PROMOÇÃO SEMANA CERTA
DE 17 A 21 DE JUNHO

HISTÓRIA, FILOSOFIA, SOCIOLOGIA
(ESTOQUE DISPONÍVEL)

DESCONTO ESPECIAL
25% ASSOCIADOS ABRASCO
20% NÃO ASSOCIADOS ABRASCO

 

Chamada Pública

 

A Epidemiologia Brasileira no início do século XXI

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Rede de Pesquisa APS comemora o primeiro ano de existência de seu portal e mais de três mil pesquisadores cadastrados

04/10/2011 16:05

Ao completar um ano do lançamento de seu portal, a Rede de Pesquisa em Atenção Primária à Saúde comemora ter ultrapassado a marca de mais de três mil pesquisadores e profissionais de APS cadastrados. "O principal objetivo da Rede é proporcionar o conhecimento e o intercâmbio entre pesquisadores, gestores do SUS, trabalhadores em saúde e demais interessados nas questões atenção primária à saúde. Queremos valorizar os pesquisadores em APS e ampliar o reconhecimento dessa área", afirma a coordenadora da Rede, Inaiara Bragante. No Portal os visitantes podem acessar entrevistas com profissionais de destaque na área, estudos relevantes, editais de pesquisas, notícias, eventos, fóruns de discussão, dentre outros. Visite o site e confira: www.rededepesquisaaps.org.br.

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Ciência, arte e cultura no corpo: a construção de sentidos sobre o corpo a partir das cirurgias plásticas

04/10/2011 16:05

A ABRASCO Livros e a Editora CRV promoveram o lançamento do livro "Ciência, arte e cultura no corpo: a construção de sentidos sobre o corpo a partir das cirurgias plásticas", de Francisco Romão Ferreira, no dia 12 de setembro, durante sessão extraordinária do Centro de Estudos do Instituto Oswaldo Cruz. O Brasil é um dos líderes mundiais da cirurgia plástica. De acordo com dados divulgados em 2010, pela Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (Isaps, na sigla em inglês), é o terceiro país que mais faz cirurgias plásticas no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos e da China. Em 2009, foram mais de 1 milhão de procedimentos cirúrgicos. O que motiva a busca pelo corpo perfeito e pela juventude? Como a relação com o corpo é alterada entre os pacientes de cirurgias plásticas? Estas são algumas das questões investigadas pelo pesquisador Francisco Romão, coordenador do Curso de Pós-Graduação Lato sensu em Ciência, Arte e Cultura na Saúde do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), no livro Ciência, arte e cultura no corpo: a construção de sentidos sobre o corpo a partir das cirurgias plásticas. A obra trata da construção de sentidos sobre o corpo, do processo de construção de identidade a partir da imagem corporal e da valorização de parâmetros estéticos como definidores das condições de saúde. Clique nos links a seguir para ver o convite do lançamento e ter mais informações sobre o livro.

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Presidente da ABRASCO participa do 7th World Ageing & Generations Congress

04/10/2011 16:03

O presidente da ABRASCO, Luiz Augusto Facchini, participou do Painel "Demography Meets Health –The Future of Health Care in the Developed and Developing World" no 7th. World Ageing & Generations Congress, no último dia 30 de agosto. A mesa foi coordenada por Chris Singleton (Director Medical Insurance Europe, Swiss Re, Switzerland) e contou com a participação de Cornelia Meyer (CEO MRL Corporation, London, UK), Sania Nishtar (Founder and President of Heartfile, Pakistan) e Jack Watters (Vice-President for External Medical Affairs at Pfizer, USA). O objetivo da atividade foi discutir a demanda por cuidados, as inovações necessárias e as formas de financiamento dos serviços e sistemas de saúde nas diferentes partes do mundo. O Congresso foi realizado na University of St. Gallen (Suíça) até o dia 2 de setembro. O Prof. Luiz Facchini é colaborador do projeto "Estudo Longitudinal de Saúde e Bem-estar dos idosos" (Elsi-Brasil), pesquisa que deve começar a ser implementada em 2012. Veja a programação completa do evento clicando aqui.

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ABRASCO participa de ato público pela regulamentação da EC-29 e do lançamento da campanha Primavera da Saúde

04/10/2011 16:01

O vice-presidente da ABRASCO, Luis Eugênio Portela, e a pesquisadora Eli Iola Gurgel representaram a Associação no ato público pela regulamentação da Emenda Constitucional 29, realizado no último dia 24 de agosto, em Brasília. O ato, convocado pelo Conselho Nacional de Saúde (CNS), contou com a participação de aproximadamente 500 militantes do Sistema Único de Saúde e teve o apoio de diversas entidades que lutam pelo SUS como: AMERESP, ANPG,  Cebes, COBAP, CGTB, CONAM, CMP, CNTSS, CONASS, CONASEMS, CONTAG, CUT,  FENAFAR, além de conselhos estaduais e municipais de saúde (com destaque para a delegação mineira de Belo Horizonte e Ibirité). Na ocasião foi lançada a campanha "Primavera da Saúde", que pretende realizar uma longa jornada de lutas e mobilizações em defesa da saúde pública brasileira, buscando em especial fortalecer o movimento por uma formatação da regulamentação da EC29 que traga mais recursos para a saúde. O primeiro ato da campanha será um abraço ao Palácio do Planalto, na manhã do dia 14 de setembro. Veja a matéria completa clicando aqui.
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Instituto de Saúde da SES/SP promoveu palestra com Gastão Wagner sobre a 14°CNS

04/10/2011 16:00

O Conselheiro da ABRASCO e relator geral da 14° Conferência Nacional de Saúde (CNS), Gastão Wagner de Souza Campos, participou da palestra “Acesso e acolhimento com qualidade: um desafio para o SUS” no Instituto de Saúde (IS) da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES/SP), no dia 22 de setembro. O encontro teve como objetivo discutir os eixos temáticos da 14ª CNS, ampliando assim a participação de diferentes setores da sociedade na formulação das principais questões relacionadas às necessidades e demandas do Sistema Único de Saúde (SUS). Todas as informações estão disponíveis aqui.

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O que está em jogo na Saúde

04/10/2011 15:58

Ligia Bahia, vice-presidente da ABRASCO e professora de economia da saúde no Instituto de Estudos em Saúde Coletiva (IESC/UFRJ), publicou o artigo "O que está em jogo na Saúde", no Jornal O Globo, no dia 22 de agosto. No artigo Lígia fala sobre a saúde pública e faz uma reflexão sobre a trajetória histórica do setor no Brasil. Para Lígia "Sucessivos governantes, ansiosos por conduzir o Brasil ao primeiro mundo, juraram obedecer às leis do país e asfixiaram a saúde pública. Apesar do subfinanciamento crônico do SUS se deu nó em pingo d’água. Considerando que vivemos em um país que desde 1989 não aporta os recursos previstos ao SUS e desde 2004 investe mais recursos com o pagamento do pessoal do Ministério da Fazenda do que com o da pasta da saúde, falta muito que fazer (...) As restrições orçamentárias impostas ao SUS transformam-se em subsídios para dinamizar o mercado de planos privados. Temos duas políticas estatais de saúde que concorrem entre si. Qual delas será expandida para atender a nova classe média emergente? Para que 90 milhões de pessoas acessem planos privados de saúde os subsídios indiretos são insuficientes. Abrir uma rota falsa de fuga do SUS não atende os pleitos de empresas ávidas por comercializar contratos que caibam no bolso desses potenciais clientes. São Paulo saiu na frente e aprovou uma legislação estadual que admite a oferta de um pedaço das unidades públicas hospitalares (25% dos leitos) para o atendimento de clientes de planos privados na rede SUS, em acomodações diferenciadas. Se a alternativa for a ampliação do SUS, a efetiva universalização não ocorrerá sem a ampliação da rede pública e integração dos estabelecimentos privados em torno de projetos para a melhoria da saúde da população. ", afirma Lígia. Confira o artigo na íntegra e a Agenda Estratégica para a Saúde no Brasil e participe da preparação da 14a. Conferência Nacional de Saúde!

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Saúde, Trabalho e Ambiente em pauta permanente

04/10/2011 15:56

O número de agosto da Revista Ciência & Saúde Coletiva, que tem como tema "Saúde, Trabalho e Ambiente em pauta permanente", já está à disposição dos leitores, nos formatos impresso e eletrônico. Neste número a Revista apresenta um conjunto de textos sobre saúde do trabalhador e ambiente que de certa forma representa a dimensão e a variedade da produção científica da área: pesquisas sobre trabalhadores do setor de serviços como médicos, policiais, administrativos, garis entre outros; do setor agrícola, como o caso de populações expostas a agrotóxicos e de operários da agroindústria sucroalcooleira; do setor industrial como adoecimento de mineradores e exposição a riscos; e do setor artesanal como as lesões por esforço repetitivo entre marisqueiras. Há também vários artigos específicos sobre problemas ambientais relacionados à exposição a agentes químicos, à qualidade da água e à relação entre contaminação e adoecimento. Em quase todos os trabalhos, os problemas de saúde e ambiente são tratados em interação. Sobretudo o artigo de debate aprofunda a questão da interdisciplinaridade e da interprofissionalidade na vigilância em saúde do trabalhador. Nas abordagens, observam-se os influxos das mudanças contemporâneas no âmbito das relações de trabalho, acompanhando um movimento mundial de reestruturação produtiva que se associa, sem eliminá-las, a formas arcaicas de produção. Veja o sumário da Revista clicando aqui.

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Tribunais de Justiça no Mato Grosso e em São Paulo emitem pareceres contra a criação de “duplas portas” no SUS

01/10/2011 13:05

Os defensores do Sistema Único de Saúde comemoram os pareceres emitidos esta semana pelos Tribunais de Justiça, do Mato Grosso e de São Paulo, contra a criação de “duplas portas” no SUS. No Mato Grosso, a Juíza Federal Célia Regina Ody Bernardes, cancelou o contrato em que o estado de Mato Grosso passa a gestão do Hospital Metropolitano de Várzea Grande para a Organização Social de Saúde (OSS) Instituto Pernambucano de Assistência à Saúde (Ipas), e o Tribunal de Justiça de São Paulo negou o recurso que o governo do Estado moveu contra a decisão que proibia a destinação de 25% dos leitos de hospitais públicos a planos de saúde. Para Lígia Bahia, vice-presidente da ABRASCO, “as decisões favoráveis ao SUS universal (...) certamente pendem para o lado da ampliação da agenda para o enfretamento político dos atuais problemas do sistema de saúde brasileiro. Portanto, a vitória deve e pode ser comemorada como o inicio da redelimitação de fronteiras entre o público e o privado no sistema nacional de saúde”.
 

Mato Grosso

No Mato Grosso, a Juíza Federal Célia Regina Ody Bernardes, cancelou o contrato em que o estado de Mato Grosso passa a gestão do Hospital Metropolitano de Várzea Grande para a Organização Social de Saúde (OSS) Instituto Pernambucano de Assistência à Saúde (Ipas). Para a magistrada, a transmissão da gestão do hospital para o Ipas é inconstitucional, por ser obrigação do Estado a prestação da totalidade dos serviços de saúde. Ela destaca ainda que depois de dois meses de iniciados os trabalhos pela OSS contratada, os serviços ainda não se fizeram presentes e que a prática administrativa do réu (Estado de Mato Grosso) viola a obrigatoriedade constitucional de contratação de servidores mediante prévio concurso público. Veja as informações sobre o processo aqui. (com informações do boletim Saúde e cidadania)


São Paulo

O Tribunal de Justiça de São Paulo negou o recurso que o governo do Estado moveu contra a decisão que proibia a destinação de 25% dos leitos de hospitais públicos a planos de saúde. Agora não cabe mais recurso. O governo terá que esperar o julgamento da ação civil pública movida pela Promotoria de São Paulo contra a destinação dos leitos aos convênios, o que pode demorar. Se a decisão da Justiça paulista tivesse sido favorável ao governo, o decreto que destina os 25% dos leitos já poderia começar a ser implementado agora, enquanto a ação está correndo. O plano do governo era começar a implementação da Lei pelo Instituto do Câncer do Estado de São Paulo Octavio Frias de Oliveira (Icesp) e Hospital dos Transplantes. A decisão foi do desembargador José Luiz Germano, da 2ª Câmara de Direito do Tribunal de Justiça de São Paulo. Ele afirmou que o "Estado ou as organizações sociais por ele credenciadas, não tem porque fazer o atendimento público da saúde com características particulares". O desembargador citou ainda que já há duas leis que permitem a cobrança dos planos pelo serviço feito de forma pública --uma do governo federal e outra do próprio governo de São Paulo. "A saúde é um dever do Estado, que pode ser exercida por particulares. Esse serviço público é universal, o que significa que o Estado não pode distinguir entre pessoas com plano de saúde e pessoas sem plano de saúde", afirmou. A Lei nº 1.131/2010 foi aprovada pela Assembléia Legislativa, assinada pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) no final do ano passado e regulamentada, por meio de decretos, no início deste ano. Deste então, entidades médicas se posicionaram contrárias à medida, afirmando que isso abriria a possibilidade de "dupla porta" nos hospitais públicos --com atendimento diferenciado para pacientes do SUS e de planos de saúde (com informações da Folha de São Paulo). Veja o relatório feito pelo Tribunal de Contas do Estado avaliando as Organizações Sociais de São Paulo aqui.

redelimitação de fronteiras entre o público e o privado

Para Lígia Bahia, vice-presidente da ABRASCO, os pareceres representam uma grande vitória Lígia. “A Lei paulista aprovada pela assembléia legislativa que autorizou o sequestro de 25% da capacidade instalada de hospitais públicos não poderá seguir adiante e, talvez ainda mais importante do que seu efeito suspensivo imediato, seja a perspectiva de fechamento das duplas portas já existentes. Os fundamentos mobilizados pelo Desembargador foram contundentes em relação aos privilégios e discriminações do material de construção das “duplas portas” e acerca da necessidade das empresas de planos e seguros disporem de redes assistenciais privadas compatíveis com as coberturas elencadas pela legislação. “A sentença reafirma o direito universal à saúde, ao sublinhar que ricos e pobres podem ser atendidos na rede pública e repõe a importância do ressarcimento ao SUS como estratégia para efetivar uma justiça contábil.  Na atual conjuntura marcada pelo debate ‘mais recursos ou mais gestão’, a lei paulista tinha claramente a marca de ‘mais gestão’ (embora na prática visasse mais recursos para as empresas privadas). As decisões favoráveis ao SUS universal, em São Paulo e no Mato Grosso, certamente pendem para o lado da ampliação da agenda para o enfretamento político dos atuais problemas do sistema de saúde brasileiro. Portanto, a vitória deve e pode ser comemorada como o inicio da redelimitação de fronteiras entre o público e o privado no sistema nacional de saúde”, afirmou Lígia.

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Entrevista com Lígia Bahia é publicada no Blog Zé Dirceu

29/09/2011 13:54

 
Lígia Bahia é uma das mais conhecidas militantes em defesa do Sistema Único de Saúde (SUS). Esta médica com mestrado e doutorado em Saúde Pública tem uma trajetória que teve início no movimento estudantil no final dos anos 70. Foi delegada da VIII Conferência Nacional de Saúde em 1986 e, entre outras, hoje integra a atual diretoria da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (ABRASCO). Também representa a comunidade científica no Conselho Nacional de Saúde.
 
Direta em suas afirmações, Lígia acredita que - a pretexto das discussões sobre a Emenda Constitucional 29, que determina quanto cada esfera de poder público deverá aplicar na área - a saúde pode, enfim, ser colocada na agenda política do país.
 
Para ela, a saúde pública no Brasil enfrenta hoje dois problemas. Um é de gestão e outro é de financiamento. Mas, o subfinanciamento é tão grave – calcula-se que o orçamento da pasta esteja R$ 30 bi aquém do necessário - que neutraliza boa parte demais iniciativas. Seria, portanto, crucial resolvê-lo.
 
A militante não teme apontar alternativas. “A questão é simples”, garante. Passa por financiar a área com o orçamento da Seguridade Social e pelo aumento dos recursos da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e os da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido destinados à área. Pode compreender, ainda, a não incidência da Desvinculação dos Recursos da União (DRU) sobre a saúde. Por fim, não devem ser descartados da discussão os royalties de petróleo, do Fundo Social do Pré-Sal. “Os royalties podem, sim, ser colocados na mesa e já estamos fazendo uma aliança com os governadores nesse sentido”, garante.
 
Mas nem só de financiamento do SUS são feitas as bandeiras de Lígia. Ela defende, ainda, outras relações entre a saúde pública e a privada. É crítica dos planos de saúde – alguns cobrando mensalidades de apenas R$ 50. Na visão desta doutora, os planos são uma bomba relógio, prestes a explodir. “Esses grupos não serão capazes de dar uma resposta sequer às principais epidemias do século XXI: câncer, saúde mental, obesidade, velhice”, afirma.
 
Confira, a seguir, a íntegra da Entrevista deste Mês com Lígia Bahia.
 
Com a Emenda 29 sendo discutida no Congresso, a questão do financiamento da saúde está mais evidente do que nunca. Para você, quais os principais desafios da saúde no Brasil?
 
O principal desafio na nossa área é político. É fundamental entender a saúde pública como uma política e não como uma técnica. Tem uma tecnicalidade na área, é evidente. Mas, para mim, saúde é uma questão política. Não é à toa que hoje há uma prioridade política para a saúde nos Estados Unidos e na Europa.
 
Os conservadores na Espanha estão disputando a eleição com o discurso que não vão tirar dinheiro da saúde.
 
Exatamente. Em Portugal eles prometeram isso de pés juntos. No Brasil, no entanto, a saúde, depois da democratização, nunca foi uma prioridade política.
 
Só para comparar, na educação, por exemplo, a gente avançou bastante. Eu sou professora de uma universidade federal e vejo diferenças gritantes em relação ao que foi a universidade durante o governo Fernando Henrique Cardoso e o que o foi no governo Lula. O mesmo não se deu na saúde. Hoje, tem obras, pedreiros, muito barulho na universidade. O Fundão (campus da Universidade Federal do Rio de Janeiro) está um verdadeiro canteiro de obras. É um transtorno, mas é algo excelente! Já, na saúde não temos os mesmos sinais claros de mudança.
 
A área simplesmente não é prioridade na agenda política. A verdade é que ninguém prometeu isso. Durante a campanha, por exemplo, Dilma prometeu distribuir remédio, falou da Rede Cegonha, do atendimento à mulher, mas não falou do SUS como um todo e do seu financiamento.
 
Barack Obama, por exemplo, está dizendo que a prioridade é que todo norte-americano terá direito à Saúde. Não está falando de um programa aqui ou outro ali. Está falando do conjunto da saúde. Essa é a política de saúde que queremos. No Brasil, ao contrário, vivemos sob a ameaça da privatização da saúde. Se a saúde pública não está no cerne da agenda política central...
 
Voltando à Emenda 29...
 
A questão que se coloca em relação à Emenda Constituicional 29 não é a da sua aprovação. Ela já está aprovada. O que está em discussão é a regulamentação da emenda. Há uma ameaça tanto para governadores, quanto para a União. Nos dois casos será preciso ter mais dinheiro. O projeto do Tião Viana (ex-senador do PT pelo Acre, atualmente governador do Estado), aprovado em 2008 no Senado, previa que a União deveria destinar 10% das receitas correntes brutas para o financiamento da saúde; no caso dos Estados, 12%; e municípios, 15%.
 
Mas para que o Estado em suas várias instâncias dê conta, devemos contar com alternativas. Uma é voltar ao orçamento da seguridade social, assim como aumentar os recursos da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) destinados à saúde e os da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. É tão simples quanto isso. Outra possibilidade é que a Desvinculação dos Recursos da União (DRU) não incida sobre a saúde. Este tem sido, mais ou menos, o trajeto percorrido pelo Fernando Haddad, no Ministério da Educação. Ele fez com que uma partezinha da DRU não incidisse sobre a Educação. Só com essa medida ele alavancou seu orçamento e teve dinheiro novo. Outra alternativa – para não falarmos na criação de novos impostos – é estudar com clareza a questão dos royalties de petróleo, do Fundo Social do Pré-Sal. Todos dizem que “não pode”. Mas, pelo que estamos entendendo, “pode”, sim. Pode e nós da saúde estamos fazendo uma aliança com os governadores nesse sentido.
 
Você quer dizer vincular o aumento da participação dos Estados a uma destinação dos royalties? E fazer uma “druzinha” para os governadores?
 
Vamos fazer um seminário na Universidade Federal do Rio de Janeiro em outubro sobre essas alternativas, chamar especialistas e parlamentares para discutir isso. Acreditamos que o momento é esse. Abriu-se uma janela para a saúde. Ela finalmente está na pauta política do país. O problema é que a pauta se centra no financiamento. Mas não o SUS propriamente dito. Queremos alternativas para o financiamento do SUS universal. Não podemos cair na armadilha de discutir dinheiro sem saber para onde ele vai. Se não, corremos o risco de alimentarmos as críticas como “vocês querem mais dinheiro para a corrupção e para pagar funcionário público que não trabalha”. Saúde tem que ser debatida por todos. Nós, da saúde, queremos conversar com o pessoal da área econômica. Há economistas que pensam como o Gustavo Franco. É inacreditável a concepção dele sobre a saúde. Ele disse em público que não precisa mais dinheiro para saúde, que o problema é de saneamento. Uma concepção de 1940. Fiquei totalmente chocada. Ele estava falando como se o Brasil não tivesse entrado no século XXI e não fosse complexo. Saneamento! Claro que também queremos saneamento. Mas, óbvio, a saúde não se resume a isso.
 
O que mudou no governo Lula para a saúde?
 
No financiamento, nada. Mas, houve outras mudanças - muito importantes - no governo Lula. Tanto do ponto de vista da expectativa, quanto da gestão. Houve uma reforma grande no Ministério da Saúde no período de transição entre o governo FHC e o de Lula. Até aquele período, o Ministério continuava com uma cara de um grande Instituto Nacional Assistência Médica Previdência Social (INAMPS), algo típico do passado. Basicamente, contratava serviços e os pagava, atuava na compra e na venda de serviços. Foi quando foi criada a Secretaria de Atenção à Saúde, que substituiu, pelo menos em termos, o velho conceito do INAMPS.
 
Ou seja, a pasta tinha apenas a vocação de uma administratora dos serviços particulares?
 
Isso. A segunda coisa importante no governo Lula foi a criação de uma Secretaria de Gestão do Trabalho. É muito importante para a saúde pensar na formação de profissionais da área e na sua educação permanente. Essa equipe que foi constituída durante o governo Lula era muito boa, Humberto Costa era um sanitarista do Nordeste, tinha voto. Ele montou uma equipe muito plural, ampla e competente. Não deu certo por vários azares. Houve a Operação Vampiro, que era um problema que vinha da gestão anterior, mas que teve impactos na sua gestão. E explodiu um conjunto de problemas envolvendo seus assessores.
 
Foi tudo feito para ele não ser candidato a governador. Depois, foi absolvido. Tudo aquilo não passou de uma grande farsa.
 
Depois, entrou o PMDB, Saraiva Felipe, que é ótimo. Mas ele sabia que estava fazendo uma transição. Em seguida, veio o José Gomes Temporão, quando houve a confusão do fim da CPMF.
 
E o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, o SAMU, é uma iniciativa importante?
 
Muito importante. Tanto o SAMU, quanto a Farmácia Popular são do Humberto Costa. Ambos são muito bem sucedidos e universais. De fato, para alguns estados, o SAMU é um serviço universal, atende ricos e pobres. É uma espécie de SUS que dá certo. Tem gente que parou de pagar plano de saúde para ambulâncias, porque o SAMU atende bem a sua região. No Leblon, no Rio de Janeiro, quando o SAMU chega, todos batem palmas, como se fosse o atendimento do corpo de bombeiros. Mas dizem que o serviço não é homogêneo, há estados em que não dá certo…
 
Farmácia Popular também é um programa muito efetivo. Nas famílias, quando se gasta muito dinheiro com saúde, é catastrófico, pois tem um impacto direto no orçamento das pessoas. Mas, quando você deixa de gastar com o remédio, sobra dinheiro para comprar livros ou outros itens importantes. O programa permite que os orçamentos familiares tenham maior elasticidade.
 
O SUS também dá certo quando atende de forma universal a todos os pacientes de AIDS, a todos os hipertensos e a todos diabéticos. É o caso, ainda, dos transplantes e dos medicamentos excepcionais também.
 
Fora as campanhas de vacinação, que já são uma tradição no país.
 
Com certeza. Elas são, de fato, um serviço universal. No Rio, você vai para a fila do posto e estão todos lá. Parece até dia de eleição, ricos e pobres se encontram na fila. O SUS que dá certo é aquele que oferece um serviço universal. Que atinge a todas as camadas da população. Temos que pensar mais sobre isso.
 
E as medidas da presidenta Dilma Rousseff quanto à regionalização da gestão? Além do programa de Câncer de Mama, do reforço ao tratamento da diabetes e da hipertensão? Ela assinou um decreto lei sobre regionalização da saúde e gestão recentemente.
 
É um esforço importante que está sendo feito. No passado, nós tivemos a chamada municipalização da saúde. Na prática, isso queria dizer: “município, vire-se!”. Deu-se uma descentralização neoliberal perversa do serviço de saúde, sem dinheiro. Típica da agenda neoliberal. Agora, em contraponto, a ideia da regionalização é importante. Com a medida será possível consolidar vários pequenos municípios – de, por exemplo, 5 mil habitantes - em uma única região concentrando os recursos para garantir um atendimento de maior qualidade e, de outro lado, fracionar áreas de metrópoles muito populosas em várias regiões. Esse é um dos pontos altos da área nos primeiros seis meses de gestão do governo federal.
 
O decreto da presidenta, aliás, reatualiza a lei 8080. Mas, a regionalização também não dará certo se não houver financiamento. Temos na saúde dois problemas. Um é de gestão e outro é de financiamento. O problema de financiamento é tão grave que faz com que nada mais ande. Sem recursos, esse decreto da presidenta, inclusive, não poderá ser viabilizado, porque a regionalização também demanda um rearranjo de recursos.
 
Como você vê a equipe do governo para a área?
 
O ministro Alexandre Padilha tem muita energia, é muito carismático, jovem, bem disposto e tem uma equipe com boa formação. Cercou-se de pessoas capazes de retomar uma agenda positiva. O problema é que, se ficarem totalmente desfinanciados de novo, também vai ser difícil.
 
Em relação aos planos de saúde... Em São Paulo e no Sudeste os trabalhadores querem o benefício assim que são contratados. O servidor público quer seguro saúde. O sindicato contrata seguro saúde, inclusive, o sindicato da saúde. Nesse caso, a regulação e o controle melhoraram, mas ainda são muito débeis. Pior. Agora estão surgindo com força os planos de odontologia. Só que imensa maioria deles é uma grande picaretagem, não há qualquer fiscalização. Como você vê a questão do seguro saúde e da medicina de grupo?
 
Essa é uma preocupação que temos. É um mercado que está crescendo. Um dos trabalhos que eu fiz foi sobre a financeirização deste setor. As empresas estão abrindo o capital, lançando ações no mercado. Há, ainda, um fenômeno claro de oligopolização, que aumenta o preço dos planos. Acabamos tendo uma política que é uma “não-política de privatização”. Por quê? Na prática, a saúde privada tem subsídio, por meio da isenção no Imposto de Renda. Temos hoje 90 milhões de pessoas que podem ser futuros consumidores desses planos, e que querem sê-lo. É super preocupante: tem oferta e tem demanda. Há uma expansão da privatização acelerada. O problema é que não somos um país cuja população tenha uma alta renda. Em breve, esse processo vai ser dramático, porque teremos planos de saúde sendo vendidos a R$ 50 por mês. E eles simplesmente não vão propiciar saúde, cobertura, medicamento, serviços. Os planos de saúde – inclusive esses voltados à renda média - não serão capazes de dar uma resposta às principais epidemais do século XXI: câncer, saúde mental, obesidade, velhice. Essas epidemias pressupõem atendimentos e tratamentos altemente especializados e custosos, que serão reencaminhados para o SUS. Aumentar o número de pessoas com planos de saúde é uma tragédia anunciada, uma bomba relógio que vai explodir no curto prazo.
 
O que você quer dizer com bomba relógio?
 
Na próxima epidemia de dengue – ela é certa -, nós vamos precisar de uma rede de serviços de saúde eficiente. As crianças que nunca foram mordidas pelo mosquito são as mais vulneráveis. Com esse tipo de quadro, essas pessoas vão precisar de um bom serviço, que as trate adequadamente. As redes privadas não estão preparadas para essa demanda em lugar nenhum do Brasil. Agora, vamos dizer a esses brasileiros que imaginam que terão um atendimento de qualidade, que não devem comprar planos privados de saúde?
 
Essa é uma questão difícil...
 
Com certeza. Como fazer um movimento contrário a isso? Melhorando imensamente a rede pública. Não há nenhuma outra possibilidade. A pessoa só deixaria de querer um plano de saúde privado se for convencida que a rede pública seja capaz de suprir as suas necessidades. Que se revele um sistema universal de saúde, para pobres e ricos juntos.
 
Como você analisa o papel da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANSS)?
 
A ANSS está completamente capturada pelos interesses privados. Nós perdemos uma ferramenta política em defesa da sociedade. Agência Nacional de Saúde Suplementar hoje teria um papel importante. Ela até funciona - e muito bem - porque faz negócios. Faz a falência de empresas e vende suas massas falidas para a AMIL ou para a Sulamerica ou para o Bradesco.
 
Ela sempre foi capturada desde sua criação. Quando o Serra criou a ANSS, nós não a queríamos. Não faz sentido ter uma agência de regulação dos planos de saúde, o modelo não se adequa ao objeto. Queríamos que a regulação fosse feita dentro do Ministério da Saúde. E agora, temos a ANSS nas mãos de um ex-integrante do grupo Qualicorp. Não faz sentido isso. Ele atuou fortemente nesse processo de financeirização do setor. O sistema poderia funcionar muito melhor se fosse a ANSS que falasse, por exemplo, que não pode haver dupla porta em hospital público. Mas isso a agência não fará.
  
Essa dupla porta, permitida pela administração dos hospitais públicos por Organizações Sociais (OS), que reservam leitos para os pacientes dos planos privados... Aqui em São Paulo isso virou política generalizada, todos os hospitais públicos passaram para as OSs.
 
Sobre a dupla porta, há tipos diferentes. No caso do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, há a dupla porta desde os anos 70, criada pelos próprios médicos, que queriam internar seus pacientes. O médico recebia na sala as pessoas mais chiques e, na porta dos fundos, o povão. O que vemos agora em São Paulo e em outros lugares com a administração das Organizações Sociais é diferente. Há uma dupla porta criada para atender as necessidades das empresas de planos de saúde sob o pretexto de que - agora sim! – haverá dinheiro para o SUS. “Vamos fazer um sistema Robin Hood da Saúde”, alegam. Mas não é Robin Hood coisa nenhuma. Na realidade, é o contrário.
 
Nesse modelo dos planos privados em associação com as Organizações Sociais que administram alguns hospitais públicos, os hospitais públicos fazem as vezes de um resseguro. Os planos atendem os casos que não geram grandes custos e repassam os que geram para o SUS. Os hospitais públicos é que acabam atendendo os problemas graves e mais complexos da população… As empresas ficam apenas com o filet mignon e o SUS com o osso. Fazem o fluxo do “paciente conveniente”.
 
Agora, com o conceito da dupla porta repaginada, o sistema privado quer pegar o Instituto do Câncer - que é totalmente estatal, totalmente construído com recursos públicos - e criar uma dupla porta nele, passar na frente da fila os pacientes com o mesmo grau de gravidade porque têm plano saúde, em detrimento de outros que não os têm. Pior, sem pagar a conta do atendimento para o SUS. Não podemos querer que o país mude de repente. Mas com a dupla porta, institui-se na saúde pública um padrão seletivo. É espantoso querer piorar a situação.
 
Qual o papel da Organizações Sociais nesse contexto?
 
Eu tenho uma posição contrária às OSs, mas elas não se confundem necessariamente com a dupla porta. As OSs continuam, em tese, fazendo parte do sistema de saúde universal. Inclusive, em algumas situações, elas podem ser usadas. O que não dá é elas se tornarem o apanágio do SUS. Não é pecado mortal se recorrer às OSs para um serviço determinado. Elas podem ser uma estratégia de saída, mas não podem ser a porta principal de resolução dos problemas do sistema.
 
O que você propõe em termos de regulação para contribuir para o sistema de saúde no país?
 
Precisamos ter um sistema privado adequado para o Brasil. Qual o tamanho adequado para o sistema privado no Brasil? É uma questão política. Nenhum de nós está propondo assalto ao palácio de inverno ou o fim da medicina privada, mas é uma questão importante para pensarmos.
 
Uma coisa importante seria que os planos de saúde não pudessem contar, na rede deles, com os serviços do SUS. Por outro lado, que os serviços filantrópicos fossem exclusivamente SUS. É importante propor uma política de atração dos hospitais filantrópicos para o SUS. Há hoje uma rede filantrópica no país: por exemplo, a Santa Casa de Misericórdia, o Sírio Libanês, o Einstein, o HCor, a Beneficiência Portuguesa... todos esses hospitais são filantrópicos. Nos Estados Unidos e no Canadá, os chamados comunitários, fazem parte do sistema de saúde pública. São pagos por ela, mas não são estatais.
 
Como é o sistema brasileiro comparado com os sistemas de saúde em outros países?
 
Na Inglaterra, o sistema é parecido com o do SUS. No Canadá, há um seguro que se paga. Todo cidadão tem sua carteirinha de seguro e a rede e os médicos não são estatais. O médico no Canadá tem o seu consultório, atende todo mundo e recebe pelo governo. É chamado Single Pay. Há um único pagador pelos serviços de saúde: só o governo paga.
 
O preço da tabela varia?
 
Varia. Os médicos pressionam, os especialistas também, para introduzir novos medicamentos, novos tratamentos.
 
O conceito por lá é de que a saúde e a medicina não são um bem privado e não estão no mercado. Tudo é altamente regulado.
 
Exatamente. O mercado é regulado pelo preço, que é definido pelo governo.
 
Vi aquele filme, Invasões Bárbaras sobre o sistema do Canadá...
 
Esse filme chocou todo mundo porque vimos um professor universitário, internado num hospital equivalente ao do SUS. A diferença é que você não encontra, no Brasil, um professor universitário em uma enfermaria.
 
A figura do médico de família, tão presente no Brasil, não existe lá. Em Passa Quatro (MG), na minha infância, havia o dr. Gilberto e Dr. Castro que atendiam em casa. Mas o povo ia para a Santa Casa, porque eles atendiam lá também. Na Santa Casa, trabalhavam de graça. E havia os provedores da Santa Casa, como meu pai.
 
Todo sistema de saúde começou assim, no Canadá, na Inglaterra. Todos foram de base religiosa.
 
Quem trabalhava na Santa Casa eram as freiras. Há fotos do Juscelino, na revolução de 30, operando com freiras do lado.
 
E os médicos iam de vez em quando. O Brasil acompanhou isso. Tudo modernizou muito rápido. Nós não acabamos com o sistema filantrópico por causa do Getúlio Vargas, que fez aliança com a Igreja Católica. Em outros países da América Latina, não existe mais o sistema filantrópico. Os hospitais foram todos estatizados. No Brasil, não. O que se deu foi que houve uma modernização da saúde pública em paralelo ao sistema filantrópico. Também na educação, o Brasil conta com um sistema filantrópico muito grande. É a maior rede. Se a gente puder trazer o sistema filantrópico exclusivamente para o nosso lado, vamos fazer algo muito importante. Aí, as empresas de plano de saúde serão obrigadas a investir em rede própria.
 
Na realidade, os planos de saúde não fazem nenhuma inovação tecnológica, não investem em pesquisa. Só ganham na intermediação financeira. Uma regulação dessa natureza irá obrigá-los a investir, de fato, em saúde.
 
Ou seja, são meros compradores de serviços, intermediários… E uma regulação os forçará a pararem de “usar” os serviços do SUS e de não pagá-los. Quando eles compram dos hospitais privados precisam pagar uma parte do serviço a preço de ouro.
 
E vão ter de pensar no futuro, nos idosos. Estamos em um momento crucial para se pensar nisso. É preciso dar esse passo para construirmos uma política de saúde mais sistêmica, pensando em todos esses componentes de uma vez por todas. Por exemplo, a questão das coberturas dos planos de saúde. Pela lei 9656, tudo o que está previsto no Código Nacional de Doenças deve ser coberto. Mas isso foi sendo mitigado, à medida em que a lei foi sendo regulamentada… Tem muita negação de cobertura. O exemplo clássico é a não cobertura do transplante de fígado, que é um procedimento eficaz. Há várias questões de saúde mental que não são cobertas, os planos cobrem apenas as crises. Saúde mental não é crise. É o todo dia.
 
Pouca gente sabe como é que o Sistema Único de Saúde começou no Brasil. Como foram a criação e a consolidação do SUS? E hoje? Em que pé se encontra o sistema do ponto de vista do seu financiamento?
 
Essa uma história importante para ser retomada. O Sistema Único de Saúde (SUS) foi criado pela Constituição de 1988. A ideia dos que militavam por um sistema universal de saúde, à época, era que ele fosse financiado pelo Orçamento da Seguridade Social. Com a nova Constituição, foram criadas duas novas contribuições sociais: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). O SUS seria financiado por três contribuições, recursos da Previdência e de mais essas duas contribuições.
 
Mas, quando o Fernando Collor foi eleito, nunca houve orçamento de seguridade social e o SUS ficou desfinanciado. Depois disso, o subfinaciamento da área da saúde foi crônico.
 
O que você entende por subfinanciamento?
 
O volume de recursos para a saúde no Brasil é menor do que o aplicado na área no Chile, na Colômbia e em países que têm uma renda per capita menor do que por aqui.
 
É importante lembrar que nós não propusemos uma universalização da saúde “do nada”. Não somos malucos. O conceito de “universalização”, inclusive, já havia sido falado pelos militares, no regime militar. Nós tínhamos 60% de cobertura previdenciária e a emergência universalizada. A ideia era universalizar a saúde, mas tendo em vista fontes adicionais de recursos. Esse foi um plano, no entanto, que não deu certo. Nós ganhamos o SUS na Constuição, mas não o levamos.
 
Ter o SUS contemplado na Constituição foi importante?
 
É muito importante termos o SUS na Constituição. Isso significa que um projeto de um conjunto de pessoas movimentos saúde e que pensaram soluções para a área emplacou. Só que, depois, em 1989, seria necessário que aquela eleição presidencial tivesse dado outro resultado. Não poderia ter sido Fernado Collor. A sua gestão não só atrapalhou a saúde, mas todas as políticas sociais. E, no caso da saúde, ele impactou de forma especial.
 
Foi um momento difícil.
 
Naquele momento de resistência para enfrentar o governo Collor, todos nós priorizamos a luta pela Previdência. Não estavávamos incorretos, porque o núcleo duro da política social é a Previdência. Lutamos arduamente contra a perspectiva de sua privatização e conseguimos impedir que fosse privatizada. Entretanto, a saúde ficou completamente de lado na agenda política do país.
 
Isso se manteve durante o governo Itamar e os oito anos de Fernando Henrique?
 
Exatamente.
 
Os recursos do SUS vieram de onde?
 
Primeiro, do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). Foi feito um empréstimo ao FAT para, pelo menos, não se deixar os serviços de saúde fecharem completamente. Depois, surgiu a discussão de se criar uma fonte adicional de recursos para a saúde. Foi quando se criou a Contribuição Provisória sobre a Movimentação Financeira (CPMF) como fonte adicional de recursos. Nesse meio tempo, os municípios começaram a ter que resolver o problema de saúde pública. Havia uma forte pressão, nesse sentido em função da grande demanda, de um lado e, de outro, com o evento do SUS, foi criada a Secretaria de Saúde. Até então, não existiam os secretários municipais de saúde. Mas o SUS criou uma institucionalidade diferente. E era preciso financiá-la.
 
O Fernando Henrique Cardoso deixou o Adib Jatene, na época seu ministro da Saúde, criar a CPMF. Jatene propôs ir ao Congresso e pedir uma contribuição para a saúde. FHC lhe disse: “você não vai conseguir”. Mas Jatene teve sucesso. Sinceramente, foi um trabalho de Hércules. O que o Jatene fez vai ficar para a História do Brasil. Só que foi criada a CPMF, mas a saúde, de novo, ganhou no Congresso, mas a não levou. E agora estamos diante desse novo impasse no Congresso, com as discussões da Emenda 29.
 
E que análise você faz dessa trajetória?
 
Andamos bastante, mas, de certo modo, ficamos no meio do caminho. O financiamento - que era uma pedra fundamental da nova institucionalidade prevista pelo SUS - ficou comprometido. Então, hoje, temos poucos recursos para a saúde. Na verdade, temos a metade do que teríamos se o orçamento da Seguridade Social tivesse sido destinado à área… O Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais da Receita Federal (Unafisco) tem feito o cálculo. Todo mês a instituição publica esses dados e mostra que se o orçamento da seguridade social estivesse vigente, a gente teria tanto de recursos para a saúde.
 
É fato que os municípios acabaram arcando relativamente mais com gastos da saúde? Em média, aplicam 25% da sua receita líquida na área, e alguns até 30%.
 
Alguns até 40%. Há uma pressão sobre os municípios.
 
Você diria que, nessa questão do subfinanciamento da saúde, os vilões são os governos estaduais?
 
São os governos estaduais, mas também a União. Na verdade, o principal vilão é a União. Ela retraiu recursos.
 
Qual é a dívida da União para com a saúde?
 
É incalculável, nós não sabemos. Faltam, pelo menos, mais R$ 30 bilhões para a área.
 
Orçamento está em quantos bilhões?
 
Está em R$ 70 bilhões.
Fonte: Blog Zé Dirceu - um espaço para a discussão do Brasil
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Sem o bode, o ar fica mais saudável

20/09/2011 13:09

* Lígia Bahia

Foto: Virgínia Damas/CCI/ENSP.Provavelmente, ainda nesta semana, a regulamentação da EC29 será aprovada na Câmara Federal sem o item que a condicionaria à recriação da CPMF. Da Câmara, o debate sobre o financiamento para a saúde seguirá para o Senado, depurado de pesados penduricalhos que o prenderam a uma contabilidade de difícil compreensão. Depois de muito dito e desdito, ficou mais ou menos estabelecido o seguinte: "Precisa mais dinheiro para o SUS, mas tem que dizer de onde virá." A solução ficou no ar. Como nenhum cidadão comum será capaz de tirar da cartola uma fonte caudalosa de dinheiro e o pânico criado pela ameaça de elevação da carga tributária arrefeceu, novas alternativas e questionamentos poderão ser apresentados ao escrutínio público.

Sem o bode na sala, ou seja, isentando a saúde da responsabilidade exclusiva pelo aumento da tributação, respira-se melhor. A entrada de ar fresco estimula a rearrumação da bagunça. A primeira providência é pôr num canto, mas não esconder, as circunstâncias que nos trouxeram até aqui. O que foi aprovado na Constituição de 1988 - recursos muito mais vultosos do que os que estão em discussão para financiar a saúde - jamais saiu do papel. A emenda aprovada em 2000 definiu, em um contexto de enrijecimento do orçamento e garrote fiscal, vinculações orçamentárias para a saúde. Embora a emenda tenha sido melhor que o desfinanciamento, os percentuais de aportes da União, estados e municípios nunca foram integralmente cumpridos. Entre 2000 e 2006, a variação dos gastos públicos com saúde foi menor do que a do PIB real, exceto em 2003, o que nos conduziu na direção contrária à dos países que aumentaram despesas em função do aumento das atividades de prevenção e assistenciais e do envelhecimento de suas respectivas populações. O fim da CPFM em 2008, no momento em que se prometia o repasse integral de sua arrecadação para a saúde, abalou os alicerces do financiamento setorial, porém não apressou o apocalipse. Não houve retração dos recursos federais, possivelmente em função do repasse do aumento da alíquota do IOF, tampouco obtivemos o incremento necessário para efetivar o SUS. Os remendos não debelaram o quadro crônico de subfinanciamento da saúde. Como a verdadeira crise é deixar tudo igual, já se avistam sinais de que a depleção continuada pode comprometer a manutenção de conquistas da saúde pública brasileira. Basta mencionar que um fator estratégico para reduzir a letalidade de uma provável nova epidemia de dengue será a capacidade de classificação de riscos e intervenção de serviços de saúde.

A segunda medida, essencial para reordenar as relações entre causa e efeito que se confundiram no meio do caminho, é conceder um lugar de destaque ao direito à saúde e a respeito de que SUS se está falando. Não faz nenhum sentido apresentar uma conta a ser paga e não explicitar com clareza compromissos com a efetiva melhoria das condições de saúde. Durante anos a fio se sustentou que o SUS era um sistema para pobres. Aos poucos, os argumentos para legitimar a segmentação do sistema de saúde tornaram-se mais peremptórios. Dizia-se que a desigualdade estrutural da sociedade brasileira impediria a efetivação de uma política de saúde universalista. O SUS constitucional seria apenas uma utopia de uns, bem intencionados, mas destituídos de senso de realidade e poder. A classe média tradicional e a emergente passaram a acreditar piamente que pagam duas vezes pela saúde. Embora quem declare ao fisco um rendimento de cem mil e gaste dez mil com plano privado desconte 25% das despesas com saúde privada, esses valores sumiram. Não são somas desprezíveis, mas ficam submersas nas narrativas que tomam a exceção pela regra. De fato planos individuais para idosos são muito caros e oneram dramaticamente orçamentos familiares. No entanto, essas situações são menos frequentes do que as referentes a planos coletivos empresariais, cujos custos são compartilhados por toda a sociedade e também são passiveis de deduções por pessoas jurídicas e físicas.

E como se não bastasse a confusão acumulada em torno do quem tem e quem paga, ouvimos recentemente em alto e bom som um revival do estilo unicausal de explicação dos males de saúde. O slogan "o problema não é de dinheiro e sim de gestão" atraiu adeptos. Tem muita gente convencida de que a anemia da saúde decorre exclusivamente da corrupção dos políticos. Quem gastou saliva falando que as coisas se arranjariam apenas com mudanças gerenciais vai ter um baita trabalho para se desdizer. As comparações internacionais são úteis para evidenciar que os indicadores de desempenho econômico no Brasil são superiores aos de saúde. Países vizinhos com menor renda gastam mais com saúde do que o Brasil. Contudo, depois de tantas idas e vidas, não se conseguirá contornar, só com a exposição de novos números, o desafio que é deslocar a fé nas vantagens da vinculação entre benefícios à saúde e renda, essa sim completamente aderida à ideia sobre o poder balsâmico do livre mercado, para a perspectiva de nivelar serviços de saúde para todos.

Conciliar o conhecimento sobre as finalidades com a mobilização dos meios para alcançá-los exige muito mais do que bom-senso e boa vontade. A substituição do ideal do individuo autônomo e empreendedor e a desconfiança nos impostos pela concordância com políticas universais não são consensuais. De toda maneira, quando se deseja resolver um problema é preciso ser capaz de nomeá-lo. Ao devolver o bode para a sua origem - as políticas de ajuste fiscal - abre-se caminho para admitir que a desigualdade inviabiliza a democracia. Qual é o tamanho e qual a abrangência do SUS a que estamos nos referindo? A concessão de subsídios públicos ao mercado de planos de saúde e as duplas portas de entrada continuarão sendo apoiados por políticas governamentais? Deixando para trás um estilo de gestão baseado em promessas grandiosas e realizações mitigadas, fica mais fácil enunciar precisamente como o Brasil enfrentará riscos à saúde, e assim subordinar a definição do volume e natureza das fontes de recursos financeiros a uma corajosa avaliação e projeção da situação sanitária.

Lígia Bahia, vice-presidente da ABRASCO e professora de economia da saúde no Instituto de Estudos em Saúde Coletiva da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IESC/UFRJ). Artigo publicado no Jornal O Globo, em 19/09/2011.

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Como fortalecer os acertos e corrigir as fragilidades do Estratégia Saúde da Família

06/09/2011 17:29

Com o objetivo de contribuir no processo de fortalecimento da especialidade e da Estratégia Saúde da Família (ESF), a Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC), em parceria com suas associações estaduais, trouxe ao Brasil os médicos generalistas espanhóis especialistas em APS e reforma da saúde pública, Juan Gérvas Camacho e Mercedes Pérez Fernández, ambos do “Team CESCA”, em Madrid (Espanha). Juntos, desenvolveram o “Projeto para avaliar a Estratégia Saúde da Família (ESF) em ambientes com baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) no Brasil”, que consistiu em duas etapas que aconteceram entre abril e junho de 2011(veja o escopo do projeto). Gérvas e Mercedes percorreram as cinco regiões do País, tendo visitado 70 centros de saúde, que em sua maioria, aplicavam o modelo de ESF. Além disto, no âmbito do intercâmbio científico, foram estabelecidas rodas de conversa com os especialistas ligados a ESF, muitas vezes com a presença de representantes das secretarias de saúde e dos departamentos de atenção básica locais. Muitas destas palestras foram registradas em vídeo pelos MFCs e postadas no Youtube (no canal SBMFC Oficial). Assim, com base nas observações e vivências em campo de Gérvas e Mercedes, foi elaborado o "Resumen Técnico para Políticos , Gestores y Profesionales Sanitarios con Responsabilidades en Organización y Docencia", que consiste no relatório final com instruções para aprimorar o sistema e romper o ciclo vicioso que gera a má qualidade do trabalho sanitário, clínico e comunitário em países como o Brasil. O presidente da ABRASCO, Luiz Augusto Facchini, parabenizou a iniciativa destacando que "a Saúde da Família precisa de esforços dessa cepa, que ajudem a torná-la mais efetiva e humana".  Clique nos links para acessar o resumo executivo e o relatório final do Projeto. Mais detalhes aqui.

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Projeto Brasil Saúde 2022 - 2030: Futuro da saúde do Brasil começa a ser desenhado por equipe interdisciplinar

06/09/2011 17:27

O futuro da saúde no Brasil esteve em discussão por especialistas de várias entidades nos dias 23 e 24 de agosto no Instituto Sul-Americano de Governo em Saúde (Isags). Reunidos no seminário de apresentação dos trabalhos e recomendações do projeto Saúde Brasil 2022-2030, eles têm como tarefa consolidar, em dois livros, as propostas para qualificar a assistência de saúde no país. Um dos livros será publicado ainda este ano e o segundo, em 2012. Organizado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Secretaria de Ações Estratégicas (Sae) da Presidência da República, Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre outras, os resultados serão apresentados ao Ministério da Saúde, com vistas à implementação. “Quais são os passos, as variantes e as incertezas políticas que são fundamentais e devem ser enfrentados através de uma ação política e de pesquisa para que a gente possa dar consequência à nossa ação. Este é um momento de diagnóstico, de clarificação das questões presentes, e de avançar para definir a produção desses dois livros”, disse o presidente da Fiocruz e coordenador-geral do projeto, Paulo Gadelha. o coordenador-executivo do projeto, assessor da Presidência da Fiocruz e ex presidente da ABRASCO, José Carvalho de Noronha, pediu aos formuladores que as propostas sejam cuidadosamente preparadas, levando em conta os aspectos relacionados ao financiamento, à assistência e à formação do complexo industrial e econômico da saúde. Depois de consolidadas, as conclusões do seminário serão enviadas pela Fiocruz ao colegiado do Ministério da Saúde. Também ficarão disponíveis, capítulo a capítulo, em formato PDF, na internet. Na oportunidade a Associação foi representada pelo presidente, Luiz Augusto Facchini, a vice-presidente, Lígia Bahia e pelo Secretário Executivo, Carlos Silva. Veja mais detalhes sobre o encontro clicando aqui.

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Diretora do Centro de Estudos e Pesquisas em Enfermagem da ABEn concede entrevista ao Portal da Rede de Pesquisa APS

06/09/2011 17:25

Confira a entrevista concedida ao Portal da Rede de Pesquisa em Atenção Primária à Saúde por Emiko Egry, Diretora do Centro de Estudos e Pesquisas em Enfermagem da Associação Brasileira de Enfermagem (ABEn) e professora titular da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo (EE/USP). Na entrevista Emiko fala sobre o SUS, o papel da enfermagem na Atenção Primária à Saúde e suas perspectivas, o Profae, a qualificação e formação, especialmente na educação permanente. A Rede de Pesquisa APS é uma iniciativa da ABRASCO e do Departamento de Atenção Básica do Ministério da Saúde (DAB/MS) e reúne quase três mil participantes cadastrados. O objetivo da Rede é propiciar a participação, o acesso ao conhecimento e o intercâmbio entre pesquisadores, gestores e trabalhadores de saúde, especialmente aqueles vinculados à Atenção Primária à Saúde (APS). Leia a entrevista clicando aqui.
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ABRASCO manifesta seu apoio ao pesquisador Hermano Albuquerque de Castro

06/09/2011 17:25

Foto: Fabiano Veneza/ALERJA Associação Brasileira de Pós-graduação em Saúde Coletiva (ABRASCO) vem a público se solidarizar com o pesquisador Dr. Hermano Albuquerque de Castro, membro do Grupo Temático de Saúde e Ambiente da ABRASCO e docente da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP/Fiocruz), diante da tentativa de desqualificação técnica a ele perpetrada pela empresa ThyssenKrupp Companhia Siderúrgica do Atlântico (TKCSA). Após dois graves acidentes, ocorridos por falhas no processo da siderurgia, a população vizinha à fábrica instalada em Santa Cruz, zona oeste do Rio de Janeiro, foi atingida por poluentes ambientais. Ambos episódios geraram queixas e exacerbações de doenças entre a comunidade vizinha ao empreendimento. O pesquisador prontamente atendeu e acolheu a população que procurou o ambulatório de doenças ocupacionais e ambientais daquela Instituição. O atendimento gerou um laudo orientador para a Saúde Pública onde se aponta a necessidade de maiores investigações e vigilância por parte das autoridades públicas. O empreendimento, ao invés de buscar o diálogo e o desenvolvimento de ações necessárias para proteger a saúde a população, e desse modo agir dentro do princípio precaucionário da Organização Mundial de Saúde, preferiu desqualificar publicamente o pesquisador, distribuindo à comunidade um folheto corporativo de conteúdo panfletário e distorcido. Veja o documento completo clicando aqui.

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Roberto Medronho toma posse como diretor da Faculdade de Medicina da UFRJ

06/09/2011 17:23

Roberto de Andrade Medronho, tomou posse como diretor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro (FM/UFRJ) na última sexta-feira, 19 de agosto. A vice-presidente Lígia Bahia e o Secretário Executivo Carlos Silva, representaram a Associação na solenidade presidida pelo reitor Carlos Antônio Levi. Durante seu discurso de posse Medronho defendeu um  aprimoramento ainda maior do Sistema Único de Saúde citando a Agenda Estratégica para a Saúde no Brasil. Roberto Medronho é um dos coordenadores do Fórum dos Cursos de Graduação em Saúde Coletiva da ABRASCO. Mais detalhes sobre a posse aqui.
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