Comissão Científica do Epivix define metodologia para avaliação de trabalhos


10 de fevereiro de 2014 - Por Bruno C. Dias


Representar o melhor da atual produção do conhecimento epidemiológico desenvolvido nas universidades e nos centros de pesquisa nacionais é um dos objetivos do IX Congresso Brasileiro de Epidemiologia - Epivix, que será realizado de 07 a 10 de setembro, em Vitória. Para isso, é necessário rigor aos conceitos e uma apurada avaliação entre pares. Nessa hora, entra a Comissão Científica do Congresso, que está formando os comitês de avaliadores e já definiu sua metodologia de trabalho, como diz em entrevista a professora Ethel Leonor Noia Maciel, presidente da Comissão Científica e do Epivix. "Primeiramente, os trabalhos serão avaliados por dois pesquisadores independentes e, se houver uma diferença superior a três pontos, haverá um terceiro avaliador" explicou Ethel.

Outras novidades do evento são a atenção especial aos jovens pesquisadores, que terão uma modalidade exclusiva para publicação de artigos científicos, e uma programação que permite caminhos para o aprofundamento e/ou a abertura de novas questões teóricas. Ethel Maciel, que além de presidente do Epivix também é vice-reitora da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), destaca a importância do Congresso para a cidade, que sedia pela primeira vez um evento da Abrasco. "A cidade estará comemorando seus 463 anos e diante de tantos eventos em tempos de aniversário, a dica é organizar um tempo também para apreciar alguns dos presentes que a Ilha nos dá". Confira a entrevista.

Abrasco: Quais são as perspectivas e desafios que o tema As fronteiras da epidemiologia contemporânea: do conhecimento científico à ação traz para o evento?

Ethel Maciel: A perspectiva é do diálogo entre o que é produzido nos diversos lugares onde o conhecimento epidemiológico é gerado, sejam em universidades, institutos de pesquisa e serviços de saúde e os formuladores de políticas - aqueles que efetivamente são responsáveis por fazer as mudanças e achados científicos modificarem e melhorarem a vida das pessoas e dos grupos humanos. Os desafios são enormes, há conhecimento sendo gerado que não consegue impactar a saúde dos grupos humanos e, por outro lado, há diversas práticas e políticas propostas pelos formuladores que não encontram uma fundamentação científica. Enfim, temos muitos desafios, mas eu e os demais membros das comissões científicas e organizadora acreditamos que temos um momento histórico oportuno para a melhor construção desse diálogo.

 

Abrasco: O tema do evento está ampliado em cinco eixos, que destacam a construção do conhecimento (abordagens teóricas e avanços metodológicos), as interfaces da área com outros campos da Saúde Coletiva e o perfil epidemiológico brasileiro. Como essas dimensões se encontrarão no congresso?

Ethel Maciel:
Dividimos os eixos em grandes conferências, mesas-redondas e painéis que abordarão aspectos importantes de cada um deles. Além disso, estamos nos concentrando em oferecer ao congressista a oportunidade de conhecer ou se aprofundar nas inovações recentes das abordagens teóricas e metodológicas. Esperamos assim, ter uma programação intensa, atual e interessante para o participante do nosso congresso.

Abrasco: A logo do evento traz um marco turístico da cidade de Vitória e evidencia também aspectos humanos. Como esses elementos se articulam com a proposta do congresso?

Ethel Maciel:
Escolhemos, dentre as belezas do nosso estado, um marco contemporâneo que é a terceira ponte de Vitória. Além dos desafios arquitetônicos que houveram em sua construção, para os capixabas ela representa o menor caminho entre a capital e Vila Velha, a primeira cidade do Espírito Santo. A representação simbólica da ligação entre dois lugares/mundos foi o que buscamos com essa logo. Por ela transitam diariamente milhares de pessoas, cada uma carregando sua própria história e dividindo ao mesmo tempo uma história em comum de viver em uma cidade e trabalhar ou estudar em outra. Ela representa bem os desafios que temos de percorrer para construir o elemento de ligação entre os resultados de pesquisas epidemiológicas e a efetiva melhoria dada pela implementação desses resultados na vida das pessoas.

Abrasco: Quais serão os critérios de avaliação dos trabalhos?

Ethel Maciel:
A comissão científica está trabalhando para que os resumos escolhidos sejam qualificados epidemiologicamente. Primeiramente, os trabalhos serão avaliados por dois pesquisadores independentes, que não terão acesso aos nomes dos autores. Se houver uma diferença superior a três pontos entre eles haverá um terceiro avaliador. Após esse trabalho inicial, a comissão científica será responsável por escolher entre os trabalhos com pontuação máxima aqueles que irão ser apresentados oralmente. Nesse congresso de epidemiologia iremos também pela primeira vez fazer uma avaliação diferenciada em relação aos jovens epidemiologistas. Estudantes de graduação, mestrado e doutorado que forem primeiro autor devem se inscrever em uma categoria diferenciada - ABRASCO jovem - que possibilitará publicação de artigo científico na revista Epidemiologia e Serviços de Saúde, do Ministério da Saúde (clique aqui e veja outras informações).

Abrasco: Qual é a importância de pesquisadores e estudantes apresentarem seus estudos, levantamentos e trabalhos no congresso?

Ethel Maciel
: A importância é enorme, pois teremos a oportunidade de conhecer o que está sendo produzido em nosso país e proporcionar, através de sessões conjuntas, o intercâmbio entre pesquisadores que estão trabalhando com a mesma temática. Então, além do espaço para divulgação da produção científica, há a possibilidade do encontro entre diversos grupos de pesquisa.

Abrasco: Há mais algum aspecto a ser destacado?

Ethel Maciel:
É a primeira vez que a cidade de Vitória recebe um congresso da Abrasco. Estamos muito felizes em receber os colegas epidemiologistas e estamos construindo uma programação científica e cultural com vista a termos um excelente congresso. Convido a tod@s a virem a Vitória no feriado de 07 de setembro, momento também que a cidade comemora seus 463 anos, no dia seguinte. Diante de tantos eventos em tempos de aniversário, a dica é organizar um tempo também para apreciar alguns dos presentes que a Ilha nos dá. Sejam tod@s bem-vindos ao IX Congresso Brasileiro de Epidemiologia.