Um Fórum de anseios, diferenças e busca de um diálogo para o fortalecimento da SC e do SUS

“O Fórum somos todos nós com seus anseios, diferenças e busca de um diálogo construtivista para o fortalecimento do campo da SC e do SUS” frisou Adauto Emmerich Oliveira da Universidade Federal do Espírito Santo, um dos coordenadores do Fórum de Pós-graduação em Saúde Coletiva da Abrasco, sobre o encontro do grupo que se reuniu em 23 e 24 de novembro, no prédio histórico da Faculdade de Medicina da Bahia, construído em 1905 no lugar do antigo Colégio dos Jesuítas. A mesa de abertura contou com a presença de Guilherme Werneck – Coordenador da Área da Saúde Coletiva na Capes; Gastão Wagner – presidente da Abrasco; Darci Santos – pesquisadora do Instituto de Saúde Coletiva que estava representando o Reitor da UFBA, professor João Carlos Salles Pires da Silva; do Diretor da Faculdade de Medicina da Bahia, professor Luis Fernando Fernandes Adan; e Silvana Granado, coordenadora do Fórum.

Acesse aqui ao vídeo com toda a cerimônia de abertura do Fórum em Salvador.

Na manhã do primeiro dia houve debate sobre o ensino na Pós-graduação em Saúde Coletiva com apresentações de Naomar de Almeida Filho e Ligia Bahia sob mediação de Gastão Wagner. À tarde, foram apresentados os resultados da Avaliação Quadrienal da Capes, 2013-2016, pelo Coordenador da Área da Saúde Coletiva, Guilherme Werneck; pela coordenadora adjunta Maria Novaes ; e ainda por Eduarda Cesse, atual Coordenadora Adjunta para Mestrados Profissionais da Área da Saúde Coletiva da Capes.

Em sua participação, Gastão Wagner falou sobre a importância e o enfrentamento dos inúmeros desafios da pós-graduação em Saúde Coletiva no país, por meio da análise do contexto sociopolítico e de suas repercussões sobre os direitos sociais, no que tange a saúde, educação e ciência & tecnologia. O presidente da Abrasco, chamou atenção para o encontro de tantos coordenadores que justifica e mobiliza a Saúde Coletiva.

Assista aqui ao vídeo com a íntegra da participação de Gastão Wagner no Fórum.

Durante sua apresentação, o professor Naomar Almeida Filho apresentou a história da instituição universitária no mundo ocidental e no Brasil. O professor falou também do crescente interesse do capital financeiro em investir em fusões e aquisições de empresas educacionais como movimento para transformar o ensino superior em bens e serviços. Analisou ainda as perspectivas da universidade como instituição de conhecimento, num contexto de transformação da educação superior em espaço de negócios e mercado de valores e produtos simbólicos – “Proponho uma rápida revisão da trajetória histórica da educação universitária no mundo ocidental, a partir de textos clássicos. O filósofo e diplomata Wilhelm Von Humboldt tem sido largamente reconhecido e exaustivamente estudado como criador da universidade de pesquisa. Quero debater hoje os dilemas políticos e institucionais que desafiam a universidade brasileira no contexto atual de crises, conflitos e acomodações na nossa sociedade”, propos Naomar.

Assista aqui ao vídeo com toda a apresentação de Naomar Almeida Filho.

Em sua apresentação, Ligia falou sobre A saúde coletiva: ensino e pesquisa para reduzir desigualdades no Brasil contemporâneo. Seguindo um roteiro que começava no disclaimer, pressupostos, passando pelas “pré-hipóteses”, conjectura, interpretações sobre desigualdades no mundo contemporâneoe finalmente abordando os desafios para refletir e propor intervenções para a redução de desigualdades no Brasil. A professora sugeriu a construção de plataformas digitais comuns, pois atualmente grandes pesquisas feitas com dinheiro público não têm um espaço comum que permita acesso livre: – “Afinal, bancos de dados viraram bens de bancários”, alfinetou Ligia.

Sobre a divulgação científica na Saúde Coletiva, Ligia sugeriu que as revistas da Abrasco poderiam divulgar os trabalhos premiados nos congressos da Associação. Ainda sobre os trabalhos submetidos aos congressos da Associação, Ligia salientou a importância de permitir a submissão de trabalhos em andamento, pois permitiria melhor debate de temas, durante os encontros abrasquiano: – “Muitas vezes os trabalhos apresentados nos congressos da Abrasco são trabalhos que já foram até publicados, o que, na minha opinião, não permite um debate com o público interessado”

Ao final da apresentação, Ligia chamou atenção para o cenário político no mundo e algumas novidades como a candidata mexicana indígena María de Jesús Patricio, candidata nahua do Conselho de Governo Indígena e que tem o apoio do Exército Zapatista de Libertação Nacional, conhecida como Marichuy: – “Prestem atenção nesta candidata independente às eleições presidenciais de 2018, ela já anunciou que não usará “nenhum peso” dos recursos públicos que a autoridade eleitoral fornece aos candidatos para sua campanha”, explicou Ligia.

Em relação ao recente estudo anunciado pelo Banco Mundial Um ajuste justo: análise da eficiência e equidade do gasto público no Brasil Ligia pediu: – Leiam as 3 páginas do Relatório que fala sobre saúde (sim, só 3 páginas) lá eles dizem que precisamos ter mais médicos, mas não é disso que se trata, não é verdade? O que nós precisamos é reduzir desigualdades, e o que estamos fazendo para a redução das desigualdades? Finalizo chamando atenção para a destruição da base técnica do SUS que está acontecendo debaixo das nossas barbas: nós formamos milhares, milhares de pessoas na saúde pública que não têm nenhuma autonomia para resistir a esta destruição e esse é um problema muito sério, não só de precarização do trabalho na saúde, mas um problema de formação, um problema de cidadania, um problema dos sujeitos sociais que estamos formando”.

Acesse aqui à apresentação de Ligia Bahia, em formato PDF.

Assista aqui ao vídeo com a participação de Ligia Bahia no encontro de Salvador.

À tarde, o professor Guilherme Werneck apresentou o sistema de avaliação da Pós-graduação no Brasil, feito pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – Capes. Os resultados foram publicados em 20 de setembro: – “Os objetivos da avaliação são contribuir para a garantia da qualidade da pós-graduação brasileira; retratar a situação destas pós-graduações;  contribuir para o desenvolvimento de cada programa e área em particular e oferecer subsídios para fundamentar decisões sobre as ações de fomento dos órgãos governamentais”, introduziu Werneck.  A Avaliação analisou os projetos político-pedagógicos, a inserção social e a produção científica docente e discente de 4.175 programas de pós-graduação (PPG) distribuídos em 49 áreas de conhecimento. Na área da Saúde Coletiva, foram avaliados 87 programas, sendo 51 acadêmicos (44 em avaliação e 7 em acompanhamento) e 36 profissionais (34 em avaliação e 2 em acompanhamento). Todos pontuaram a partir da nota 3, não havendo necessidade de descredenciamento de nenhum dos PPG em atividade atualmente. As notas ficaram assim distribuídas: 35 PPG obtiveram nota 3; 29 PPG computaram nota 4, e 13 PPG a nota 5. Foram 7 PPG com nota 6, e 3 programas com nota 7. A área concentra um percentual de 26% de seus programas que oferecem cursos de doutorado com notas 6 e 7, acima do percentual médio, considerando todas as áreas de conhecimento (21%). Dos 35 PPG ranqueados na nota 3, 14 deles iniciaram seu funcionamento a partir de 2014 e não tiveram tempo suficiente para um ciclo de avaliação completo tendo, portanto, mantido a nota obtida quando de sua abertura. O gráfico abaixo traz a distribuição das notas pelos tipos de programa: com mestrado acadêmico (ME) e doutorado (DO), só doutorado, só mestrado acadêmico, e só mestrado profissional (MP).

Acesse aqui à apresentação de Guilherme Werneck, em formato PDF.

O segundo dia da reunião do Fórum abordou a translação do conhecimento científico na pesquisa em Saúde Pública, através das abordagens de Maria do Carmo Leal – professora de Epidemiologia nos cursos de pós-graduação da Escola Nacional de Saúde Pública / Fiocruz; e ainda do professor Luis Eugenio Souza, do Instituto de Saúde Coletiva da UFBA, presidente da Abrasco na gestão 2012 – 2015 e atual coordenador do Comitê de Ciência e Tecnologia da Associação.

A translação do conhecimento consiste na troca e aplicação do conhecimento com vistas a potencializar os benefícios decorrentes de inovações para fortalecer sistemas de saúde e a melhoria da saúde das populações. O conceito refere-se ao entendimento de que não basta haver conhecimento novo ou sua divulgação, sendo necessário promover sua utilização, na prática.

Em sua apresentação, o professor Luis Eugenio trouxe o conceito de inovação como formulado por Joseph Schumpeter, uma mola propulsora da economia no sistema capitalista que dispara uma complexa relação entre produção e destruição. Eugenio falou ainda da relevância do conhecimento científico para o cuidado e a gestão de saúde, dos obstáculos à sua utilização e à inovação e questionou: – Como melhorar a utilização e a inovação? “Para responder a esta questão, falarei aqui sobre a revisão de conceitos chave relativos ao uso de conhecimento e à inovação e sobre a identificação de fatores intervenientes”, introduziu Eugenio.

Acesse aqui à apresentação de Luis Eugenio Souza, em formato PDF.

Assista aqui à íntegra da apresentação de Luis Eugemio Souza, em vídeo.

A abordagem de translação da pesquisadora Maria do Carmo Leal permeou a pesquisa Nascer no Brasil, por ela coordenada e que revelou um Brasil recordista mundial em cesarianas, e os índices são ainda mais alarmantes no setor privado, com 88% dos nascimentos. Maria do Carmo mostrou os aspectos metodológicos da amostra, a criação de um algoritmo para cálculo da idade gestacional e estimação da mortalidade materna; resultados sobre a assistência pré-natal; decisão sobre a via de parto; intervenções sobre as parturientes e recém-nascidos de risco habitual; tipo de parto nas adolescentes; entre outros. Através de um panorama do parto e nascimento no Brasil para a sociedade, a pesquisadora mostrou como se deu a sensibilização de profissionais, gestores, gestantes e seus familiares para a necessidade de mudanças no atual modelo de atenção obstétrica.

Acesse aqui à apresentação de Duca Leal, em formato PDF

Assista aqui à íntegra da apresentação de Duca Leal, em vídeo.

Por fim, a plenária final aprovou dois o pesquisador Sérgio William Viana Peixoto, coordenador do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da Fiocruz Minas, para compor a coordenação do Fórum, no lugar da pesquisadora da Escola Nacional de Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz, Silvana Granado – “ É, sem dúvida, um espaço de muito aprendizado, onde temos a oportunidade de conhecer o trabalho das várias instituições que atuam na área. E é também um lugar em que se discutem os rumos da área, o sistema de ensino, a inserção no mercado e o contexto político. O fórum também tem o papel importante de dialogar com a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – Capes, propondo, por exemplo, indicadores para o sistema de avaliação”, explica Sérgio, que terá um mandato de três anos na coordenação do fórum, e que integrará o grupo formado atualmente pelo professor Adauto Emerich, da UFES, e pela professora Mônica Angelim, da UFBA.

Atualmente 78 programas compõem o Fórum da Abrasco, que reúne coordenadores dos Programas de Pós-Graduação em Saúde Coletiva do Brasil. O grupo se encontra duas vezes ao ano, o próximo encontro será em São Paulo, na segunda quinzena de maio.

Fórum de Pós-graduação divulga Carta de Brasília

O Fórum de Coordenadores de Pós-graduação em Saúde Coletiva da Abrasco esteve reunido, nos dias 8 e 9 de novembro, na Fiocruz de Brasília, para discutir quais as prioridades na avaliação de programas em Saúde Coletiva. Críticas e sugestões de mudança ao atual sistema de avaliação praticado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), foi um ponto de debate importante durante o encontro, faltando dois meses para o final do quadriênio desta avaliação. O Fórum renovou parte da coordenação, elegendo Mônica Angelim Gomes de Lima, do Programa de Pós-graduação em Saúde Ambiente e trabalho da Faculdade de Medicina da Bahia – UFBA, como nova integrante da coordenação do Fórum, juntamente com Adauto Emmerich e Silvana Granado. Diante do contexto nacional de ameaça aos direitos constitucionais, à seguridade social, à educação e ao Sistema Único de Saúde – SUS, O Fórum de posicionou publicamente através da carta de Brasília, documento que reafirma o compromisso histórico da Saúde Coletiva com a construção de uma sociedade solidária, justa e democrática.

O encontro começou com uma mesa de abertura composta pelo reitor da Universidade de Brasília (UnB), Ivan Camargo; pelo presidente da Abrasco, professor Gastão Wagner; pela diretora da Faculdade de Ciências da Saúde/FS/UnB, Maria Fátima Sousa, representando o Departamento de Saúde Coletiva da UnB, a Professora Helena Eri Shimizu; a coordenadora do Fórum de Pós-graduação da Abrasco, Aylene Bousquat; e Cleber Alves, representante dos discentes de Saúde Coletiva.

Em sua fala, Aylene chamou a atenção para o nome do campus que albergava a reunião do Fórum “Começamos hoje uma reunião do nosso fórum, diferente de todas que já vivemos, penso eu, reunidos num campus chamado Darcy Ribeiro, hoje ocupado por alguns de nossos futuros alunos de pós-graduação. Se antes estávamos preocupados com a avaliação da Capes, hoje precisamos pensar como garantir a formação com qualidade desses alunos”, alertou Aylene. A diretora Maria Fátima contou que no dia anterior a reunião do Fórum, o reitor Ivan Camargo reuniu vários diretores para debater a situação das ocupações – “Minha posição como militante do SUS, é defender incondicionalmente o Sistema Único de Saúde, e não é fácil tirar a vestimenta de diretora de faculdade, mas o que está em jogo é o SUS, um sistema cambaleante, quase 28 anos depois de tanto insistirmos e resistirmos. Esse Fórum acontece em Brasilia, e não por acaso, espero que digamos aqui, de forma firme e com convicção: nenhum direito a menos! Tenhamos coragem, o SUS não pode desmilinguir e Leleco (Eleutério Rodrigues) ficará muito feliz se não fugirmos a mais esta luta”, concluiu Fátima.

‘Precisamos ficar unidos’

O cenário político nacional e a Saúde Coletiva era o tema da participação do professor Gastão Wagner de Souza Campos durante a reunião do Fórum, e o presidente da Abrasco abordou assunto desde sua intervenção na abertura do encontro – “Num momento de crise: econômica, moral, social e política, é muito bom que nós, da Saúde Coletiva, não sejamos pegos de calças curtas, e um exemplo disso é esta reunião aqui em Brasília. O Fórum e sua iniciativa de auto gestão, sempre teve um papel fundamental na política, na ciência, no movimento da saúde, dos sanitaristas. Sempre mantivemos algum grau de legitimidade e, mesmo examinando nossas falhas organizacionais, temos um compromisso com a sociedade pois nossa produção tem componente científico e técnico e ainda ético com a sociedade. Além de falarmos deste fim de quadriênio, vamos ter que discutir como devemos se posicionar e atuar, quais as táticas e os riscos que vamos correr. Qual o nosso projeto político? Nós, pesquisadores, temos que enfrentar a hegemonia do discurso conservador. Nós, servidores públicos, somos agora o bode expiatório de todos os problemas, temos que enfrentar isso. O Fórum é uma das nossas fortalezas, tenho muitas dúvidas e só uma certeza: precisamos ficar unidos”, arrematou Gastão, na mesa de abertura.

O presidente da Abrasco abordou ainda a dificuldade de fazer uma gestão efetiva no país – “É nesse contexto que a Abrasco vem trabalhando, existe ainda uma forma de fazer política e de fazer gestão pública que herdamos da ditadura. E temos ainda uma degradação: os movimentos de esquerda, sociais, se afastaram muito da discussão ideológica, da disputa de narrativa com os setores liberais e neo liberais que o fazem. Hoje, o fantasma do século agora é o mercado garantindo a racionalidade do social, é a disputa pelo orçamento público que volta como capital. Nos últimos 30 anos vivemos o aumento dos salários concomitantemente com a concentração da riqueza entre os mais ricos, os empresários que leram Antonio Gramsci trataram de produzir os intelectuais orgânicos. Hoje, quando privatizamos, trazemos do mercado a lógica da meritocracia e é nesse contexto que estamos, remando contra a maré. No Brasil, desenvolvimento é investir no acesso a carros e linha branca, e não em saneamento e reforma urbana. Então chega a PEC 241 que propõe uma dureza concentrada na área social: e isso vai reduzir a capacidade de atendimento do SUS, e reduzir é desassistência, é doença, é morte.  A Abrasco, nesse contexto, já um movimento social de novo tipo, nos unificamos em algumas diretrizes, não temos uma central. E caminhamos juntos mesmo com grandes diferenças, enfrentando o dilema da autonomia em relação aos governos, que não significa desfazer da política, mas pressionar os políticos. A construção da nossa política de Saúde Coletiva deixou uma marca de um SUS reflexivo, e precisamos ser capazes de interagir com a sociedade mostrando a capacidade do SUS”.

Gastão chamou a atenção para a ‘despresidencialização’ na Abrasco, convidando os participantes do Fórum  a fortalecerem Comissões, Comitês e GTs da Abrasco – “Apesar das dificuldades, temos que ter muita tolerância e uma maior capacidade de escutar, renegociar, compor: sair do narcisismo das pequenas diferenças. Hoje, 70% dos participantes dos nossos congressos são jovens, tenho visto um fortalecimento na participação dos graduandos em Saúde Coletiva que estão construído um grupo muito lindo e muito crítico. Eles estão fazendo um esforço muito grande para fazer aquilo que vocês, aqui no Fórum de Pós, fizeram, consolidando um Fórum de Graduação, criando uma secretaria executiva, identificando um representante de cada região do país, com fortes ligações ao SUS e às universidades públicas, enfim, é o nosso futuro, e a Abrasco depende disso”, disse Gastão.

Carta de Brasília

Durante os dois dias de reunião, cerca de 55 coordenadores de programas de pós-graduação em Saúde Coletiva que estiveram reunidos em Brasília, aprovaram uma Carta onde se posicionam contra as mais recentes propostas de redução ou congelamento de recursos públicos para as áreas sociais.

Confira a Carta de Brasília na íntegra:

Nós, professores e pesquisadores do ensino superior brasileiro e de instituições de pesquisa, coordenadores dos Programas de Pós-graduação em Saúde Coletiva, diante do contexto nacional de ameaça aos direitos constitucionais, à seguridade social, à educação e ao Sistema Único de Saúde – SUS, nos posicionarmos publicamente através desta Carta. Nossa área, a Saúde Coletiva, nasce nos anos 70 num contexto de intensas e marcantes desigualdades sociais e territoriais, com extrema concentração de renda e indicadores sociais e de saúde catastróficos. Frente a este contexto construímos nossa base teórica, política e ética comprometidos com a construção de uma sociedade solidaria, justa e democrática. Apostamos na construção de políticas públicas inclusivas e garantidoras de direitos sociais e universais, como fundamento da cidadania. O SUS é, sem dúvida, a expressão dessas propostas para a saúde. Somos parte integrante deste processo e responsáveis pela formação de milhares de mestres e doutores, que atuarão em serviços de saúde, ensino, na gestão governamental, na produção de pesquisa e tecnologia, entre outros. Nossa responsabilidade é tamanha, pois entendemos que uma formação crítica é base para a constituição de profissionais e pesquisadores, que não se furtem a refletir criticamente sobre o mundo em que se vive e o mundo que se pretende construir. A proposta de redução ou congelamento de recursos públicos para as áreas sociais é inadmissível, os impactos serão sofridos pela população, especialmente pelos grupos mais vulneráveis. Toda a trajetória de conquistas dos últimos 30 anos está em jogo, não podemos nos furtar a esse debate. Reafirmamos a importância de ampliarmos essa discussão no âmbito de nossas instituições e da sociedade. Como integrantes da Associação Brasileira de Saúde Coletiva – Abrasco, assumimos a luta pela garantia dos Direitos Constitucionais, a luta pelo direito à Saúde, pelo SUS, pela Seguridade, pela Educação e todo o conjunto de políticas sociais. Reafirmamos o compromisso histórico da Saúde Coletiva com a construção de uma sociedade solidaria, justa e democrática. Nenhum direito a menos! Brasília, reunião do Fórum de Pós-graduação, realizada nos dias 8 e 9 de novembro de 2016

Ainda durante a manhã, a professora Rita de Cássia Barradas Barata falou sobre a Avaliação Quadrienal da Pós-Graduação Brasileira (acesse aqui a íntegra da apresentação, em versão PDF). No segundo dia da reunião, Eduarda Cesse apresentou comunicação intitulada ‘Desafios e propostas para Qualis Técnico/Tecnológico na Saúde Coletiva. Avaliação Quadrienal 2017 (Acesse aqui a íntegra desta apresentação, em versão PDF). Foram formados ainda alguns grupos para as discussões específicas sobre a Plataforma sucupira, as proposta dos Programas Acadêmicos 3 e 4 e ainda dos Programas Acadêmicos 5,6 e 7 e Mestrados Profissionais. Durante a reunião do Brasília houve a escolha para o novo integrante na coordenação do Fórum: Mônica Angelim Gomes de Lima foi escolhida para coordenar o Fórum juntamente com Adauto Emerich e Silvana Granado. Aylene Bousquat deixa a coordenação do Fórum depois de três anos e cede lugar para a pesquisadora do Programa de Pós-graduação em Saúde Ambiente e trabalho da Faculdade de Medicina da Bahia – UFBA. Ficou definida ainda a data da próxima reunião do Fórum: 24 e 25 de maio, na Universidade Estadual de Campinas – Unicamp.

Programação da reunião do Fórum de Coordenadores de Pós-Graduação em Saúde Coletiva em Recife

07/05/2015 | Por Flaviano Quaresma 

Nos dias 14 e 15 de maio, o Fórum de Coordenadores de Pós-Graduação em Saúde Coletiva se reúne na Fiocruz Aggeu Magalhães, em Recife.

Confira a pauta da reunião:

1º DIA: 14/05 –  Manhã   9h

Abertura dos trabalhos:

Prof. Dr.  Sinval Pinto Brandão Filho – Diretor do Centro de Pesquisas Aggeu Magalhães (CPqAM/ Fiocruz Pernambuco)

Prof. Dr. Antonio da Cruz Golveia Mendes – Coordenador da Pós Graduação em Saúde Coletiva do CPqAM

Prof. Dr. Guilherme Werneck – Representante da Área de Saúde Coletiva na CAPES

Profa. Dra. Aylene Bousquat (Coordenadora do Fórum Nacional de PGSC)

Prof. Dr. Luis Eugenio Portela (Presidente da Abrasco)

Moderadora Manhã: Profa. Dra Aylene Bousquat (Coordenadora do Fórum Nacional de PGSC)

09:30h -10:00 – Informes

•Informes Abrasco

•Informes Capes

•Indicação de relatores e apresentação dos participantes presentes

10:30-10:45 – Intervalo

10:45- 12:30 – Proposta de regimento do Fórum

12:30-14:00 – Intervalo para almoço

Moderadora Tarde: Profa. Dra Silvana Granado (Coordenadora do Fórum Nacional de PGSC);

14:00-15:00: Desigualdades Regionais na Pós-Graduação em Saúde Coletiva: que Brasil queremos construir.

15:00 -17:30- Desdobramentos GT Avaliação (informes e debate)

2º DIA: 15 /05   9:00 -10:00:

– Desdobramentos GT Avaliação discente (informes e debate)

10:00- 11:00 – Desdobramentos GT Técnico (informes e debate)

11:00-11:15: Intervalo

11:15-12:15: Definição das prioridades no Trabalho do Fórum no próximo semestre

12:15-13:00 Definição sobre data e local da próxima reunião e encaminhamentos finais

13:30 – Almoço e despedidas

Fórum encaminha sugestões à Capes para melhorias da Plataforma Sucupira

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Reunidos em Porto Seguro, os coordenadores de Pós-Graduação em Saúde Coletiva assistiram a apresentação do professor Sergio B. Andreoli (de pé, ao fundo), coordenador do programa de Pós-Graduação da Universidade Católica de Santos, que sistematizou o funcionamento da Plataforma Sucupira

Como deliberado na última reunião, realizada entre 5 e 6 de maio de 2014, em Porto Seguro, o Fórum de Coordenadores de Pós-Graduação em Saúde Coletiva encaminhou em 10 de junho um documento síntese com sugestões de melhorias e ajustes na Plataforma Sucupira, atual sistema de registro acadêmico dos Programas de Pós-Graduação que compõem o Sistema Nacional de Pós-Graduação (SNPG). O documento foi construído coletivamente, fruto dos debates realizados em Porto Seguro e de diversos apontamentos encaminhados por e-mail à coordenação do colegiado.

Na carta de apresentação, foi frisado que, apesar da plataforma contar, de modo geral, com a simpatia da comunidade acadêmica, foram relatados diversos problemas operacionais que precisam ser resolvidos, no sentido de assegurar que a mesma possa ser incorporada no cotidiano dos programas com o conjunto das funcionalidades previstas. O principal problema avaliado pelos Coordenadores reside na disponibilização automática dos dados, antes do crivo institucional que assegure a fidedignidade das informações veiculadas. “Há consenso entre os coordenadores sobre a importância da transparência das informações relativas à Pós-Graduação Brasileira. No entanto, o acesso a dados incorretos ou imprecisos compromete sobremaneira o objetivo de democratizar o acesso a estas”, ressalta a carta. No documento, já disponível na Biblioteca do Fórum, traz outras sugestões, como as dificuldades na importação da produção intelectual dos Currículos Lattes, e a apresentação final dos relatórios consolidados.

Prontamente após o envio do documento, o professor Lívio Amaral, Diretor de Avaliação da Capes, retornou o plataforma-sucupira-forum_contato com agradecimentos à participação da comunidade acadêmica da Saúde Coletiva na construção da Plataforma Sucupira. Ele destaca que diversos pontos levantados pelos coordenadores dos programas já estão sendo trabalhados e alguns já resolvidos, como a devida inclusão de coautores internacionais em artigos. Afirma ainda que espera em muito pouco tempo que as demandas possam estar resolvidas na plataforma.

O Fórum agradece a pronta disposição e boa recepção da Agência em receber as contribuições da comunidade acadêmica da Saúde Coletiva e continua à disposição para colaborar com a transparência e a qualidade das informações produzidas nos programas de Pós-Graduação parceiros.

Capes lança Prêmio Tese 2014 e Grande Prêmio Oswaldo Cruz

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A epidemiologista Maria Clara Restrepo Méndez, da pós-graduação da UFPel, foi a vencedora do prêmio Capes de Teses em Saúde Pública do ano passado / Foto Reprodução Internet

As melhores pesquisas de doutorado na área da Saúde Pública têm uma oportunidade a mais de reconhecimento. Já estão abertas as inscrições para o Prêmio Capes de Teses 2014, organizado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Nível Superior (Capes).

O concurso começa dentro dos programas de pós-graduação, que devem instituir uma comissão de avaliação e selecionar a melhor tese defendida na instituição no ano passado. É necessário que o programa tenha tido, no mínimo, três teses de doutorado defendidas em 2013 e que o estudo tenha sido apresentado em território nacional. O coordenador do programa tem até o dia 26 de junho para fazer a indicação na plataforma eletrônica do concurso, apresentando a documentação necessária e a autorização do autor da tese concorrente.

Encerrado período de análise técnica, a Coordenação de área da Capes instituirá uma comissão julgadora, que poderá conceder, além da premiação, duas menções honrosas. O vencedor recebe uma bolsa para realização de estágio pós-doutoral em instituição nacional pelo prazo de três anos, ou em instituição internacional pelo prazo de um ano, além de certificado, medalha e custeio para participar da cerimônia de premiação. A comissão tem até 5 de setembro para apresentar seu parecer e a Capes até 25 de setembro para publicar o resultado no Diário Oficial da União.

No ano passado, a tese vencedora em Saúde Pública foi “Maternidade na Adolescência: Efeitos em curto e longo prazo sobre a saúde e o capital humano dos filhos Coortes de Nascimentos de Pelotas, RS – 1982, 1993 e 2004”, desenvolvida pela pesquisadora Maria Clara Restrepo Méndez, do programa de Pós-Graduação em Epidemiologia do Centro Internacional de Equidade em Saúde da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), sob orientação do professor Cesar Victora. Ao todo, 645 teses participaram do certame, inscritas por 80 instituições. Destas, 48 foram premiadas e 88 receberam menções honrosas. A premiação foi instituída em 2005.

Grande Prêmio: As teses ganhadoras que fazem parte da grande área das Ciências Biológicas; Ciências da Saúde e Ciências Agrárias estarão habilitadas a disputar o Grande Prêmio Capes de Tese Oswaldo Gonçalvez Cruz. Os autores terão até 10 de outubro para encaminhar à Agência uma vídeo-aula sobre o tema do estudo destinada a estudantes de nível médio.

A Comissão julgadora do Grande Prêmio Capes de Tese Oswaldo Gonçalvez Cruz será composta pelo presidente da Agência e alguns dos coordenadores de área. O agraciado ganhará, além das medalhas, certificados e custeio de viagem, prêmio de U$ 15 mil, concedido pela Fundação Conrado Wessel, e bolsa de pós-doutorado para desenvolvimento de pesquisa instituição nacional por cinco anos, ou em instituição internacional pelo prazo de um ano. Há também os grandes prêmios Capes de Tese Mário Schenberg, dedicado às Engenharias, Ciências Exatas e da Terra e Multidisciplinares ligadas às temáticas de materiais e de biotecnologia; e  Capes de Tese Sérgio Buarque de Holanda”; voltado para as Ciências Humanas, Lingüística, Letras e Artes, Ciências Sociais Aplicadas e Multidisciplinares em Ensino. A divulgação dos grandes vencedores será feita até 21 de novembro e a cerimônia de premiação acontecerá em Brasília, no dia 10 de dezembro. Tanto para os Prêmios quanto para os Grandes Prmêmios, os orientadores responsáveis pelas teses são agraciados, com os empenhos de R$ 3 mil e de R$ 6 mil para participação em congressos da área. Confira os detalhes no edital.