Publicações sobre PROMOÇÃO DA SAÚDE

Livro novo, confira!

 

REVISTA CIÊNCIA & SAÚDE COLETIVAA

 

Neste mês de maio o tema é Vigilância em Saúde: experiências e perspectivas

 

Leia aqui a matéria completa.

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ABRASCO comemora a patente da vacina contra a Esquistossomose produzida pela Fiocruz

21/08/2012 17:17

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) anunciou nesta terça-feira, dia 12 de junho, a criação e a patente da primeira vacina contra a Esquistossomose. “A ABRASCO saúda a Fiocruz e comemora a patente da primeira vacina mundial contra a Esquistossomose. O sucesso da Fiocruz evidência a excelência científica e o compromisso social da instituição, sendo motivo de orgulho da saúde coletiva brasileira. Este feito destaca internacionalmente nosso país no enfrentamento de doenças negligenciadas que afetam milhões de pessoas em todo mundo. Parabéns aos pesquisadores e colegas da Fiocruz”, celebra o presidente da ABRASCO, Luiz Augusto Facchini. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a doença afeta 200 milhões de pessoas no mundo, sendo 2,5 milhões só no Brasil, e se alastra em países mais pobres. Veja a matéria na íntegra, clicando aqui.

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Saúde, desenvolvimento social e SUS pautaram os debates no 1° Seminário Preparatório para o ABRASCÃO

21/08/2012 17:16

O primeiro seminário preparatório para o Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva (ABRASCÃO 2012), que teve como tema "O Brasil no século XXI", foi realizado no dia 06 de junho, no Colégio Brasileiro de Altos Estudos da Universidade Federal do Rio de Janeiro. A mesa de abertura contou com a presença de Lígia Bahia (vice-presidente da ABRASCO e coordenadora da Comissão Científica do Congresso) e de Ana Costa (Presidenta do Centro Brasileiro de Estudos de Saúde - Cebes). Durante sua fala Lígia Bahia ressaltou a importância desse ciclo de quatros seminários para fortalecimento dos debates sobre questões e propostas para o desenvolvimento econômico e social na saúde do país. Ana Costa, por sua vez, enfatizou que “os seminários serão importantíssimos para que possamos repautar temas como a relação entre o público e o privado”. Também esteve presente no evento representando a diretoria da Associação o vice-presidente Luis Eugenio Portela. Leia a matéria completa clicando aqui.  E assista os vídeos dos entrevistados nTV ABRASCO.

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Manifesto contra as resoluções nº 265/2012 e 266/2012 do CREMERJ que proíbem médicos de realizar parto domiciliar e atuar em equipes de sobreaviso

20/08/2012 12:51

A Associação Brasileira de Saúde Coletiva (ABRASCO), vem a público manifestar sua oposição às resoluções nº 265/2012 e 266/2012 emanadas do Conselho  Regional de Medicina do Rio de Janeiro – Cremerj.

 
Trata-se medidas que: ferem a Ética Médica, uma vez que  restringem a  autonomia dos profissionais e das mulheres; desconsideram as evidências  científicas mais atualizadas sobre local de parto, suporte emocional e  trabalho em equipe multiprofissinal; são contrárias às recomendações da  Organização Mundial de Saúde e as políticas públicas expressas na Rede  Cegonha do Ministério da Saúde; e, ademais, ameaçam a saúde das mulheres e  bebês, que seriam privados da referência para complicações, um aspecto  essencial do parto extra-hospitalar.
 
Representam, portanto, um retrocesso para a Saúde Coletiva  e a ABRASCO se posiciona em pról de que sejam revogadas urgentemente.
 
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Instituto Sul-Americano de Governo em Saúde comemora seu primeiro ano de atividade

10/08/2012 20:33

 
A cerimônia comemorativa de um ano do Instituto Sul-Americano de Governo em Saúde (ISAGS) contou com a presença de representantes de nove dos 12 países-membros da União de Nações Sul-Americanas (UNASUL), além da Secretaria-Geral do bloco sul-americano e da Presidência Pro-Tempore do Conselho de Saúde Sul-Americano. Durante o evento os representantes da UNASUL e dos governos da região destacaram o protagonismo adquirido pelo ISAGS na institucionalização do bloco e a importância de sua atuação para a promoção do desenvolvimento regional inclusivo, objetivo maior do processo de integração regional. Os representantes destacaram conjuntamente o papel do Instituto na definição de posições políticas comuns aos países da UNASUL em fóruns internacionais, como a Conferência de Determinantes Sociais da Saúde, realizada em outubro do ano passado no Rio, a 65ª Assembleia Mundial da Saúde e a Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável Rio+20.
 
Fausto López, representante do Secretário-Geral da UNASUL, Alí Rodriguez Araque, parabenizou o instituto “por este ano tão ativo, tão dinâmico, tão cheio de iniciativas” e concluiu que o “ISAGS é um exemplo no âmbito da UNASUL”. “A saúde, com o respaldo do ISAGS, é de certa forma pioneira na UNASUL, que pode ser considerada uma nova forma de integração, uma instância privilegiada de diálogo político regional sendo construída de forma gradual e flexível, baseada em consensos”.
 
O Diretor Técnico do ISAGS, Henri Jouval Junior, ressaltou o fato de o ISAGS possuir, ao lado da Secretaria-Geral e do CEED (Centro de Estudos Estratégicos de Defesa), localizado em Bueno Aires, uma sede física. “Por sua presença e institucionalidade permanente, estes organismos ajudam a estruturar, fortalecer e dar sustentação à UNASUL, funcionando como uma espécie de esqueleto em torno do qual vão se consolidando e preenchendo progressivamente todos os espaços e iniciativas que compõem a ambiciosa proposta da UNASUL.”
 
Eva Ruiz de Castilla, falando em nome da Presidência Pro-Tempore do Conselho de Saúde Sul-Americano, destacou a importância do ISAGS na transição emergencial do posto rotativo em virtude da suspensão do Paraguai - que antecedeu o Peru. “Foi difícil, mas não impossível graças ao ISAGS, que veio imediatamente após assumirmos a presidência e transmitiu os documentos que o Paraguai não pôde.”
 
Castilla lembrou ainda da última reunião que esteve em Cusco, no Peru, percebeu que outros conselhos da UNASUL também deveriam criar seus próprios institutos.
 
ISAGS
 
Criado por mandato dos Chefes de Estado das 12 nações sul-americanas e inaugurado no dia 25 de julho de 2011, o ISAGS é o primeiro instituto de cooperação regional em saúde de seu tipo no mundo e está orientado pela crença de que, por meio da integração e da troca de experiências, os países da região podem superar desafios em comum na área da saúde. São objetivos do instituto o intercâmbio e a gestão da informação e do conhecimento, a reflexão crítica e a geração e difusão de inovações e melhores práticas em políticas públicas, além da formação de lideranças em saúde.
 
No seu primeiro ano de existência, o ISAGS reuniu dezenas de lideranças em saúde dos Estados-membros da região por meio de oficinas como as de “Sistemas de Saúde”, “Vigilância Sanitária, Vigilância Epidemiológica e Ambiental”, “Políticas de Comunicação em Saúde Pública” e “Saúde Global e Diplomacia da Saúde”. Durante esse período, o instituto também cumpriu importante papel de articulação regional em conferências como a sobre medicamentos falsificados e a de Determinantes Sociais da Saúde.
 
O ISAGS prepara ainda o lançamento de dois livros produzidos sob sua coordenação: “Sistemas de Salud en Suramerica: Desafios para la Universalidad, Integralidad y Equidad” e “Sistemas de Vigilância em Saúde na América do Sul”.
 
Presentes à cerimônia
 
Estiveram presentes ao evento no ISAGS os embaixadores no Brasil da Guiana, Kellawan Lall, e do Suriname, Natasha Halfhuid, e os cônsules da Argentina, Marcelo Bertoldi, da Bolívia, Shirley Orozco, do Chile, Samuel Ossa, do Equador, Mônica Delgado, do Peru, Rolando Ruiz, do Uruguai, Myriam Fraschini, e da Venezuela, Edgar Alberto Gonzalez, e o Vice-Cônsul da Venezuela, Angel Ramos.
 
Pelo CSS, compareceram Erika Kastrup, da Rede de Escolas de Saúde Pública (RESP), a Secretária-Executiva da Rede de Escolas Técnicas em Saúde (RETS), Ana Beatriz Noronha, o representante da Rede de Instituto Nacionais de Câncer (RINC), Claudio Noronha, e Mauro Teixeira, da Rede de Relações Internacionais de Saúde (ORIS).
 
Também compareceram, representando instituições de excelência na área da saúde, o Presidente da Fiocruz, Paulo Gadelha, o diretor do Centro de Relações Internacionais em Saúde da Fiocruz, Paulo Buss, o assessor do centro, Alvaro Matida, o coordenador de Integração Regional da Anvisa, Leandro Teixeira de Morais.
 
Fonte: ISAGS/Unasul
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Medicamentos Isentos de Prescrição Médica voltam a ser Vendidos em Gôndolas ou Prateleiras como qualquer Produto Colocado no Mercado

08/08/2012 20:54


A Associação Brasileira de Saúde Coletiva (ABRASCO) e seu Grupo Temático de Vigilância Sanitária (GT VISA), vem a público manifestar sua preocupação com o impacto da Resolução da Diretoria Colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária - Anvisa (RDC No. 41, de 27 de julho de 2012) na saúde da população. Ela volta a permitir que os medicamentos isentos de prescrição fiquem ao alcance dos usuários nas farmácias e drogarias. Resolução anterior da mesma Diretoria Colegiada (RDC No 44, de 17 de agosto de 2009), exigia que esses medicamentos fossem dispostos atrás do balcão das farmácias para reduzir a automedicação, facilitada pelo acesso direto ao medicamento, e para contribuir para o seu uso racional.

A Anvisa afirma ter tomado a decisão após estudo realizado por Grupo de Trabalho da Agência, que avaliou o marco regulatório dos medicamentos isentos de prescrição. Contudo, se sabe que a RDC 44/2009 rendeu à Anvisa cerca de 70 processos judiciais e que se buscou criar leis estaduais para reverter a decisão da Agência. Cabe ressaltar que os Conselhos Federais de Medicina e de Farmácia, a Federação Nacional dos Farmacêuticos e Conselhos Regionais de diversos estados já se posicionaram contra a nova norma, por considerarem que ela pode trazer riscos à saúde da população brasileira.

A ABRASCO considera um retrocesso e emissão da RDC No. 41, de 27 de julho de 2012, visto que os medicamentos isentos de prescrição médica não são isentos de contraindicações, reações adversas e interações medicamentosas. Alguns deles, por exemplo, não podem ser usados em caso de dengue e de doenças do fígado e, mesmo em pessoas sadias, trabalhos científicos identificam reações adversas e intoxicações, inclusive fatais, acarretadas pelo seu uso abusivo. Assim, não se pode sugerir que esses produtos sejam tratados como mercadoria isenta de possíveis danos à saúde dos usuários, contribuindo para a automedicação e a propaganda veiculada pelos meios de comunicação de massa. Ademais, a alegação de que os balconistas selecionam as marcas e induzem as vendas pela prática de “empurroterapia”, na vigência da RDC anterior, não justifica uma medida que aumente os potenciais efeitos danosos sobre a saúde dos indivíduos e da população. A empurroterapia e a propaganda indutora do consumo também devem ser combatidas.

A ABRASCO afirma que o marco regulatório e seu impacto não podem ser estabelecidos com base em análises de mercado, levando-se em conta o prejuízo comercial de empresas específicas por práticas abusivas ou a queda nas vendas de medicamentos, mas sim o impacto na redução do risco à saúde decorrente do marco regulatório. Nem podem ser estabelecidos por pressões recebidas, que não levam em conta a saúde da população, e sim interesses particulares, em detrimento do interesse público.

A avaliação pela ANVISA do marco regulatório dos medicamentos e de seu impacto deve priorizar seus efeitos sobre a saúde da população. Assim sendo, a ABRASCO pede que a Anvisa:


1) Considere os Conselhos Federais de Medicina e Farmácia e as instituições científicas no que eles se contrapõem à nova norma;


2) Revogue a Resolução da Diretoria Colegiada da Anvisa - RDC 41, de 27 de julho de 2012;


3) Realize ampla divulgação para a sociedade, dos membros e do estudo do citado Grupo de Trabalho da Anvisa, com seus objetivos, métodos, resultados e conclusões;


4) Promova e divulgue estudos nos quais haja declaração quanto a conflitos de interesses;


5) Exerça a regulação de medicamentos para a proteção da saúde da população, reforçando o sistema nacional de vigilância sanitária, mesmo em meio a conflitos e pressões.

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Recursos para a saúde

08/08/2012 13:34

 

* Elias Rassi
 
Desde a promulgação da Constituição Federal em 1988, com o reconhecimento explícito da saúde como direito de cidadania e com a estruturação do Sistema Único de Saúde, as responsabilidades das esferas de governo têm feito parte dos principais fóruns nacionais.
 
Aqui em Goiás, a postura de recuo dos governos estaduais na organização do SUS tem feito história. A prática de transgressão dos mínimos constitucionais a serem aplicados na área e a progressiva redução dos valores gastos com saúde na esfera estadual somente comprovam a determinação política de esvaziar a presença pública nessa área e também explicam, em parte, a crescente presença das prefeituras nesse contexto.
 
Em 2010 o estado gastou (valores efetivamente pagos) com as ações da Secretaria Estadual de Saúde R$ 667 milhões. Esse montante foi reduzido para R$ 624 milhões em 2011 e, em 2012, considerando valores corrigidos para os primeiros 180 dias, deve atingir R$ 630 milhões.
 
Além de representarem algo em torno da metade dos percentuais definidos constitucionalmente, expressa uma retirada de R$ 80 milhões nos dois últimos anos quando comparados ao anterior. Nesse mesmo período, o IPASGO recebeu R$ 200 milhões a mais para atender os servidores públicos estaduais, passando de R$ 727 milhões em 2010 para R$ 801 milhões e R$ 836 milhões (valor projetado) em 2011 e 2012, respectivamente.
 
É importante identificar onde ocorreram estes cortes para as reflexões. Os investimentos estaduais em saúde (construções e equipamentos) caíram de R$ 27 milhões, em 2010, para R$ 330 mil em 2011, e os gastos com material de consumo (medicamentos e insumos) de R$ 74 milhões para R$ 48 milhões e não devem alcançar R$ 15 milhões em 2012.
 
Como resultados desses cortes, os hospitais estaduais aprofundaram uma grave crise de manutenção e reduziram quase 2 mil internações em 2011. A secretaria municipal de saúde de Goiânia ampliou suas internações próprias em 1.354 pacientes e na rede privada outras 1.328, além da abertura do Hospital da Mulher e Maternidade Dona Iris, que somará mais 8 mil internações anuais. Ainda nesse contexto, estruturou serviços de estabilização nas unidades de pronto atendimento que, face ao recuo da SES, se transformaram em serviços de internações.
 
Desde a promulgação da Emenda Constitucional 29, que completa doze anos no próximo dia 13 de setembro, o Estado de Goiás deixou de aplicar mais de R$ 5 bilhões nessa área já tão sacrificada da saúde, representando a maior subtração de recursos de nossa história.
 
Nos últimos anos, a prefeitura de Goiânia realizou dois concursos públicos: saltou de 5.594 servidores em janeiro de 2006 para 10.715 no início desse ano. Ampliou os seus gastos com saúde de maneira expressiva: R$ 657 milhões em 2010, R$ 760 milhões em 2011 e alcançará R$ 900 milhões em 2012. Compromete 1, em cada 4 reais arrecadados, com saúde pública.
 
Dentre os municípios goianos com mais de 100 mil habitantes, é o que proporcionalmente mais investe no setor. Com exceção de Goiânia (23%), nenhum dos maiores municípios goianos gasta com saúde mais de 20% de suas receitas, o que já representa um esforço altíssimo para o municipalismo, em face da ausência do governo estadual.
 
É com esses recursos que Goiânia complementa a tabela federal em inúmeros procedimentos. O Estado complementa a tabela de anestesia, setor que paralisou as suas atividades por dois meses por atrasos de pagamentos. Esse contexto resultou em mais de 3 mil cirurgias eletivas canceladas, que se transformam em emergências pela demora no atendimento.
 
Como não bastassem os recorrentes cortes de recursos para a saúde, a transferência de toda a rede pública hospitalar estadual à iniciativa privada compromete nossa capacidade de regulação. Diferentemente do ocorrido em outros estados, como São Paulo, onde alguns hospitais foram transferidos para a gestão por Organizações Sociais tradicionais na área de gestão hospitalar e que necessitavam comprovar possuírem serviço próprio há mais de cinco anos, aqui, o nosso principal e único hospital voltado às emergências foi entregue à uma organização montada nas vésperas de processo licitatório.
 
Deixa o setor privado de se constituir em serviços complementares aos públicos pela pura e simples extinção dos serviços públicos. Baseados em contratos de metas por procedimentos, as OS incorporam e maximizam uma das principais distorções de nosso sistema e principal causa de nossa baixa capacidade regulatória, originária ainda nessa lógica inampiana (do antigo INPS), que transforma nossa população em um corpo com peças desmontáveis e nossos hospitais em oficinas de reparos incapazes de um olhar integrador. É possível que essa seja a face mais evidente de uma iatrogenia social e, porque não, também da migração dos nossos antigos hospitais públicos para uma medicina empresarial.
 
Com essa rápida e sucinta exposição fica muito claro que Goiânia está utilizando além de sua capacidade de expansão para suprir os recuos do estado na gestão da saúde e, histórica e solidariamente, suportando com seus serviços as ausências do governo estadual.
 
* Elias Rassi Neto, vice-presidente da ABRASCO,  é professor de Saúde Coletiva da Universidade Federal de Goiás e atual Secretário de Saúde de Goiânia. Artigo publicado no Jornal O Popular, no dia 03 de agosto de 2012.
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Comissão Organizadora prepara convocatória do VI Congresso Brasileiro de Ciências Sociais e Humanas em Saúde 2013

03/08/2012 12:40

 

Reunida na manhã do dia 31 de julho, no Instituto de Medicina Social (IMS-UERJ), a Comissão Organizadora do VI Congresso Brasileiro de Ciências Sociais e Humanas em Saúde deu mais um passo rumo à realização do evento. O Congresso vai acontecer ano que vem no Rio de Janeiro, com sede na UERJ, e terá como tema “Circulação e diálogos: saberes e práticas em saúde coletiva”. 
 
Na reunião, foram definidos os primeiros elementos para a construção da convocatória pública de inscrição e apresentação de proposta de Grupos de Trabalho do Congresso. Todos os integrantes da Comissão deverão ser consultados para a construção do Termo de Referência em sua versão final a ser disponibilizada no site da ABRASCO no mês de setembro.
 
Participaram da reunião de ontem o secretário executivo da ABRASCO, Carlos Silva; a coordenadora do Lappis e vice-presidente da Comissão, Roseni Pinheiro; além de Maria Helena Mendonça (ENSP/FIOCRUZ), Rafaela Zozanelli (IMS/UERJ), André Luis de Oliveira (Physis/UERJ) e Cláudia Camelo (CEPESC).
 
Para Roseni Pinheiro, o Congresso é o momento para reiterar o compromisso ético-político de reafirmar o papel da universidade para produção do conhecimento científico. “Queremos aprofundar o diálogo e reafirmar o caráter fundamental que a reflexão sobre saúde coletiva ocupa no campo das ciências sociais e humanas”, diz, acrescentando que o Congresso vai oferecer também atividades culturais no ano em que se comemora o centenário do poeta Vinícius de Moraes.
 
“A UERJ é uma instituição que tem uma inserção cultural muitoforte no estado e no município do Rio. Nesse sentido, vamos reunir esforços a fim de acolher diferentes olhares das diversas regiões do País e de possibilitar um maior intercâmbio e compartilhamento de culturas”, comenta.
 
De acordo com Carlos Silva, secretário executivo da ABRASCO, uma das questões relavantes da reunião é a perspectiva que se tem de dar continuidade aos trabalhos da Comissão do Congresso Brasileiro de Ciências Sociais e Humanas em Saúde da ABRASCO para o fortalecimento da saúde coletiva no Brasil. “A realização desse tipo de congresso contribui tanto para a produção como para divulgação do conhecimento”, diz.
 
Carlos ressalta a importância do VI Congresso acontecer, mais uma vez, no espaço universitário. “Vale registrar que a ABRASCO compartilhará com o CEPESC (Centro de Estudos e Pesquisas em Saúde Coletiva) a operacionalização executiva do evento. “Isto certamente, trará novas aprendizagens para a Secretaria Executiva da Abrasco qualificando a interlocução, a transparência e o coletivo em todo o processo”, acrescenta.
 
A Comissão vem definindo um calendário de reuniões e atividades para tratar da logística e infra-estrutura do evento. Durante o 10º Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva (ABRASCÃO), que vai acontece em Porto Alegre, entre os dias 14 e 18 de novembro, a Comissão estará reunida na Oficina de Ciências Sociais e Humanas. 
 
Fonte: Laboratório de Pesquisas sobre Práticas de Integralidade em Saúde (Lappis/Uerj)
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Ministro da Saúde participa da abertura do VI Seminário Internacional de Atenção Básica

03/08/2012 12:38

O Ministro da Saúde e presidente do Conselho Nacional de Saúde, Alexandre Padilha, presidiu a solenidade de abertura do VI Seminário Internacional de Atenção Básica, no Rio de Janeiro, na noite do dia 29 de julho. Na ocasião Padilha também proferiu a Aula Magna Universalização com QualidadeRepresentando a ABRASCO estiveram presentes o presidente, Luiz Augusto Facchini, e o Secretário Executivo, Carlos Silva. Para Facchini o Seminário é um evento de extrema relevância como espaço de troca de experiências que possibilita identificar semelhanças e contrastes nos desafios da Atenção Básica no Brasil e no mundo, graças à participação de gestores da área do Brasil  e do mundo. “O Seminário é um espaço identificar as possibilidades de preparação na Atenção Básica e sua infra-estrutura para que ela possa de fato ser ordenadora na saúde da população e nos demais níveis de atenção do sistema de saúde”, afirmou.  
 
Durante a solenidade, o Diretor de Atenção Básica do Ministério da Saúde (DAB/MS), Hêider Pinto, fez uma apresentação que abordou a plataforma tecnológica do Telessaúde, o sistema de monitoração das obras financiadas pelo governo federal nos municípios (Sismob), a implantação do prontuário eletrônico e o Programa Nacional de Melhoria do Acesso e da Qualidade da Atenção Básica (PMAQ-AB). No que se refere ao PMAQ, Hêider informou que 33% municípios (1866) já foram visitados pelas equipes do Programa e os resultados parciais indicam que 79% dos entrevistados considerou o atendimento bom ou muito bom, sendo que 52,6% dariam notas 9 ou 10 à atenção recebida. Até o momento, a principal crítica recebida, com 54% dos entrevistados, está relacionada com a não resolução das solicitações na própria Unidade Básica de Saúde.
 
Universalização com Qualidade
 
Depois de dar as boas vindas a todos e enfatizar a importância do seminário como cenário de debates sobre os avanços na Atenção Básica nacional e internacional, Padilha destacou que o Brasil é o único país do mundo que registrou em sua Constituição que a Saúde é direito de todos e dever do estado. “Sabemos que conseguimos atingir mais de 100 milhões de brasileiros com muito esforço, e o quanto é difícil manter essa cobertura com o trabalho cotidiano dos agentes comunitários de saúde e das equipes multiprofissionais, mas em qualquer pesquisa que já tenhamos feito com a população quanto a benefícios recebidos, a Estratégia Saúde da Família é sempre citada”, afirmou Padilha.
 
Para o Ministro, é imperativo consolidar os avanços obtidos no Brasil e identificar com clareza os desafios atuais, o Ministro afirmou que “a Atenção Básica como ordenadora do cuidado só estará consolidada quando os pacientes reconhecerem nas Equipes de Saúde da Família as coordenadoras da atenção que recebem. Por isso um dos maiores desafios é a qualidade”, explicou. Atualmente o Brasil possui 38 mil Unidades Básicas de Saúde (UBS) em atividade, mas desse total 21 mil não está com infra-estrutura adequada para o desempenho de suas atividades. Por este motivo, até 2014, o governo garantiu recursos, com repasse facilitado, para reformar e/ou ampliar as unidades deficitárias.
 
Durante sua fala Padilha solicitou o apoio da ABRASCO no sentido de promover que os graduandos da área da saúde tenham contato com a Atenção Básica desde o início de sua formação. “É preciso dar um novo passo, apoiar os cursos onde os futuros profissionais de saúde são expostos desde o primeiro dia à Atenção Básica e acompanhem duas ou três famílias ao longo da graduação. Queremos mudanças nas ementas dos cursos que , o que envolve mudanças nas ementas dos cursos. O Ministério da Saúde abriu vagas de residência em Atenção Básica e 70% não são ocupadas. Pensamos em estimular uma maior participação com  bolsas maiores para os residentes que optarem por Medicina da Família, por exemplo”. Além da qualidade no atendimento, o ministro indicou como outro grande desafio desenvolver a noção de território nas unidades básicas de saúde, que devem conhecer o itinerário terapêutico da população que atende. “Onde vejo que o SUS está vivo e criativo é nas equipes da Atenção Básica. Ali as regras são adaptadas de acordo com a necessidade e esta é a ousadia que mostra um SUS forte e capaz de conquistar cada vez mais parcelas da população”, afirmou.
 
Analisando o contexto internacional, o Ministro ressaltou a importância da participação de representantes do BRICS (Brasil, Rússia, Índica, China e África do Sul), por possuírem mais da metade da população mundial, e se adotarem com clareza a opção pela atenção básica à saúde influenciarão a comunidade mundial a segui-los nesse caminho. 
 
Programação
 
A programação do Seminário abordou quatro eixos prioritários de discussão: Estratégias para ampliação do acesso, da qualidade das práticas de saúde e da satisfação dos usuários; Qualidade e inovação na gestão da Atenção Básica e em Redes de Atenção à Saúde, fortalecendo os processos de Monitoramento e Avaliação, Apoio Institucional e Educação Permanente; Promoção da transparência dos processos de gestão, participação e controle social e a responsabilidade sanitária dos trabalhadores e gestores de saúde e; Configuração de Redes de Atenção, tendo a Atenção Básica como Coordenadora do Cuidado, ampliando a eficiência e efetividade dos Sistemas de Saúde. A organização do evento reuniu 1.553 participantes de 18 países, entre Gestores Públicos nacionais e internacionais, Representantes, Especialistas e Técnicos de Agências Internacionais, Associações e Sociedades Científicas, Docentes e Pesquisadores de Instituições de Ensino e Pesquisa em Saúde.
 
Com informações do Departamento de Atenção Básica do Ministério da Saúde (DAB/MS)
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ABRASCO Livros no XII Seminário Nacional do Projeto Integralidade em Saúde

03/08/2012 06:31

 

A ABRASCO Livros estará em Rio Branco no XII Seminário Nacional do Projeto Integralidade em Saúde, no hall do Auditório do Hospital das Clínicas, durante a semana de 13 a 17 de agosto. Os livros atravessaram o país do Rio de Janeiro ao Acre para atender a demanda dos participantes, em sua maioria estudantes e profissionais de saúde. São centenas de livros para venda e encomendas, incluindo o livro-tema do seminário “Integralidade sem fronteiras: itinerários formativos, de justiça e de gestão na busca por cuidado”, que será lançado no estande da Livraria no dia 14/08, às 17h.
 
A coordenadora do Lappis, Roseni Pinheiro, afirma que essa oportunidade criada pela organização do evento agrega valor ao evento. “Essa parceria do Lappis com a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (ABRASCO) se coloca como virtuosa na medida em que reunimos esforços para garantir acesso ao conhecimento nas diversas regiões do país. Isso é um salto de solidariedade do conhecimento, como tenho chamado, e de valorização e compromisso ético-político tanto do Lappis como da ABRASCO”, destaca a professora.
 
Segundo o coordenador do Curso de Medicina da Ufac, o médico Thor Dantas, a presença da ABRASCO Livros e do próprio Seminário são importantes e reforçam as mudanças que a área da saúde no Estado do Acre tem passado nos últimos anos. “Se pensar que até pouco tempo o acesso a livros especializados, seminários e congressos só acontecia fora do Estado, percebemos os avanços que a implantação dos cursos de Medicina e outros cursos da área da saúde proporcionaram”, constata.
 
O presidente da ABRASCO, Luiz Augusto Facchini, estará presente ao seminário, com uma fala na mesa redonda Universalidade do acesso ao cuidado nas fronteiras da Amazônia Legal: desafios, limites e perspectivas. A mesa acontece no dia 14/08 a partir das 13h30 e será coordenada pelo Secretário Municipal de Saúde de Rio Branco, Osvaldo Leal. 
 
O XII Seminário do Projeto Integralidade em Saúde é promovido pela parceria do Laboratório de Pesquisas sobre Práticas de Integralidade em Saúde com a Secretaria Municipal de Saúde de Rio Branco e conta com o apoio da Secretaria de Estado de Saúde do Acre. As inscrições para o evento ainda estão abertas.
 
Fonte: Laboratório de Pesquisas sobre práticas de integralidade em saúde (Lappis/Uerj)
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ABRASCO lança segunda parte do dossiê que alerta sobre o impacto dos agrotóxicos na saúde dos brasileiros na Rio+20

30/07/2012 16:22

A segunda parte do Dossiê, que terá como tema “Agrotóxicos, Saúde e Sustentabilidade”, será lançada no dia 16 de junho, das 14h ás 16h, na Tenda 1, na "Cúpula dos Povos" durante a conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável na Rio+20, (Aterro do Flamengo, acesso pela Rua Silveira Martins). Veja a programação do Espaço Saúde, Ambiente e Sustentabilidade.

Para Fernando Carneiro, integrante do GT Saúde e Ambiente da ABRASCO e coordenador da equipe que trabalha desenvolvimeno do dossiê, "Às vésperas da Cúpula dos Povos, evento da Rio + 20, e após os 50 anos do lançamento da “Primavera Silenciosa”, de Rachel Carson - um dos mais importantes livros que mudaram o curso das políticas ambientais nos EUA, ao denunciar a extensa contaminação por agrotóxicos que existia naquele país -, agora é o Brasil que ocupa o lugar de maior consumidor de agrotóxicos do planeta. É hora de garantirmos espaço na agenda política e financeira do SUS para viabilizar a estruturação da Vigilância, Atenção e Promoção da Saúde relacionada à questão dos agrotóxicos, articulada a políticas de incentivo à agroecologia. Caso contrário, estaremos contribuindo para que o futuro das próximas gerações esteja ameaçado pela exposição cada vez mais acentuada a esses biocidas", alerta o pesquisador.

A primeira parte do Dossiê “Agrotóxicos, Segurança Alimentar e Saúde” (versão em Inglês) foi lançada no dia 29 de abril no World Nutrition Rio 2012 , no Rio de Janeiro. O Dossiê tem como objetivo sensibilizar, por meio de evidências científicas, as autoridades públicas nacionais e internacionais para a construção de políticas públicas que possam proteger e promover a saúde humana e dos ecossistemas impactados por esses produtos químicos (leia a matéria sobre o lançamento da primeira parte do dossiê, clicando aqui.

O dossiê sobre o impacto dos agrotóxicos na saúde dos brasileiros é um documento aberto, em constante construção. Participe através do Fórum aberto no nosso site contribuindo com textos teóricos, metodológicos, resultados de estudos, evidências de impactos, desafios e propostas!

Confira o vídeo com em que o presidente da ABRASCO, Luiz Augusto Facchini, e Fernando Carneiro, coordenador do dossiê, falam sobre a elaboração do documento e seus objetivos. Clique aqui.

Clique no link a seguir e assista "o veneno está na mesa", de Silvio Tendler, documentário que ilustra muitas das questões abordadas no dossiê.

 

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Aborto, Mulheres e Saúde

27/07/2012 17:32

O número temático de julho da Revista Ciência & Saúde Coletiva tem como tema "Aborto, Mulheres e Saúde". Nesta oportunidade o periódico trata de um dos temas mais controversos para a sociedade brasileira. Que o aborto seja questão de saúde pública é uma afirmação de sanitaristas, feministas, gestores e ministros de Estado no país. Apesar do vasto coro que sustenta esse reconhecimento, o debate público sobre a descriminalização do aborto caminha a passos lentos. A principal força contrária é um tipo de moral baseada numa sobreposição de crenças religiosas e filosóficas que se interpõem aos argumentos de ordem do direito e da democracia, conforme apresenta em seu artigo, a organizadora Débora Diniz. O quadro de consequências perversas geradas pelo aborto clandestino para a saúde das mulheres deve ser comprovado por estudos que explorem diferentes facetas sobre o tema. Segundo a organizadora do número, “não devemos esperar que o dilema moral do aborto seja solucionado por um pacto razoável sobre crenças tão diversas. Nossos esforços argumentativos devem estar na produção de evidências científicas que demonstrem as consequências para a vida e a saúde das mulheres”. É o que foi feito como tarefa conjunta por pesquisadoras que submeteram os resultados de suas investigações a este número temático, para as quais tiveram apoio de instituições de fomento como o CNPq e a Secretaria de Ciência e Tecnologia do Ministério da Saúde.

Confira o sumário da edição:

 

Editorial
 
Aborto: saúde das mulheres - Diniz, Debora; Menezes, Greice.
 
Debate
 
Itinerários e métodos do aborto ilegal em cinco capitais  brasileiras - Diniz, Debora; Medeiros, Marcelo.
 
Debatedores
 
Comentários ao artigo: itinerários e métodos do aborto ilegal em cinco capitais brasileiras - Maria Andréa Loyola;
 
As consequências jurídicas e sociais da manutenção da criminalização do aborto  - Teresa Robichez de Carvalho Machado
 
Artigos
 
“Levante a mão aqui quem nunca tirou criança!”: revisitando dados etnográficos sobre a disseminação de práticas abortivas em populações de baixa-renda no BrasilLeal, Ondina Fachel;
 
Itinerários abortivos em contextos de clandestinidade na cidade do Rio de Janeiro – Brasil - Heilborn, Maria Luiza; Cabral, Cristiane da Silva; Brandão, Elaine Reis; Faro, Livi; Cordeiro, Fabíola; Azize, Rogério Lopes;
 
Motivos e circunstancias para o aborto induzido entre mulheres vivendo com HIV no Brasil - Villela, Wilza Vieira; Barbosa, Regina Maria; Portella, Ana Paula; Oliveira, Luzia Aparecida;
 
Recommendations for abortion surveys using the ballot-box techniqueMedeiros, Marcelo; Diniz Debora;
 
Aborto induzido: uma comparação entre mulheres casadas e solteiras residentes na cidade de São Paulo em 2008 - Silva, Rebeca de Souza e; Andreoni, Solange;
 
Aborto induzido entre prostitutas: um levantamento pela técnica de urna em Teresina – Piauí - Madeiro, Alberto Pereira; Rufino, Andréa Cronemberger;
 
Representações e experiências sobre aborto legal e ilegal dos ginecologistasobstetras trabalhando em dois hospitais maternidade de Salvador da Bahia - Zordo, Silvia de;
 
Atuação diante das situações de aborto legal na perspectiva dos profissionais de saúde do Hospital Municipal Fernando Magalhães - Farias, Rejane Santos; Cavalcanti, Ludmila Fontenele;
 
Qualidade da atenção ao aborto no Sistema Único de Saúde do Nordeste brasileiro: o que dizem as mulheres? - Aquino, Estela M. L.; Menezes, Greice; Barreto-de-Araújo, Thália Velho; Alves, Maria Teresa; Alves, Sandra Valongueiro; Almeida, Maria da Conceição Chagas de Almeida; Schiavo, Eleonora; Lima, Luci Praciano; Menezes, Carlos 
Augusto Santos de; Marinho, Lilian Fátima Barbosa; Coimbra, Liberata Campos; Campbell, Oona;
 
Aborto e misoprostol: usos médicos, práticas de saúde e controvérsia científica - Corrêa, Marilena Cordeiro Dias Villela; Mastrella, Miryam;
 
Misoprostol: percursos, mediações e redes sociais para o acesso ao aborto medicamentoso em contextos de ilegalidade no Estado de São Paulo -
Arilha, Margareth Martha;
 
Temas Livres
 
Participação em saúde: uma sistematização de artigos publicados em periódicos brasileiros  – 1988/2005  - Cavalcanti, Maria de Lourdes Tavares; Cabral, Marta Henriques de Pina; Antunes, Ludmila Rodrigues;
 
A educação em saúde na relação usuário-trabalhador no cotidiano de equipes de saúde da família - Pinafo, Elisângela; Nunes, Elisabete de Fátima Polo de Almeida; González, Alberto Durán;
 
Acessibilidade de pessoas com deficiência ou restrição permanente de mobilidade ao 
SUS - Amaral, Fabienne Louise Juvêncio dos Santos; Holanda, Cristina Marques de 
Almeida; Quirino, Maria Aparecida Bezerra; Nascimento, João Paulo da Silva; Neves, 
Robson da Fonseca; Ribeiro, Kátia Suely Queiroz Silva; Alves, Simone Bezerra;
 
Avaliação das ações de educação na saúde bucal de adolescentes dentro da Estratégia de Saúde da Família - Turrioni, Ana Paula Silveira; Salomão, Fernanda Gonçalves Duvra; Monti, José Fernando Casquel; Vazquez, Fabiana de Lima; Cortellazzi,
Karine Laura; Pereira, Antonio Carlos.
 
Financiamento, gasto público e gestão dos recursos em saúde: o cenário de um estado brasileiro - Leite, Valéria Rodrigues; Lima, kenio Costa; Vasconcelos, Cipriano Maia de;
 
Padrões de aleitamento materno exclusivo e internação por diarréia entre 1999 e 2008 em capitais brasileira - Boccolini, Cristiano Siqueira; Boccolini, Patrícia de Moraes Mello; Carvalho, Márcia Lázaro de; Oliveira, Maria Inês Couto de;
 
Técnicas terapêuticas y subjetivación em tratamientos com usuários/as de drogasGarvi, Silvana Laura; Touris, María Cecilia; Elepe, María;
 
Organização dos serviços de saúde e a gestão do cuidado à tuberculose - Barrêto, Anne Jaquelyne Roque; Sá, Lenilde Duarte de; Nogueira, Jordana de Almeida; Palha, Pedro Fredemir; Pinheiro, Patrícia Geórgia de Oliveira Diniz; Farias, Nilma Maria Porto de; Rodrigues, Débora Cezar de Souza; Villa, Tereza Cristina Scatena;
 
Adesão ao tratamento medicamentoso em usuários cadastrados no programa Hiperdia no município de Teresina (PI) - Carvalho, Andre Luis Menezes; Leopoldino, Ramon Weyler Duarte; Silva, Jose Eduardo Gomes; Cunha, Clemilton Pereira da;
 
El nacimiento em Cuba: análisis de La experiencia del parto medicalizado desde uma perspectiva antropológica - Gacía-Jordá, Dailys; Díaz-Bernal, Zoe; Álamo, Marlen Acosta;
 
Descentralização e regionalização: dinâmica e condicionantes da implantação do pacto pela Saúde no Brasil - Lima, Luciana Dias de; Queiroz, Lúcia; Machado, Cristiani Vieira; Viana, Ana Luiza d’Ávila;
 
Ansiedade frente ao tratamento odontológico: prevalência e fatores predictores em brasileiros - Carvalho, Ricardo Wathson Feitosa de; Falcão, Paulo Germano de Carvalho Bezerra; Campos, Gustavo José de Luna; Bastos, Alliny de Souza; Pereira, José Carlos; Pereira, Maria Auxiliadora da Silva; Cardoso, Maria do Socorro Orestes; Vasconcelos, Belmiro Cavalcanti do Egito.
 
Resenha
 
Autores: Santos BS, Santos AC, Duarte M, Barradas C, Alves M.  Cometi um  crime? Representações sobre a (i)legalidade do aborto. Porto:  Afrontamento;  2010. Resenhado por Luciana Stoimenoff Brito 
 
 
Os artigos estarão disponíveis em breve no Scielo.
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Vice-presidente da ABRASCO participa do Programa Globo News Saúde

25/07/2012 15:47

Ligia Bahia, vice-presidente da ABRASCO e Professora do Instituto de Estudos em Saúde Coletiva da IESC/UFRJ, participou do Programa Globo News Saúde, exibido no dia 10 de julho. O Programa teve como tema “Especialistas e Usuários analisam a situação dos planos de saúde”, em razão da suspensão da venda de novos planos de saúde por 37 empresas pela Agência Nacional da Saúde (ANS), devido às reclamações dos consumidores com base no atendimento e na marcação de exames.

Na sua fala a pesquisadora relata as diferenças existentes entre os planos de saúde: por um lado existem os de preços mais elevados (que possuem uma cobertura abrangente e satisfatória, que garantem um atendimento rápido, de qualidade e oportuno) e os de baixo custo (direcionados aos segmentos de renda C e D). Este último possui uma rede credenciada muito restrita, com pouca especialização, em razão disso os pacientes geralmente serão atendidos pelos SUS, sendo prejudicados – ao não receber o serviço pelo qual pagaram -, e prejudicando os pacientes do sistema público que estão aguardando na fila de espera.

Em  razão da suspensão da venda de novos planos devidos às reclamações,  Ligia relata que “Não há o que fazer quando se tem uma reclamação na saúde, um erro médico, um atendimento que não foi realizado. O paciente tem um prejuízo que não pode ser ressarcido, um dano indelével. Por isso todos os órgãos que regulamentam a saúde precisam ser inovadores e ativos para conseguir prever os cenários”.

Veja o programa na íntegra clicando aqui.

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Overdose de pragmatismo

23/07/2012 16:38

 

*Lígia Bahia
 
"Saúde não dá voto, mas tira" é um dos bordões prediletos de candidatos a cargos eletivos majoritários. Entender, por alto, o que isso quer dizer é relativamente fácil. Investimentos na saúde resultam em baixo rendimento eleitoral porque a melhora das condições assistenciais estimula novas insatisfações. Difícil é botar uma campanha na rua que ignore as pesquisas indicativas das crescentes preocupações com saúde (9% em 2002, 26% em 2006 e 37% em 2012) e seu papel de campeã invicta das prioridades apontadas pelos brasileiros.
 
As tentativas de conciliar intuição e expertise política com evidências extraídas de investigações quantitativas e qualitativas, especialmente encomendadas para avaliar as expectativas dos eleitores, aproximam as propostas de diferentes candidatos para o futuro da saúde nas cidades. Nas eleições anteriores, os programas para saúde consistiram na reiteração de compromissos e demonstrações de atitudes enérgicas de vontade para fazer mais, melhor ou regulamentar o que já existia.
 
Imagens de situações tristes e realistas, expressando o profundo conhecimento do candidato sobre a insuficiência e precariedade de unidades de saúde, seguidas por anúncios da quantidade de novos hospitais e centros de especialidades médicas a serem construídos na próxima gestão, foram incorporadas por candidatos da situação e da oposição.
 
As diferenças nos programas eleitorais sobre saúde têm sido sutis. Candidatos à reeleição ou representantes de coalizões de continuidade exploraram cenas de ampliação ou reforma de estabelecimentos, medicamentos entregues, ambulâncias trafegando e depoimentos sobre mudanças objetivas nas condições de saúde e vida. Os de oposição enfocaram o mau estado físico das instalações e utilizaram declarações de profissionais de saúde insatisfeitos com condições de trabalho e denúncias de negação ou desrespeito no atendimento de moradores. Os dissentimentos sobre a política de saúde resumiram-se a acusações de ilícitos decorrentes das opções de contratação de empresas para construir ou administrar unidades de saúde.
 
A homogeneidade das propostas não é um mal em si. Pelo contrário, cada eleição estimula a ampliação da capacidade instalada e oferta de ações de saúde. Mas a ausência de debate sobre as causas dos problemas legitima velhas práticas de extração de dividendos clientelistas da saúde. As tradicionais estratégias para a eleição de novos vereadores na área da saúde tais como a realização de consultas ou determinados procedimentos cirúrgicos grátis ou a postulação de representação de uma categoria profissional não perderam validade.
 
Os eleitos, com base na dedicação assistencial, organizam centros sociais, usam sua influência política para marcar consultas e exames, conseguir medicamentos e internações na rede e expandem essas práticas, mediante a disputa pela nomeação de cargos de confiança nas unidades públicas de saúde. Já a atuação nas câmaras de vereadores de representantes de profissionais de saúde pauta-se pela inserção diferenciada da categoria, no que se refere a salários, jornada de trabalho e aposentadoria, no quadro de servidores públicos. Apesar da variedade de interesses, bancadas assistencialistas e corporativistas não costumam deter-se sobre o exame das contradições do sistema de saúde.
 
No reino do pragmatismo, os problemas de saúde têm sido objeto de mais pesquisas para detalhar o motivo das queixas. Uma vez que a frequência dos itens demora do atendimento e falta de médicos é mais elevada parte-se direto para uma solução normativa: preencher vazios sanitários com profissionais de saúde e botar para trabalhar quem está contratado. Tamanha determinação agrada tanto aos prefeitos movidos a indicadores positivos quanto a legisladores que orbitam em torno de realizações pontuais.
 
Nas inaugurações de unidades públicas de saúde que não funcionam plenamente todos se reúnem e deliberadamente evitam reconhecer as causas da demora e das faltas. A constatação de faltas incentiva mais promessas de suprir as carências mediante privatização ou estatização, cobrança do cumprimento dos contratos de trabalho ou aumento dos salários e interiorização dos profissionais. As perguntas sobre as razões dos problemas de saúde não são compatíveis com regras de um jogo eleitoral que favorece à continuidade do status quo.
 
A padronização dos discursos sobre a saúde de candidatos a prefeitos de cidades aplainou até diferenças entre as plataformas para cidades com mais de 80% de seus habitantes vinculados à assistência suplementar àquelas com populações que só contam com a rede do SUS. O mandato de quatro anos dedicados aos pobres desassistidos ou a reivindicações de profissionais de saúde passa ao largo, não apenas das soluções efetivas para a saúde, como também das demandas pela participação dos políticos eleitos em fóruns decisórios.
 
Prefeitos e vereadores não se referem aos defeitos e qualidades de planos privados de saúde, embora os tenham como referência para si, seus familiares e servidores públicos. Em tese, o setor privado de saúde escapa à jurisdição das cidades. Contudo, em tempos de crise financeira e disputa pelo destino dos recursos, o exercício do controle democrático sobre o fundo público é um contrapeso imprescindível às deliberações de concessão de generosos incentivos fiscais aos empresários e socialização de prejuízos.
 
Uma das áreas mais atingidas pela desoneração fiscal é a saúde. Deixar de arrecadar tributos significa, na prática, reduzir receitas e abster-se de executar, diretamente por meio de orçamentos governamentais, as políticas de saúde. A blindagem dessas operações do escrutínio político, sob alegação de sua circunscrição ao domínio técnico e nacional, concentra o poder de deliberar sobre as condições de vida e saúde em determinados órgãos do Poder Executivo. Encarar a saúde como assunto público nas próximas eleições auxilia a partilha do poder decisório sobre seus destinos e a inserção do tema no âmbito da política com P maiúsculo.

* Lígia Bahia, vice-presidente da ABRASCO e professora de economia da saúde no Instituto de Estudos em Saúde Coletiva da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IESC/UFRJ). Artigo publicado no publicado no Jornal O Globo, no dia 23 de julho de 2012.
 
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Participe do XII Seminário do Projeto da Integralidade

18/07/2012 17:45

A ABRASCO convida a todos a participar do XII Seminário do Projeto da Integralidade, que acontecerá nos dias 14 e 17 de agosto, na cidade de Rio Branco, no Acre. O seminário, que terá como tema “Integridade sem fronteiras: itinerários formativos, de justiça e gestão na busca por cuidado”, reunirá estudantes, pesquisadores, gestores, trabalhadores, usuários, docentes e associações públicas das cinco regiões do Brasil e países vizinhos.

Roseni Pinheiro, vice-coordenadora da Comissão de Ciências Sociais e Humanas em Saúde da ABRASCO, coordenadora do Laboratório de Pesquisa de Práticas de Integridade em Saúde (Lappis) e idealizadora do evento, relata que o momento será oportuno para trabalhar com o tema das fronteiras, entendendo o termo com toda a riqueza a que o substantivo remete: fronteira de saberes e de práticas culturais, além das fronteiras geográficas. “Serão muitas atividades dedicadas ao tema de fronteiras, em todos os sentidos”, afirma Roseni, enfatizando que estarão em pauta questões relacionadas à formação médica, à acessibilidade, ao cuidado, da educação médica nas fronteiras, ao trabalho em equipe nessas regiões, ao direito à comunicação, entre outros assuntos. “Acho que assim a gente cumpre a tarefa civil de possibilitar o intercâmbio. Essa troca de informações com temas que são transversais vai permitir ao grupo estabelecer um diálogo riquíssimo”, concluiu a pesquisadora.

Para mais informações sobre o Seminário acesse o site do Lappis clicando aqui.

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Alimentação, Agrotóxicos e Saúde

13/07/2012 17:45

 
* Malaquias Batista Filho e Mariana Navarro Tavares de Melo 
 

Mesmo com as delimitações e especificidades temáticas e de abordagem metodológica observadas na organização de um evento científico, o Congresso Mundial de Nutrição (World Nutrition, Rio 2012) assumiu, de fato, as características de uma reunião de cúpula que, extrapolando as restrições de um encontro internacional de estudiosos, estendeu-se ao espaço aberto e universal das questões de cidadania. Ou seja, ao campo dos direitos e deveres que deve mobilizar o estado democrático, a sociedade civil e as representações corporativas, na identificação, discussão de alternativas e controle social/comunitário dos problemas humanos.
 
No âmbito destas considerações convém destacar um documento que deve se tornar histórico: o chamado "Dossiê Abrasco" sobre agrotóxicos no Brasil.1 De fato, mais do que um manifesto acadêmico ou corporativista, deve ser entendido, divulgado e, sobretudo, apoiado como um movimento de ideias a respeito de um dos problemas mais cruciais de nosso tempo: os impactos dos agrotóxicos na saúde. É uma tomada de posição oportuna e necessária, pelos efeitos nocivos já evidenciados e dos riscos potenciais crescentes que se prenunciam pelo uso dos chamados defensivos agrícolas no Brasil. Só como forma de ingressar no assunto: a) somos os campeões mundiais no uso de biocidas agrícolas; b) dos 50 agrotóxicos mais utilizados nas lavouras de nosso país, 22 são proibidos na União Européia, inclusive em nações onde se acham as matrizes externas de suas empresas produtoras. Mais do que um paradoxo, é um dolo que não pode ser tolerado.
 
Historicamente, os agrotóxicos tiveram um papel notável no aumento da produção agropecuária, integrando os quatro pilares estratégicos da Revolução Verde proposta por Norman Borlaug2 para a rápida expansão da produção de grãos (leguminosas e cereais) no mundo, sobretudo a partir das décadas de 1960 e 1970, seguindo-se dos itens referentes a frutas, verduras e pastagens cultivadas. No entanto, cinco décadas após, as evidências acumuladas, seja no campo específico da produção agropecuária, seja principalmente no setor saúde e meio ambiente, conduziram a uma revisão crítica de sua efetiva validade. Mais e mais agrotóxicos, novas e novas gerações de defensivos levaram à conclusão de que se tratava de um túnel sem iluminação de percurso e de saída. O próprio Norman Borlaug, ganhador do prêmio Nobel da Paz pela formulação de sua estratégia, reconheceu a falha de alguns pressupostos, como a mecanização indiscriminada das terras cultivadas e a contaminação dos solos e dos produtos agropecuários. A "Primavera Silenciosa", de Carson,3 também ganhadora do Prêmio Nobel, acendeu o sinal amarelo para a presidência da República nos Estados Unidos, que era (como ainda é) o maior país exportador de alimentos do mundo. Na época, o presidente John Kennedy criou um grupo para estabelecer medidas de acompanhamento e controle para a produção, comercialização e utilização de agrotóxicos no país. Os Estados Unidos aplicavam, então, cerca de um quilo e meio desses produtos por hectare e caminhavam para a marca de dois quilos.
 
Hoje no Brasil se usa não dois quilos de defensivos agrícolas por hectare, mas quase cinco quilos por cada habitante! E estamos ainda, permissivamente, com o sinal verde aberto, detendo o título nada recomendável de campeão mundial no uso de venenos na agricultura, contaminando águas continentais e oceânicas, solos e plantas, animais terrestres e aquáticos e pessoas de todas as idades com os efeitos nocivos de seu manejo, inalação e ingestão. É um risco que se massificou ou, mais que isto, se universalizou. Em nosso país, todos nós, todos os dias, em praticamente todas as refeições, ingerimos um pouco de agrotóxico, como se fosse um condimento natural da culinária nacional. Até o leite materno, o mais natural, mais puro e mais completo dos alimentos para as fases iniciais da vida extra-uterina, torna-se, agora, veículo de biocidas produzidos pelas fábricas de insumos agrícolas. Os dados são impressionantes. Assim, segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária,1 na safra de 2010/2011, a venda de agrotóxicos no Brasil movimentou 936 mil toneladas, gastando 7,3 bilhões de dólares, o que corresponde a quase 20% de todo o gasto mundial, deixando em segundo lugar os Estados Unidos, com uma participação de 17% no mercado global. Nos 71 milhões de hectares cultivados com lavouras permanentes ou temporárias no território nacional, são pulverizados 12 litros por hectare com exposição média ambiental/ocupacional/alimentar de 4,5 litros por habitante.1 No entanto, por diferentes razões, são as mulheres e as crianças, notadamente no período gestação/lactação que mais se expõem aos perigos desses venenos, impropriamente chamados de defensivos.
 
Mantidas as tendências atuais, a situação deve se agravar ainda mais nos próximos dez anos. Espera-se que a produção de commodities, representada sobretudo por monoculturas químico-dependentes, deva aumentar em 55% para a soja, 56% para o milho, 45% para o açúcar, 50% para o leite e em torno de 30% para os três principais tipos de carne: bovina, suína e carne de frango, que usam maciçamente soja e milho em suas rações.
 
Diante desse cenário, cabe a pergunta crucial: quais as implicações para a saúde?
 
Pondo de lado os efeitos agudos, mais visíveis e mais raros, há uma variedade de consequências crônicas menos perceptíveis e, portanto, mais perigosas. Sem detalhar aqui a especificidade dos produtos (inseticidas, fungicidas e herbicidas), o documento da Associação Brasileira de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (ABRASCO) menciona como manifestações de intoxicação crônica: efeitos neurotóxicos retardados, alterações cromossomiais, lesões hepáticas e renais, neuropatias periféricas, disfunções cardíacas, dermatites de contato, asma brônquica, Doença de Parkinson, teratogêneses, diversos tipos de câncer, fibrose pulmonar, hipersensibilidade, deixando em aberto a relação de outras consequências menos comuns ou menos estudadas. Estas referências fazem parte de um documento da Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) já defasado em 16 anos.4 Se devidamente atualizada, a lista sem dúvida seria bem mais extensa.
 
A propósito da saúde materno-infantil, há um livro que já se tornou um clássico: "O Camponês e a Parteira", de Michael Odent.5 Traduzido em várias línguas e reproduzido em diversas edições, trata de uma analogia temática, conceitual e alegórica entre a industrialização do parto, com a massificação das cesarianas e a industrialização da moderna agricultura e da pecuária, mediante sucessivas inovações tecnológicas, entre as quais se ressalta a demanda crescente e diversificada dos agrotóxicos. A agropecuária massificada em ecossistemas particulares, como na Região dos Lagos, na América do Norte, represas da Holanda e do Japão, implicando na acumulação progressiva de agrotóxicos em suas águas, resultou em observações controladas em graves consequências para a saúde das crianças, por conta da contaminação do organismo de suas mães durante a gestação.5 Em avaliações decenais, a partir de 1966, verificou-se que a razão de óbitos fetais masculinos em comparação com fetos femininos no Japão aumentou, sucessivamente de 2,50 para 3,10 (1976), 6,19 (1986) e finalmente, 10,01 vezes, em 1996. Portanto, quatro vezes mais, dentro de três décadas. A correlação ecológica se estabelece com a concentração de agrotóxicos nas águas, nas terras adjacentes e nos alimentos (peixes e lavouras) dessas localidades. Mas, ao mesmo tempo e na mesma proporção, aumentaram as anomalias congênitas nos fetos machos: hipospádia e encarceramento abdominal das gônadas masculinas. Demonstrou-se, ainda, diferenças bem significativas na ocorrência de déficit de desenvolvimento mental nas crianças. Odent5 chega a antever que o agravamento da situação, ao ritmo em que está ocorrendo, poderia, no futuro, resultar na necessidade de que, antes da concepção, as mulheres tenham de se submeter a um processo de desintoxicação de seus depósitos de agrotóxicos acumulados no organismo para reduzir as graves consequências para seus conceptos. Seria uma fase inteiramente nova da assistência pré-natal. Ou melhor, pré-concepcional.
 
Na verdade, é uma situação ameaçadora, justificando a pertinência e oportunidade do Dossiê da ABRASCO, divulgado e acolhido por unanimidade pelos participantes no Congresso Mundial de Nutrição como um alerta à sociedade e ao Estado Brasileiro.
 
Instituto de Medicina Integral Prof. Fernando Figueira (IMIP)
 
 
Veja o artigo na página do Scielo da Revista Brasileira de Saúde Materno Infantil.
 
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