REVISTA CIÊNCIA & SAÚDE COLETIVAA
Neste mês de maio o tema é Vigilância em Saúde: experiências e perspectivas
Leia aqui a matéria completa.
ABRASCO encaminha Agenda da Nutrição no SUS ao Ministro da Saúde
A ABRASCO encaminhou ao Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, no dia 24 de janeiro, a "Agenda da Nutrição no SUS para o período 2011-2014. O documento, elaborado pelo Grupo de Trabalho Alimentação e Nutrição em Saúde Coletiva (GT-ANSC) da Associação, tem como objetivo fortalecer o processo de implementação da Política Nacional de Alimentação e Nutrição, integrante da Política Nacional de Saúde. Neste sentido, o GT-ANSC assumiu, como uma de suas atribuições, promover a interlocução e integração entre os atores sociais governamentais e não governamentais, de forma transversal e intersetorial. Confira o documento na íntegra clicando aqui.
Vacinas, imunização: passado e futuro
O número temático de fevereiro da Revista Ciência & Saúde Coletiva tem como tema Vacinas, imunização: passado e futuro, e trata do impacto das vacinas e processos de imunização na saúde pública mundial e brasileira, e faz parte da comemoração pela OMS dos 30 anos de erradicação da varíola. Nele se analisam o papel da Organização Mundial da Saúde e o protagonismo de governos nacionais e de agências de cooperação e como esse êxito estimulou uma série de iniciativas e ambiciosas metas de erradicação de doenças a partir dos anos de 1970. Programas Nacionais de Imunizações no Brasil e em outros países, o Programa Ampliado de Imunização da OMS e a meta de erradicação global da poliomielite foram algumas dessas ações mais imediatas pós-varíola. Seu passado, presente e futuro estão sob escrutínio da história e de historiadores em artigos publicados neste número de Ciência & Saúde Coletiva. A análise histórica que reúne pesquisadores de várias partes do mundo tenta abrir as “caixas pretas” dos sucessos da saúde pública nacional e global, ao desvelar as tramas sociais e culturais envolvidas no processo. Nesse sentido, a contribuição da história para a saúde pública é o seu fundamental sentido de temporalidade, espacialidade, contingência e complexidade. Pensar o futuro da imunização é necessariamente refletir sobre sua história, como dizem os editores convidados desse número temático, Gilberto Hochman e Sanjoy Bhattacharya. A seguir apresenta-se toda a estrutura deste número que já está à disposição dos leitores no modo impresso e online (na página da revista, no Scielo e em todas as bases em que ela está indexada). Veja o sumário da revista:
Vacinação, varíola e uma cultura da imunização no Brasil - Gilberto Hochman;
Sobre a varíola e as práticas da vacinação em Minas Gerais (Brasil) no século XIX - Anny Jackeline Torres Silveira; Rita de Cássia Marques;
Another vaccine, another story: BCG vaccination against tuberculosis in India, 1948 to 1960 - Niels Brimnes;
Marcados en la piel: vacunación y viruela en Argentina (1870-1910) - Maria Silvia Di Liscia;
A varíola em São Paulo (SP, Brasil): histórico das internações no Instituto de Infectologia Emílio Ribas entre 1898 e 1970 - Ana Freitas Ribeiro; Francisco Vanin Pascalicchio; Pedro Antonio Vieira da Silva (in memoriam); Paula Araujo Opromolla;
Smallpox and polio eradication in India: comparative histories and lessons for contemporary policy - Sanjoy Bhattacharya; Rajib Dasgupta;
Atualização em vacinas, imunizações e inovação tecnológica - Akira Homma; Reinaldo de Menezes Martins; Maria da Luz Fernandes Leal; Marcos da Silva Freire; Artur Roberto Couto;
Estrategias, actores, promesas y temores en las campañas de vacunación antivariolosa en México: del Porfiriato a la Posrevolución (1880-1940) - Claudia Agostoni;
The discontinuation of routine smallpox vaccination in the United States, 1960-1976: an unlikely affirmation of biomedical hegemony - Miriam Rich;
Varíola e vacina no Brasil no século XX: institucionalização da educação sanitária - Tania Maria Dias Fernandes; Daiana Crús Chagas; Érica Mello de Souza;
“A wild and wondrous ride”: CDC field epidemiologists in the East Pakistan smallpox and cholera epidemics of 1958 - Paul Greenough;
As campanhas de vacinação contra a poliomielite no Brasil (1960-1990) - Dilene Raimundo do Nascimento;
Aspectos relacionados à administração e conservação de vacinas em centros de saúde no Nordeste do Brasil - Geisy Lanne Muniz Luna; Luiza Jane Eyre de Souza Vieira; Priscilla Freire de Souza; Samira Valentim Gama Lira; Deborah Pedrosa Moreira; Aline de Souza Pereira;
Atraso vacinal e seus determinantes: um estudo em localidade atendida pela Estratégia Saúde da Família - Gisele Cristina Tertuliano; Airton Tetelbom Stein;
Eventos adversos pós-vacinais no município de Campo Grande (MS, Brasil) - Sabrina Piacentini; Luciana Contrera-Moreno;
Motivos de abandono do tratamento antirrábico humano pós-exposição em Porto Alegre (RS, Brasil) - in Porto Alegre (RS, Brazil) - Rejane Dias Veloso; Denise Rangel Ganzo de Castro Aerts; Liane Oliveira Fetzer; Celso Bittencourt dos Anjos; José Carlos Sangiovanni;
Inquérito vacinal de alunos da graduação em medicina e enfermagem da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (SP, Brasil) nos anos de 2006 e 2007 e suas possíveis implicações na atuação discente - Eliana Márcia Sotello Cabrera; Carolina Elisabete da Silva Merege;
Enfermagem e atenção à saúde do trabalhador: a experiência da ação de imunização na Fiocruz/Manguinhos - Paula Raquel dos Santos; Nathalia Henrique Noronha; Ubirajara Aluizio de Oliveira Mattos; Delson da Silva;
A rotavirose e a vacina oral de rotavírus humano no cenário brasileiro: revisão integrativa da literatura - Pétala Tuani Candido de Oliveira Salvador; Taciana Jacinto de Almeida; Kisna Yasmin Andrade Alves; Cilene Nunes Dantas;
Global status of DDT and its alternatives for use in vector control to prevent disease - Henk van den Berg;
Small(pox) success? - Anne-Emanuelle Birn;
Estudo da subnotificação dos casos de Aids em Alagoas (Brasil), 1999-2005 - Juliana Rique; Maria Dolores Paes da Silva;
Levantamento dos hábitos de vida e fatores associados à ocorrência de câncer de tabagistas do município de Sidrolândia (MS, Brasil) - Renata Cristina Losano Feitosa; Elenir Rose Jardim Cury Pontes;
Condições socioeconômicas e câncer de cabeça e pescoço: uma revisão sistemática de literatura - Antonio Fernando Boing; José Leopoldo Ferreira Antunes;
Avaliação da implantação da atenção à hipertensão arterial pelas equipes de Saúde da Família do município do Recife (PE, Brasil) - Juliana Martins Barbosa da Silva Costa; Maria Rejane Ferreira da Silva; Eduardo Freese de Carvalho;
Três anos de acidentes do trabalho em uma metalúrgica: caminhos para seu entendimento - Cláudia Giglio de Oliveira Gonçalves; Adriano Dias;
Impactos socioeconômicos de uma doença emergente - Márcia Grisotti; Fernando Dias de Ávila-Pires;
Salmonella sp e Listeria monocytogenes em presunto suíno comercializado em supermercados de Fortaleza (CE, Brasil): fator de risco para a saúde pública - Ana Elizabeth Cavalcante Fai; Evânia Altina Teixeira de Figueiredo; Sylvia Elisa Frizzo Verdin; Neuma Maria de Souza Pinheiro; Anna Rafaela Cavalcante Braga; Tânia Lúcia Montenegro Stamford;
Síndrome metabólica e baixa estatura em adultos da região metropolitana de São Paulo (SP, Brasil) - Elaine Cristina Silva; Ignez Salas Martins; Eutália Aparecida Cândido de Araújo;
Operacionalização do conceito de vulnerabilidade à tuberculose em alunos universitários - Alba Idaly Muñoz Sánchez; Maria Rita Bertolozzi;
Moléstia de Chagas e ecologia profunda: a “luta antivetorial” em questão - Rodrigo Siqueira-Batista; Andréia Patrícia Gomes; Giselle Rôças; Rosângela Minardi Mitre Cotta; Eduardo Cárdenas Nogueira Rubião; Alcides Pissinatti;
Aplicação da audiometria troncoencefálica na detecção de perdas auditivas retrococleares em trabalhadores de manutenção hospitalar expostos a ruído - Victor Luiz da Silveira; Volney de Magalhães Câmara; Cláudia Maria Valete Rosalino;
Resenha: sobre o livro: The golbal eradication of smallpox de Bhattacharya S, Messenger S (ed) - Claudia Bonan.
O financiamento é o nó crÃtico do SUS
O financiamento é o nó crítico do SUS que precisa ser solucionado de forma estável e a longo prazo", é o que afirma o presidente da ABRASCO e professor associado do Departamento de Medicina Social do Programa de Pós-Graduação em Epidemiologia da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Luiz Augusto Facchini, em entrevista ao Informe ENSP. O sanitarista fala da importância de se resgatar a participação social e o controle social no SUS, de que forma está acontecendo a chamada ´retomada do Movimento Sanitário´ e considera positivo o esforço de usuários, trabalhadores e prestadores de serviços em apoiar o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, como novo presidente do Conselho Nacional de Saúde (CNS). ABRASCO participa da 218ª Reunião Ordinária do Conselho Nacional de Saúde

Lígia Bahia é a representante titular da ABRASCO no CNS
Lígia Bahia e Luis Eugênio Portela Fernandes de Sousa, vice-presidentes da ABRASCO, estão participando da 218ª Reunião Ordinária do Conselho Nacional de Saúde (CNS), em Brasília (veja a pauta). No final da manhã de ontem, 16 de fevereiro, o Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, submeteu seu nome às considerações do Conselho como candidato à presidência do CNS. O Ministro explicou que, caso fosse eleito, tinha como proposta aproximar o gestor do Conselho, buscando o fortalecimento do CNS. Afirmando que é necessário reconstruir a aliança entre a sociedade e o SUS, Padilha enfatizou que sua candidatura não significou "em nenhum momento, uma crítica ou que um trabalhador ou usuário não possa ser Presidente do Conselho". Confirmado como candidato único, Alexandre Padilha foi eleito por aclamação novo presidente do CNS no final da tarde.

O Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, faz seu primeiro pronunciamento como presidente do CNS
Em seu primeiro pronunciamento Padilha afirmou que “o principal, como presidente do CNS, é estabelecer consenso e apresentar os temas discutidos dentro do colegiado aos usuários do SUS para uma maior aproximação com a sociedade”. Segundo ele, o tema prioritário será o acesso à rede pública de saúde – assunto colocado como uma “obsessão” da sua gestão no Ministério da Saúde. Padilha apontou ainda como temas para serem discutidos no Conselho, o fortalecimento do controle social, a construção de um documento orientador para a 14ª Conferência Nacional de Saúde e o programa Saúde Não Tem Preço – que, em janeiro, determinou a oferta gratuita de medicamentos para hipertensão e diabetes no Programa Farmácia Popular do Brasil.
Fonte: Ministério da Saúde
Cérebro Mente: Conheça o quarto romance escrito por Gastão Wagner

O médico sanitarista Gastão Wagner de Sousa Campos, Conselheiro da ABRASCO e professor do Departamento de Medicina Preventiva e Social da Faculdade de Ciências Médica da Unicamp, brinca em seu quarto livro com estudiosos que se dividem em dois grupos: os que atribuem o comportamento humano a funções biológicas, à constituição e ao funcionamento de cada cérebro, e os que consideram esse comportamento oriundo da mente, que resulta da interação do indivíduo com o ambiente. Ao utilizar no título um jogo de palavras, “Cérebro/mente” (lançado em 2006, o livro inicialmente se chamaria “Torre de Babel”), o autor traz à tona uma das grandes contradições da pós-modernidade: o excesso de informações. “Elas mais confundem do que esclarecem”, diz.
“Eu vinha comentando com o escritor e médico Moacyr Scliar, que também atua na área de saúde pública, minha intenção de explorar num romance alguns paradoxos da tragédia contemporânea. Um deles é este excesso de informações nas publicações, na Internet e na mídia em geral. Essa profusão dificulta a seleção e não conduz, necessariamente, ao conhecimento”, explica Wagner. Ao mesmo tempo, o autor considera a questão muito ligada à área da medicina, da psiquiatria, envolvendo uma polêmica antiga sobre cérebro e mente: “O nosso comportamento é determinado pela genética ou resulta das relações familiares e sociais? Resolvi montar uma história em torno disso. A ilustração da capa, que mostra um grupo familiar envolvido pelo cérebro, já sugere essa dicotomia”, observa. O livro conta a história do neurologista e professor Lógicus da Silva e do seu meio-irmão René de Toledo e Camargo, nomes que remetem ao positivismo. Cientista renomado, Lógicus acredita ter descoberto o “fator frontal” – particular conformação cerebral que dota seus portadores de grande capacidade empreendedora e de previsão do futuro. Para estudar o comportamento desses portadores, o médico constrói um projeto que promove a interdisciplinaridade ao nível máximo. O meio-irmão, por sua vez, aplica a descoberta do “fator frontal” à administração de empresas e cria o método de “reengenharia emocional”, com a pretensão de utilizar fundamentos neurocientíficos na gestão de pessoal.
As peripécias acontecem no Instituto de Neurociência (INC), hospital-laboratório de uma universidade. A vida acadêmica serve de pano de fundo. “No meio de tudo isso, um detetive perplexo, Vigil Dedalus, tenta esclarecer uma morte misteriosa. Mas o acúmulo de informações, o efeito ‘torre de Babel’, embaralha as investigações. O mesmo efeito tolhe a pesquisa cientifica. Além disso, como o cérebro mente e faz trapaça, policiais e cientistas vêem-se desnorteados”, conta Gastão Wagner.
O autor explica que quis usar a literatura para expor os dilemas da ciência contemporânea, entre os quais o fato de se atribuir à genética o lenitivo para muitos dos males. Daí a brincadeira do título: cérebro/mente. “Preocupam-se com a mente os que valorizam o social, o subjetivo. O cérebro é mais valorizado pelos geneticistas, médicos, positivistas. A determinação genética existe, mas não de forma absoluta. A “torre de Babel” pós-moderna é virtual, as informações são acumuladas em arquivos eletrônicos e, no romance, os personagens não sabem o que fazer com o volume de informações. Eles acabam enganados por seus cérebros, mas isso já faz parte do suspense...”, interrompe o médico.
Humor
Gastão Wagner recorre a preceitos da filosofia clássica (Sêneca, por exemplo, é um dos autores mencionados) para alertar “que se deve aprender a procurar, selecionar, focar e analisar as informações com objetividade. O livro diverte, é de leitura fácil e estimula as pessoas à reflexão”, afirma o autor, como base nas opiniões de quem já leu o romance.
O humor está sempre presente na obra, assim como a compreensão pelo ser humano, como ressalta na contracapa o professor Jorge Coli, do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Unicamp: “Os personagens são desenhados com contornos firmes. Não têm ações de fato espontâneas e naturais. Têm reações: um dos motores melhores é o ressentimento. Nesse livro, o caráter cáustico bem presente não vem desprovido de uma generosidade terna. As ações se encadeiam numa lógica rigorosa e perfeitamente enlouquecida. Mistura constante de humor e de mal-estar no mundo que brota destas páginas”. As ilustrações de Cérebro mente são de Daniel Braga Campos, que estudou Artes na USP e é filho do autor.
Saúde e letras
Gastão Wagner formou-se em Medicina na UnB, universidade concebida por Darcy Ribeiro: “Era uma grande universidade multidisciplinar em que se aprendia medicina e se adquiria uma visão geral do mundo”. O gosto pela literatura o levou a freqüentar boa parte do curso de Letras. A atuação na saúde pública conduziu o médico aos ensaios e a vários títulos que assina como autor ou co-autor.
Este é o quarto romance de Gastão. Equivoco, uma história alegórica da esquerda brasileira na segunda metade dos anos 1970, narra o drama de um pai comunista à procura do filho desaparecido. Calidoscópio retrata uma cidade interiorana dividida entre resistir ou render-se aos encantos da modernização da sociedade brasileira no final dos anos 1950. Tomar a Terra de Assalto é um livro em que as esquerdas, no paraíso, anseiam tomar a Terra.
Gastão Wagner já arquitetou o próximo romance. Vai abordar as utopias, dificuldades e experiências na política e na gestão pública de sua própria geração. Pessoalmente, o autor acumula dois anos como secretário da Saúde em Campinas, no governo do prefeito Antonio Costa Santos, e mais dois anos como secretário executivo do Ministério da Saúde. “Se grande parte da minha geração foi cooptada e colonizada e se integrou às instituições, não se pode negar sua influência nas mudanças que vieram posteriormente. O mundo depois dela não é o mesmo. É um tema que dá literatura”, finaliza.
Sobre o autor
Gastão Wagner de Sousa Campos é Conselheiro da ABRASCO e professor de medicina da Universidade de Campinas (Unicamp). Possui graduação em Medicina pela Universidade de Brasília (1975) , especialização em Curso de Especialização Em Saúde Pública pela Universidade de São Paulo (1977) , especialização em XI Curso de Especialização Em Planejamento do Seto pela Universidade de São Paulo (1978), mestrado em Medicina (Medicina Preventiva) pela Universidade de São Paulo (1986), doutorado em Saúde Coletiva pela Universidade Estadual de Campinas (1991) e residencia-medica pela Hospital das Forças Armadas em Brasília/DF (1977). Atualmente é professor titular da Universidade Estadual de Campinas, Membro de corpo editorial da Trabalho, Educação e Saúde e Membro de corpo editorial da Revista Ciência & Saúde Coletiva. Tem experiência na área de Saúde Coletiva, com ênfase em Saúde Pública. Atuando principalmente nos seguintes temas: anti-taylor, democracia em instituições, gestão de instituições.
Gastão já tem três romances publicados. O primeiro foi "Equívoco" (Editora Hucitec), uma história alegórica da esquerda brasileira, acontece na segunda metade dos anos 1970, ainda durante o período ditatorial. Narra o drama de um pai, comunista tradicional, à procura do filho desaparecido (um típico representante da nova esquerda que surgia naquela época). A segunda obra, "Calidoscópio" (Editora 34), é o romance de uma cidade interiorana, "Nova Barcelona", dividida entre resistir ou docemente render-se aos encantos da modernização por que passava a sociedade brasileira ao final dos anos 1950. A acolhida ambígua que os moradores oferecem a um paulistano desinibido e liberado, Dionísio, serve de fio condutor para a narrativa. O terceiro, "Tomar a Terra de Assalto" (Hucitec) é um "livro dos mortos": o paraíso é um estado em que as pessoas tem todos os meios a sua disposição para que seu desejo, nuclear e essencial, seja satisfeito - Marx passa a eternidade estudando e escrevendo um tratado interminável, Mozart recebeu um instrumento que é uma síntese da potência musical de todos os outros, Che vive acampado em florestas -; já o inferno é a obrigação de viver somente em função do interesse e das determinações do coletivo - Hitler, por exemplo, trabalha em creches e escolas como palhaço, obrigado a divertir crianças precocemente falecidas.
Veja os títulos de autoria de Gastão Wagner disponíveis na ABRASCO Livros clicando aqui.
Fonte: Jornal da Unicamp
Presidente da ABRASCO analisa a sucessão no Conselho Nacional de Saúde
No último di 04 de fevereiro, o Presidente da ABRASCO, Luiz Augusto Facchini, publicou uma análise sobre a sucessão na presidência do Conselho Nacional de Saúde no blog Saúde com Dilma. Veja a seguir a carta na íntegra:
Nesta eleição, o CNS terá a oportunidade ímpar de aprofundar a análise sobre sua história, seus feitos, suas limitações e seus principais desafios frente ao SUS e à sociedade brasileira. Vejo a possibilidade do ministro Padilha assumir sua presidência como um reforço sem precedentes ao protagonismo do CNS. A exigência do ministro estar presente senão a todas, mas pelo menos na maioria das reuniões do pleno tornará o CNS uma das mais importantes arenas de deliberação em saúde no mundo e isso sem dúvidas será benéfico para o SUS. Os acordos e os consensos, os cronogramas e as ações aprovadas no CNS serão deliberados diretamente com o ministro e sua equipe, sem intermediações e mal-entendidos.
Nesta eleição, o CNS terá a oportunidade ímpar de aprofundar a análise sobre sua história, seus feitos, suas limitações e seus principais desafios frente ao SUS e à sociedade brasileira. Vejo a possibilidade do ministro Padilha assumir sua presidência como um reforço sem precedentes ao protagonismo do CNS. A exigência do ministro estar presente senão a todas, mas pelo menos na maioria das reuniões do pleno tornará o CNS uma das mais importantes arenas de deliberação em saúde no mundo e isso sem dúvidas será benéfico para o SUS. Os acordos e os consensos, os cronogramas e as ações aprovadas no CNS serão deliberados diretamente com o ministro e sua equipe, sem intermediações e mal-entendidos.
É claro, que a oportunidade dos usuários presidirem o CNS é muito importante e também um fato histórico. No entanto, as crises que se abatem sobre o SUS e o controle social serão melhor enfrentadas se o país contar com um ministro da Saúde capaz de liderar um grande pacto social em favor do SUS no cotidiano do CNS. Abdicar da presidência em favor do ministro Padilha não tornará o segmento dos usuários mais fraco ou submisso. Ao contrário, lhe dará uma capacidade de interlocução privilegiada com o ministro e o MS, considerando o peso do segmento nas decisões do CNS. Também os trabalhadores de saúde serão beneficiados por esse encaminhamento, pois terão condições de dirigir os pleitos em favor da desprecarização do trabalho, da carreira, dos salários e da educação permanente diretamente com o ministro. A decisão sobre a eleição da presidência e da mesa diretora do CNS não será fácil e poderá ser tensa e desgastante. Neste momento, um gesto dos usuários e trabalhadores em favor do ministro Padilha poderá reforçará o SUS e a luta em favor da saúde como prioridade de governo no Brasil.
Não acho essencial que o ministro seja o presidente, mas sua presença regular e a responsabilidade no encaminhamento das deliberações do pleno, aumentarão o protagonismo político do CNS. Suponho que Padilha irá fortalecer o controle social no país, independente de sua presença na presidência do CNS. Difícil será contar com sua presença e mesmo de seus secretários no cotidiano de deliberações do CNS. A agenda do MS é uma loucura, engole o tempo todo de qualquer pessoa, imagine o do ministro. Bem este assunto estará na pauta dos próximos dias e precisamos aprofundar o debate.
Pesquisadora da Fiocruz é nomeada representante brasileira em GT da OMS
A ABRASCO congratula-se com a vitória obtida pela Fundação Oswaldo Cruz e a Saúde Pública Brasileira com a nomeação de Claudia Inês Chamas, pesquisadora do Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Saúde da Fiocruz, como membro do recém criado do Consultative Expert Working Group on Research and Development: Financing and Coordination, da OMS. O Grupo de TrabalhO atua no âmbito da Estratégia Global e Plano de Ação Sobre Saúde Pública, Inovação e Propriedade Intelectual e a “entrada da pesquisadora no GT constitui uma oportunidade estratégica para uma profunda discussão sobre novos modelos de gestão e financiamento da pesquisa e inovação em saúde, objetivando a redução das persistentes desigualdades em nível mundial”, informa o comunicado da Vice-presidência de Produção e Inovação em Saúde da Fiocruz.
Em maio de 2010, a 63ª Assembléia Mundial da Saúde adotou a Resolução WHA63.28 visando ao estabelecimento de um grupo consultivo de especialistas em pesquisa e desenvolvimento, financiamento e coordenação, no âmbito da implementação da Resolução WHA61.21 (Estratégia Global e Plano de Ação Sobre Saúde Pública, Inovação e Propriedade Intelectual). Fundamentada na Resolução WHA63.28, a Diretora-Geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Margaret Chan, iniciou um processo de consulta a Estados-membros e regiões para a indicação de especialistas. Após as escolhas dos comitês regionais, os diretores regionais enviaram à diretora-geral 79 nomes. Deste total, a Diretora preparou uma lista com 21 nomes que foram submetidos à aprovação do 128º Conselho Executivo da OMS, que se reuniu em janeiro passado e está composto por 34 países de todas as regiões do mundo. Atualmente, a vice-presidência do Conselho é exercida pelo Coordenador Geral do Centro de Relações Internacionais em Saúde e ex-Secretário Executivo da ABRASCO, Paulo Buss.
Para mais informações sobre o GT clique aqui.
O Bazar da Saúde Pública
Ligia Bahia, vice-presidente da ABRASCO e professora de economia da saúde no Instituto de Estudos em Saúde Coletiva da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IESC/UFRJ), publicou o artigo "O Bazar da Saúde Pública" no Jornal O Globo, no dia 10 de janeiro. No texto Ligia discute a remuneração do trabalho médico e a gestão no setor saúde, afirmando que "(...) a tendência de ampliação de oferta e redução do preço da remuneração dos médicos não gerará mais acesso e qualidade da atenção para os usuários. Para deslocar a discussão da mera falta ou sobra é preciso desvelar outras engrenagens do trabalho médico. Não podemos nos dar ao luxo de substituir a realidade por exercícios de coerência formal que enfeitam promessas evasivas. O fato de os médicos brasileiros serem empregados de muitos patrões e a corrida em direção aos maiores valores de remuneração custa muito caro à sociedade. Se homens e mulheres são iguais entre si, apesar das diferenças, um sistema propositalmente descoordenado, movido por interesses nem sempre condizentes com as necessidades de saúde alonga a estratificação social. Futuros imaginados com base na supressão e não na elaboração e enfrentamento das contradições poderão eternizar a briga estéril sobre o que mais falta: dinheiro, médicos ou gestão." Confira o texto na íntegra aqui.
Revista Ciência & Saúde Coletiva promove a primeira reunião de editores assistentes de 2011

A Revista Ciência & Saúde Coletiva realizou a primeira reunião de editores assistentes de 2011, no dia 02 de fevereiro, no Claves/ENSP. O encontro contou com a participação dos vice-presidentes da ABRASCO, Lígia Bahia e Luis Eugênio Portela e foi coordenado pelos editores científicos da publicação, Maria Cecília Minayo e Romeu Gomes. A reunião teve como objetivo discutir e estabelecer os princípios da avaliação dos artigos a serem submetidos à Revista durante o ano, além de analisar o fluxo e a organização do trabalho da publicação, que passou a ser mensal e deu início à experiência de trabalhar com 16 editores assistentes. O encontro contou também com a participação especial dos editores da revista argentina Salud Colectiva.

Os vice-presidentes da ABRASCO, Luis Eugênio Portela e Lígia Bahia, saudaram os novos editores e afirmaram que Ciência & Saúde Coletiva é uma das revistas mais relevantes politicamente na área. Luis Eugênio reforçou o compromisso da diretoria de apoiar as gestões necessárias para que a Revista não só mantenha seu nível de qualidade e sua periodicidade, garantindo o financiamento para que os editores possam se concentrar com exclusividade na produção da revista. “Vamos garantir o excelente nível de qualidade que a revista tem, mantendo um sistema de revisão sempre muito afinado, de forma a conseguir o Qualis A”, afirmou. Lígia Bahia manifestou que a Diretoria está à disposição para colaborar no que for necessário para o fortalecimento da publicação. “A revista é extremamente relevante, tem alto índice de impacto e não nos conformamos com a revista não seja A”, explicou.

Ao dar as boas-vindas a todos, Maria Cecília Minayo afirmou que este ano é de grandes transformações para a publicação a começar com o desafio imposto pela nova periodicidade da revista, lembrando em seguida que o volume de artigos pendentes de publicação diminuiu muito. "No momento temos 88 artigos aprovados para publicação em 2011, isto foi possível graças à importante contribuição dos editores associados. A Revista volta a receber artigos a partir de 1° de março, utilizando um novo sistema informatizado que vai agilizar muito o processo de avaliação", comemorou Cecília. O novo sistema estará pronto na segunda quinzena de fevereiro e para Romeu Gomes, um dos principais diferenciais é que o autor escolherá a área temática em que deseja ser avaliado. “Desta forma o compromisso com a reflexão no campo escolhido é reforçado”, enfatizou o editor.

Os temas previstos para os números deste ano são: Nutrição e Saúde Pública; Trinta anos da Erradicação da Varíola; Suplemento 1 (100 artigos); Políticas Públicas de Saúde; Saúde Mental; Sistemas de Saúde Iberoamericanos; Revista do PNAD; Hospitalização; Saúde da Mulher; Saúde, Trabalho e Ambiente; Atenção Básica; Aspectos éticos e Inclusivos à Saúde; Saúde da Criança e; Medicamentos.

O encontro contou com a participação de Hugo Spinelli e Viviana Martinovich, respectivamente editor responsável e editora executiva da revista Argentina Salud Colectiva, publicação científica da Universidade Nacional de Lanus (UNLa). A revista é quadrimestral, completou seis anos de vida está adotando o modelo de trabalho com editores associados devido ao aumento no número de artigos enviados para avaliação. “Temos diálogo constante com Cecília desde a criação da revista e estamos aqui como ouvintes para aprender com a experiência da Ciência e Saúde Coletiva”, afirmou Spinelli.




Comissão CientÃfica do III Seminário Brasileiro de Efetividade da Promoção da Saúde realiza reunião na ABRASCO
A Comissão Científica do III Seminário Brasileiro de Efetividade da Promoção da Saúde (III SBEPS) esteve reunida na tarde do dia 31 de janeiro para fechar a programação científica do evento. O Seminário, que terá como tema "Efetividade da Promoção da Saúde: ampliando o diálogo com o Governo e a Sociedade", é fechado e será realizado no período de 23 a 26 de maio de 2011. Justificado pela adesão aos princípios e valores – diversidade e equidade, integralidade, cidadania - e estratégias da promoção da saúde como um caminho promissor em favor da melhoria da qualidade de vida, de forma justa e equitativa, baseia-se na convicção de que a avaliação de suas políticas e práticas confere legitimidade à promoção da saúde, quando gera evidências de que suas ações são capazes de produzir mudanças significativas nas condições de vida das pessoas, grupos e comunidades.
Pesquisador da Universidade de Nova York concede entrevista ao Portal da Rede de Pesquisa em Atenção Primária à Saúde
O pesquisador da Universidade de Nova York, James Macinko, concedeu entrevista ao Portal da Rede de Pesquisa em Atenção Primária à Saúde falando sobre a importância das metodologias de avaliação nos serviços de sistemas de saúde e a APS no Brasil. Iniciativa da ABRASCO e do Departamento de Atenção Básica (DAB/MS), a Rede conta com mais de 1800 participantes cadastrados e tem como objetivo propiciar a participação, o acesso ao conhecimento e o intercâmbio entre pesquisadores, gestores e trabalhadores de saúde, especialmente aqueles vinculados à Atenção Primária à Saúde (APS). Visite o site da rede e participe clicando aqui!
Paulo Buss recebe tÃtulo de Doutor Honoris Causa da Universidade NOVA de Lisboa
O ex Secretário Executivo da ABRASCO, Paulo Marchiori Buss, recebeu o título de Doutor Honoris Causa do Reitor da Universidade NOVA de Lisboa, Antônio Bensabat Rendas, no último dia 18 de janeiro. Buss, reconhecido como "um dos mentores da nova saúde pública do Brasil", é atualmente vice-presidente do Comitê Executivo da Organização Mundial da Saúde (OMS), dirige o Centro de Relações Internacionais em Saúde da Fundação Oswaldo Cruz (CRIS/Fiocruz) e preside a World Federation of Public Health Associations (WFPHA). Estiveram presentes na cerimônia: a Dra. Ana Jorge, Ministra de Estado da Saúde da República Portuguesa; o Embaixador do Brasil em Portugal, Mario Vilalva;o Embaixador do Brasil junto à CPLP, Pedro Motta Pinto Coelho; o Secretário Executivo da CPLP, Eng. Domingos Simões Pereira; o Prof. Paulo Ferrinho, Diretor do Instituto de Higiene e Medicina Tropical da Universidade Nova de Lisboa e; Regina Ungerer, do Programa e-portuguese da Organização Mundial da Saúde. Leia o discurso de Paulo Buss clicando aqui.
Vice-presidente da ABRASCO assume Secretaria de Saúde da Prefeitura de Goiânia
O vice-presidente da ABRASCO, Elias Rassi Neto, assumiu a Secretaria de Saúde do município de Goiânia aceitando o convite feito pelo Prefeito Paulo Garcia. "Aceitei com alegria e sem qualquer relutância. Espero realmente poder contribuir com a sua administração e com a consolidação do SUS daqui desse cantinho no meio do cerrado. Vou esforçar para me guiar pelos debates que temos feito e também pela maneira aberta, franca, transparente e carinhosa com que são conduzidos. Tem sido um grande aprendizado" afirmou Rassi. A diretoria da ABRASCO manifesta seu orgulho e júbilo pela nomeação.
Diretoria da ABRASCO manifesta seu pesar e solidariedade à s vÃtimas da tragédia na região serrana do Rio de Janeiro
A Diretoria da ABRASCO manifesta seu pesar e solidariedade às vítimas da tragédia que assola a região serrana do Rio de Janeiro e conclama seus associados e parceiros a colaborar neste momento de crise. A participação pode ser feita através do voluntariado (o Ministério da Saúde está fazendo um cadastro de profissionais de saúde que possam colaborar no atendimento das vítimas), doação de alimentos não perecíveis, roupas e produtos de higiene pessoal (confira os itens prioritários e locais de entrega das doações). Os moradores do estado do Rio de Janeiro podem colaborar também doando sangue (veja o mapa da rede de hemocentros).Presidente da ABRASCO divulga relatório sobre a reunião do Movimento da Reforma Sanitária

O presidente da ABRASCO, Luiz Augusto Facchini, divulgou hoje o relatório da reunião do Movimento da Reforma Sanitária realizada no último dia 26 de janeiro. O encontro realizado no Núcleo de Estudos em Saúde Pública da UnB teve como objetivo detalhar o documento Agenda Estratégica para a Saúde do Brasil. Veja o informe a seguir:
Com a participação de mais de 40 pessoas, tivemos uma excelente reunião com uma representação muito diversificada de entidades, instituições e pessoas envolvidas com a saúde coletiva e a Reforma Sanitária. Primeiramente cabe agradecer a sugestão de Roberto Passos para realizarmos a reunião no NESP e o acolhimento proporcionado por Fatima Souza e os colegas do NESP. Fomos muito bem tratados e paparicados. O encontro transcorreu em um ótimo clima, o debate foi excelente e permitiu o detalhamento de nossa Agenda, sendo filmado e fotografado pela equipe do NESP. A galeria de imagens e destaques da reunião estão nas páginas do NESP, ABRASCO, CEBES e Rede UNIDA e vale a pena visitar. Assista os videos do encontro, produzidos e divulgados pelo NESP.
A oportunidade e a relevância de nosso documento e do canal de diálogo com o MS/SUS foi bastante enfatizada pelos presentes, da mesma maneira que nossa independência do MS. As reuniões e a elaboração de propostas objetivas também foram saudadas. São oportunidades de fortalecer os consensos possíveis e pressione por avanços no SUS e na qualidade de vida da população. O debate sobre questões e prioridades para nossa Agenda Estratégica precisa deve valorizar os temas estruturantes do SUS na próxima década. Houve estímulo e ênfase para que nossas diretrizes e metas expressem um olhar renovado para o futuro, capaz de estimar os esforços e os custos para superar as tradicionais mazelas, colocando o SUS no patamar social que deve corresponder ao sistema de saúde da sexta economia mais forte do planeta. A Agenda deve valorizar os temas "macro", essenciais para a reestruturação do SUS, a reorganização da rede, a distribuição do financiamento e a intervenção do governo federal e do MS. Devemos estimular sua inclusão e debate na 14ª CNS.
A nova versão do documento deverá dar maior destaque para o modelo de atenção – vamos manter a dicotomia entre SF e UBS tradicional na APS? Qual a razão para a atual ambiguidade? Qual a valorização que o MS e o MEC pretendem dar à SF? Todo ano sobram vagas nas residências de SF/MC, pois os médicos podem trabalhar na SF sem necessidade de especialização. A questão do trabalho é prioritária e precisa ser enfrentada com urgência e sucesso no atual governo federal, pois a situação nos municípios é insustentável. As agências reguladoras também é um problema crítico – um eixo estruturante deve ser o do investimento público, como deve ser orientado - Dentre as lacunas do primeiro documento da Agenda Estratégica, também mencionou-se a segurança alimentar e uso de agrotóxicos. Na Conferência Nacional de Saúde Ambiental foram aprovadas 15 diretrizes que devem ser consideradas.
A intersetorialidade em saúde também foi destacada, através da forte relação entre as causas externas, os acidentes de veículos de transporte, especialmente carros com traumas, demandas de emergência, de reabilitação e benefícios sociais. A escassez de força de trabalho profissionalizada no SUS, inclusive no âmbito da gestão é um desafio complexo, cujas soluções requer ações interministeriais fortes, especialmente entre o MS e o MEC. A organização de carreiras no SUS, com estímulo à dedicação integral dos profissionais, precisa ser fortalecida no novo documento. Neste caso, ganha relevância o debate sobre a natureza jurídica dos serviços e instituições envolvidos na rede de saúde do SUS, como por exemplo, municípios, universidades, instituições filantrópicas, consórcios regionais, fundações estatais e empresas públicas. Foi perguntado o que fazer com o modelo federativo, que não dá conta dos fluxos e processos de atenção à saúde no país? Houve sugestão de destacar para o ministro Padilha e a presidenta Dilma a relevância da saúde, do SUS e da qualificação e expansão da SF nos esforços de superação da miséria, considerando além das doenças negligenciadas (hanseníase, tuberculose, ...), o excesso de morbidade e mortalidade decorrentes da pobreza da população brasileira.
O financiamento foi elemento central no debate, especialmente sobre os critérios que deverão orientar a utilização de um eventual aumento dos recursos PÚBLICO para o SUS. A 14ª Conferência Nacional de Saúde foi reconhecida como uma prioridade do SUS e do movimento da RS, mas mudanças em sua temática e metodologia de discussão e deliberação são necessárias. Questionou-se sobre seu papel para o SUS e para o controle social no país. Também houve referência à "crise da sucessão" no CNS e à relevância dada pelo ministro Padilha ao controle social neste início de gestão no MS.
As prioridades do ministro relativas ao acolhimento, acesso e qualidade em tempo oportuno na rede de serviços, a criação de um índice, indicador complexo, ou referência métrica para monitorar a resposta do SUS foram reconhecidas como uma tarefa desafiadora para o SUS, a comunidade acadêmica e o movimento da RS. Por certo deveria se desdobrar em critérios populacionais, epidemiológicos e de serviços. Questões teóricas, metodológicas e logísticas foram mencionadas entre as dificuldades importantes para este desafio. A percepção foi de que se houver prioridade para este debate, as dificuldades poderão ser enfrentadas com sucesso pelo SUS, comunidade científica e sociedade brasileira.
Ao final da reunião foi aprovado o cronograma de trabalho do movimento da RS, com estímulo para que as entidades mobilizem a participação de seus associados:
1. Distribuição de nova proposta de documento para crítica e sugestões de entidades e participantes do movimento da RS - até 20 de fevereiro de 2011.
2. Reunião para debate da versão preliminar do novo documento - Brasília, NESP-UNB, fins de fevereiro de 2011.
3. Reunião para sistematização de nova rodada de discussão e contribuições - Rio, evento da Rede Unida, meados de março de 2011.
4. Apresentação e divulgação da nova versão da Agenda Estratégica da Saúde - São Paulo, FSP-USP, V Congresso Brasileiro de CS&H em Saúde, ABRASCO.
5. A Agenda será debatida em vários eventos das entidades da RS, como por exemplo, no Simpósio de Saúde do CEBES em junho de 2011 na UERJ.
6. O NESP irá promover um evento dos núcleos de SC do país e também colocará a Agenda em debate.
7. O GT de Educação Popular em Saúde da ABRASCO propõe que em 07 de abril (dia mundial da saúde) seja feita uma mobilização social da Agenda Estratégica da Saúde.
8. A SBMF&C terá seu congresso em BSB, na mesma data do Simpósio do CEBES. Apesar da coincidência, houve o convite para que representantes de todas as entidades da RS participem e discutam a Agenda. Um tema do congresso será o debate sobre a flexibilização do modelo de APS referido pelo ministro Padilha em seu discurso de posse.
9. Este relatório, da mesma forma que nossos debates e mensagens, pode ser livremente divulgado, visando motivar novas contribuições para o documento.
Luiz Augusto Facchini
Presidente da ABRASCO
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