Fórum de Coordenadores debate novas estratégias de formação em Saúde Coletiva

Novos horizontes na formação pós-graduada, que destaquem os conteúdos articulados e interdisciplinares da Saúde Coletiva e reforçem um olhar crítico para as temáticas, valorizando a perspectiva de uma formação sanitarista em diálogo com as especialidades integrantes da área. Cerca de 70 coordenadores de mais de 60 programas de pós-graduação estiveram presentes nos dois dias de reunião do Fórum de Coordenadores dos PPG de Saúde Coletiva, realizados nos dias 13 e 14 de junho, na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP/USP).

Foi uma reunião especial por ter sido a primeira reunião do ano, a primeira presencial num intervalo de quase 3 anos, devido à pandemiade Covid que assola o planeta desde 2019. Tamanho intervalo fez com que fosse a primeira reunião de muitos docentes recém-empossados na função, o que levou à preocupação da coordenação do coletivo para a construção de uma pauta integradora. A situação pandêmica levou à ausência de vários coordenadores, inclusive da coordenação do Fórum. No entanto, a tecnologia permitiu a participação à distância, o que levou a sessão a cumprir a sua agenda e o seu papel.

A mesa de abertura foi formada por José Leopoldo Antunes, diretor da unidade; Claudia Leite de Moraes, coordenadora adjunta da área junto à Capes; Rosana Onocko Campos, presidente da Abrasco; Aylene Bousquat, coordenadora do PPGSP/FSP/USP e dos coordenadores do Fórum, pelo telão.

Ressaltando sentimentos complexos pela satisfação de receber colegas docentes para a retomada das atividades presenciais, junto com a preocupação com a piora do quadro da pandemia, Leopoldo Antunes deu as boas-vindas. “Infelizmente vivemos o tempo da doença e da tristeza por tanto descaso e descontrole, frutos do desinvestimento em toda a rede de proteção social, do meio ambiente, da educação, da saúde, ciência e tecnologia, num ataque coordenado contra a rede de defesa social desse país”.

Claudia Leite destacou a resiliência que os coordenadores e os PPGs vivenciaram. “Foram 4 presidentes ao longo do quadriênio, 8 meses sem direção na Avaliação justamente no último ano de um período marcado por muitas derrotas e desfinanciamento”, disse ela, agradecendo pela força do coletivo de coordenadores, tanto na defesa do SNPG como pelo trabalho de deixar transparentes as atividades desenvolvidas em seus programas, permitindo o encerramento da avaliação quadrienal com chave de ouro, apesar de todos os problemas.

“A força do coletivo de coordenadores é a força da Saúde Coletiva e da Abrasco”, ressaltou Rosana Onocko, presidente da Associação, em sua fala. “É uma alegria ver caras conhecidas de tantas cidades do Brasil diante dos tempos loucos e difíceis que temos sidos obrigados a viver”, comentou ela, convidando todos a aproveitarem a reunião para fortalecer os laços e as bases do que motiva o fazer ciência e educação em saúde. “Quando estamos ameaçados de todos os lados, retornar ao básico e pensar o que nos fez escolher fazer ciência e trabalhar na pós-graduação nos dá sentido e sustenta o nosso esforço de tantos anos em produzir conhecimento para um país melhor. Nosso trabalho está ajudando a manter viva as novas gerações de sanitaristas. É uma alegria e um orgulho ver esse Fórum, não são todas as áreas que tem algo parecido. Este é um espaço que recria a Abrasco o tempo inteiro”, completou a presidente da Abrasco.

Por fim, Anya Vieira Meyer, Marcelo Castellanos e Nelson Filice de Barros, coordenadores do Fórum, também deram suas saudações. “Nesses dois últimos anos, ficamos atentos e alertas na luta pela defesa do SNPG. Diante da melhora do quadro vacinal, apostamos nessa reunião pois sabemos que quando estamos juntos presencialmente essa força cresce. Infelizmente, contextos familiares e pessoais não permitiram que nós três estivéssemos aí com vocês. Este é um Fórum pensado para o debate da formação, para mudar cenários e buscar melhorias para nossos programas, buscando uma reconecção desse coletivo diante da grande renovação de coordenadores. Sigamos juntos, vocês aí, nós aqui, nessa construção coletiva”, frisou Anya Vieira Meyer.

Mesas pautaram passado, presente e futuro da Pós-Graduação:

O evento seguiu sua programação com três mesas temáticas. A primeira, apresentada por Aylene Bousquat, trouxe o histórico do Fórum de Coordenadores, identificando três momentos específicos: antes da atual formação; já dentro da atual conformação, contudo organizado somente quando provocado pela coordenação de área, e a atual configuração, com coordenação e agenda próprias, em constante diálogo com a Abrasco e com os coordenadores de área.

Com o títuloNa tarde do dia 13, Naomar Almeida Filho, Guilherme Werneck e Hugo Spinellli falaram dos desafios da formação pós-graduada e das perspectivas que veem para a área. Na manhã do 14, Bernardo Horta e Mariângela Cherchiglia, coordenadores da área na Capes, falaram sobre o processo da quadrienal 2017 – 2021, que em meio a tantas reviravoltas, deverá ser ter o resultado notificado diretamente às instituições no segundo semestre.

Entre as deliberações finais, os coordenadores decidiram por apoiar as mobilizações da Frente Pela Vida e paralizar as atividades em 5 de agosto, dia nacional da Saúde, para tentar se somar ao máximo à Conferência Nacional Livre, Democrática e Popular, que será realizada em São Paulo. Deliberaram também pela realização de uma reunião com os novos coordenadores para uma apresentação dos critérios que compõem a ficha de avaliação e pelo encontro do segundo semestre no dia 18 de novembro, às vésperas do 13º Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva – Abrascão 2022.

Confira a playlist com as gravação das três mesas temáticas desta edição

Acesse as apresentações dos docentes

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