotidiano, no dia 27 de julho; e a Plenária do Encontro Nacional de Pós-Graduandos em Saúde, no dia 28. Em breve, serão divulgados horário e local de realização dentro do Campus Samambaia, da Universidade Federal do Goiás (UFG).

Para potencializar e dinamizar a participação dos representantes discentes dos diversos programas de pós-graduação em Saúde Coletiva e de áreas afins, bem como de demais estudantes interessados, foi elaborado um formulário eletrônico para a realização desse mapeamento.

Leia mais aqui.

Reunião do Fórum de Pós-graduação em Recife discute contexto político-científico

 

Flaviano Quaresma

15/05/2015  | Por Flaviano Quaresma. Além das atividades de continuidade das decisões e deliberações da reunião que aconteceu na UFRGS, em Porto Alegre, em dezembro de 2014, as questões referentes aos novos formatos de avaliação da Capes, o projeto de lei de ética na pesquisa, a crise financeira governamental do Brasil e seu impacto no campo da pesquisa científica foram temas de debate.

A abertura da reunião contou com a participação de Sinval Pinto Brandão Filho (CPqAM/Fiocruz Pernambuco), Antonio da Cruz Golveia (coordenador da Pós-Graduação em Saúde Coletiva do CPqAM), Aylene Bousquat (coordenadora do Fórum Nacional de PGSC) e Luis Eugenio de Souza (presidente da Abrasco).

Informes importantes da Abrasco e da Capes foram lançados à plenária sobre atualizações relacionadas ao Abrascão 2015, o ISEE 2015. Luis Eugenio de Souza enfatizou a necessidade de programas de pós-graduação abrirem espaços para os temas do contexto da saúde e ambiente visto toda a movimentação nesse campo que tem ganhado visibilidade no Brasil e no exterior.

Luis Eugenio pontuou a publicação do “Dossiê Abrasco”, fruto de estudos, lutas e outros empoderamentos fortalecendo a união entre movimentos sociais e comunidade científica.

Acesse aqui a notícia completa.

 

Programação da reunião do Fórum de Coordenadores de Pós-Graduação em Saúde Coletiva em Recife

07/05/2015 | Por Flaviano Quaresma 

Nos dias 14 e 15 de maio, o Fórum de Coordenadores de Pós-Graduação em Saúde Coletiva se reúne na Fiocruz Aggeu Magalhães, em Recife.

Confira a pauta da reunião:

1º DIA: 14/05 –  Manhã   9h

Abertura dos trabalhos:

Prof. Dr.  Sinval Pinto Brandão Filho – Diretor do Centro de Pesquisas Aggeu Magalhães (CPqAM/ Fiocruz Pernambuco)

Prof. Dr. Antonio da Cruz Golveia Mendes – Coordenador da Pós Graduação em Saúde Coletiva do CPqAM

Prof. Dr. Guilherme Werneck – Representante da Área de Saúde Coletiva na CAPES

Profa. Dra. Aylene Bousquat (Coordenadora do Fórum Nacional de PGSC)

Prof. Dr. Luis Eugenio Portela (Presidente da Abrasco)

Moderadora Manhã: Profa. Dra Aylene Bousquat (Coordenadora do Fórum Nacional de PGSC)

09:30h -10:00 – Informes

•Informes Abrasco

•Informes Capes

•Indicação de relatores e apresentação dos participantes presentes

10:30-10:45 – Intervalo

10:45- 12:30 – Proposta de regimento do Fórum

12:30-14:00 – Intervalo para almoço

Moderadora Tarde: Profa. Dra Silvana Granado (Coordenadora do Fórum Nacional de PGSC);

14:00-15:00: Desigualdades Regionais na Pós-Graduação em Saúde Coletiva: que Brasil queremos construir.

15:00 -17:30- Desdobramentos GT Avaliação (informes e debate)

2º DIA: 15 /05   9:00 -10:00:

– Desdobramentos GT Avaliação discente (informes e debate)

10:00- 11:00 – Desdobramentos GT Técnico (informes e debate)

11:00-11:15: Intervalo

11:15-12:15: Definição das prioridades no Trabalho do Fórum no próximo semestre

12:15-13:00 Definição sobre data e local da próxima reunião e encaminhamentos finais

13:30 – Almoço e despedidas

Com tema “avaliação”, Fórum de Coordenadores de Pós-Graduação em Saúde Coletiva se reúne em Porto Alegre

01/12/2014 | Por Flaviano Quaresma –

Foto Flaviano Quaresma
Maria Amélia Veras reforça a importância do Fórum no debate e elaborações de propostas para fortalecer o campo da Saúde Coletiva

Questões importantes estavam na pauta da última reunião em 2014, do Fórum de Coordenadores de Pós-Graduação em Saúde Coletiva, da Abrasco, em Porto Alegre. Mais de 65 pesquisadores entre coordenadores e vice-coordenadores se reuniram para discutir o processo de avaliação dos programas, como também o sistema, os critérios, e as mudanças na avaliação proposta pela Capes. Maria Amélia, coordenadora do Fórum, afirmou que é preciso levar em consideração a heterogeneidade do contexto da pós-graduação no Brasil para pensar seu sistema de avaliação. Nesse sentido, reforçou a importância do Fórum e da participação de todos presentes no debate. “Nosso tema é ‘avaliação’, o que não poderia ser diferente, diante do contexto em que vivemos. Mas qual a contribuição que a Saúde Coletiva pode oferecer para esse contexto? De onde viemos, onde estamos e para onde queremos ir?”, destacou Maria Amélia.

Apresentada por Eduarda Cesse, pesquisadora da Fiocruz/PE e coordenadora adjunta da Área da Saúde Coletiva para Mestrados Profissionais da Capes, o contexto da Pós-Graduação no Brasil, em especial da Saúde Coletiva, trouxe um pouco da história de sua trajetória e ainda a posição que se encontra o campo atualmente, para uma reflexão pertinente sobre qual caminho é estratégico seguir como área. Essa retrospectiva histórica também localizou os novos coordenadores presentes na reunião, na perspectiva de fortalecer a construção coletiva de caminhos possíveis no contexto da avaliação da produção científica dos pesquisadores em Saúde Coletiva e de seus programas.

Guilherme Werneck, por sua vez, trouxe à luz do contexto atual, o panorama das 48 áreas existentes na Capes, incluindo a Saúde Coletiva, ressaltando as funções dos 18 representantes da CTC e seus poderes nas decisões e na luta por voz política dentro da instituição. Entre outros pontos importantes, revelou que a Plataforma Sucupira por meio de relatórios entregues por coordenadores de todo o Brasil, recebeu uma avaliação positiva e que seus problemas não foram enfatizados. “Considerei isso muito preocupante. Principalmente porque a próxima avaliação será baseada nas informações da Plataforma Sucupira, como exemplo a avaliação de livros. Mesmo que a Saúde Coletiva considere importantíssima a produção de livros, o CTC tem o poder de modificar os princípios de avaliação definidos por cada área, que de certa forma, apresenta uma valorização de menor ou maior nível”, enfatizou.

Nesse contexto da avaliação do campo da Saúde Coletiva e as dimensões que se inserem nesse processo, Guilherme Werneck pontuou o número de pedidos de aprovação para mestrados profissionais em todo o Brasil. Salientou que essa questão também passa pela linha de decisão sobre qual o caminho que o próprio campo e seus pesquisadores desejam traçar após uma trajetória tão rica. “Não sei se porque a ideia de ‘interdisciplinaridade’ tenha um sentido ‘frouxo’, menos ‘rigoroso’, mas, a demanda por aprovações de cursos com essa perspectiva tem crescido assustadoramente. Ou talvez a ideia de ‘interdisciplinaridade’ de muitas propostas esteja equivocada. ‘Interdisciplinaridade’ não significa juntar pesquisadores de áreas diferentes, é muito mais que isso, é mais profundo, é mais complexo. A proposta precisa ser robusta e estar completamente ligada à perspectiva da Saúde Coletiva”, afirmou o pesquisador, enfatizando que isso também é um parâmetro importante para saber para onde o campo deseja seguir. “É importante crescer como queremos crescer. Não aprovar cursos com propósitos equivocados ou frouxos não se trata de frear o crescimento da área, mas de fortalecimento da perspectiva da Saúde Coletiva”.

Eduarda Cesse afirmou que a semana de avaliação de novos programas trouxe uma preocupação, mas também um olhar mais apurado sobre o campo da Saúde Coletiva, “o quanto é importante participar do processo de avaliação”. Para ela, estar em contato com as demandas atuais de 38 a 40 programas profissionais, fez perceber o quanto o cenário é amplo e complexo, e o quanto há urgências em formação voltadas para os serviços de saúde.

GT de Avaliação da Pós-Graduação

Apresentada por Aylene Bousquat, o GT de Avaliação da Pós-Graduação apresentou os resultados das análises da colaboração intelectual entre os docentes (cursos de nota 7 e nota 5) e dos componentes/quesitos da avaliação no triênio 2010-2012. Entre os consensos, estão o “reconhecimento da importância do processo de avaliação e seus diversos avanços alcançados; a necessidade da garantia de um processo claro e republicano, com regras iguais para qualquer grupo de pesquisadores; a ideia de que o espírito geral construtivo vem norteando a construção do processo de avaliação, presença de diálogo entre os coordenadores no Fórum e a coordenação de área da Capes; a consolidação do campo da Saúde Coletiva frente aos demais campos de conhecimento na Capes; e que o modelo atual precisa ser aperfeiçoado e atualizado continuamente (já se chegou a um limite)”.

Wolney Conde também apresentou dados sobre os quesitos analisados pelo GT. Segundo os resultados, o GT apontou algumas questões a serem consideradas pelo Fórum: “quantos modelos de pós-graduação interessam? A avalição é plural, mas isso é reconhecido? Qual o espaço para novas temáticas (cursos)? Quais novas temáticas interessam ao campo da Saúde Coletiva? Há sinergia entre a agenda internacional da saúde e a formação ou produção de conhecimento no Brasil? Deve-se mexer nos indicadores já? Por onde começar? Quantos? Qual a direção da mudança? Qual o papel dos cursos com nota 7 (liderança ou prêmio)? Os indicadores estão afinados com o futuro da pós-graduação em Saúde Coletiva?”.

Após apresentação dos resultados pelo GT de Avaliação da Pós-Graduação, um debate foi aberto na plenária. Questões como “onde localizamos o SUS no processo de investigação dos programas e nos estudos desenvolvidos? Qual o alcance, na prática desses estudos, à sociedade, aos contextos das populações que são usuários do SUS? Onde estão as cotas para negros, indígenas nos programas de pós-graduação? Como acompanhar os egressos dos programas? Como pensar na internacionalização da produção? Que critérios de avaliação podem equilibrar as dimensões ‘produção de material didático’ e ‘produção científica’? Não é necessário pensar uma produção acadêmica diferenciada para estudantes de pós-graduação, principalmente para aqueles que não seguirão carreira acadêmica, tendo em vista os mestrados profissionais? Editores não devem ser vetados publicarem em suas publicações ou ter limitações em publicações de artigos?”.

Outras pautas do Fórum

Além da aprovação e formação de novos membros dos GTs dentro do Fórum: GT de Avaliação da Pós-Graduação, GT de Avaliação Discente e GT Solidariedade, Redes e Internacionalização, houve eleição de nova coordenadora. Maria amélia Veras deixa a coordenação do Fórum depois de três anos e cede lugar para e epidemiologista da ENPS/Fiocruz, Silvana Granado. Uma demanda destacada para a próxima reunião é a redação de um regulamento do Fórum. No contexto dos trabalhos dos GTs, o GT de Produção Técnica apresentou dados sistematizados de novos critérios de avaliação elaborados pelo Fórum para serem encaminhados à Capes.

Também estiveram presentes Leila Posenato Garcia – IPEA/PR/Brasília/DF e Elisete Duarte – SVS/MS/DF, editoras geral e executiva, que divulgaram a notícia de indexação da Revista Epidemiologia e Serviços de Saúde à Plataforma Scielo. Mais uma vitória para o campo da Saúde Coletiva em 2014.

O próximo encontro, aprovado em plenária, acontece em Recife, Pernambuco, nos dias 14 e 15 de maio de 2015.