
O GTISP (Grupo Técnico de Informações em Saúde e População), da Associação Brasileira de Pós-Graduação em Saúde Coletiva, pretende constituir-se em espaço aberto e plural de debate, construção e sistematização de propostas relacionadas a um Projeto Nacional para a área de Informação em Saúde dirigido para a sociedade brasileira, adotando como eixo aglutinador dos trabalhos os princípios da descentralização e do controle social. Este é o parágrafo inicial do primeiro documento produzido pelo Grupo em novembro de 1993, intitulado “Informação em Saúde a Serviço da Sociedade”, tratando da agenda em torno da qual se dêem os entendimentos para a definição da Política de Informações; da Gestão da Informação e das Estratégias organizacionais e operacionais. Detalhes da nossa trajetória ao longo desses anos podem ser encontrados no documento História do GTISP.
O GTISP teve origem em recomendação da Oficina de Trabalho “Utilização de Grandes Bancos de Dados Nacionais” realizada em 1992, durante o II Congresso de Epidemiologia, em Belo Horizonte. Mesmo considerando que avanços já foram conquistados, após esses anos seu Relatório Final encontra-se, ainda, atualizado especialmente quando recomenda, entre outras, a necessidade do estabelecimento de compatibilização e padronização dos sistemas de informações de interesse para saúde; de Código de Ética do uso da informação; de manutenção de Diretório de Base de Dados de Interesse para a Saúde; de criação e manutenção de Cadastro de Estabelecimentos de Saúde e de estratégias de capacitação, em larga escala, no uso da informação para a tomada de decisão.
As Oficinas de Trabalho têm sido o mecanismo adotado pelo GTISP para debater suas propostas relativas à Informação e Informática em Saúde com diversos segmentos: as próprias instituições de pesquisa e ensino, controle social, governos e empresas do setor. Podem ser citadas como exemplos dessas Oficinas:
A Oficina de Trabalho “Compatibilização de Bases de Dados Nacionais” realizada no âmbito do V Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva, em 1997, em Águas de Lindóia, na qual as principais variáveis dos sistemas de informação de interesse para a saúde foram discutidas em torno de 3 eixos: o indivíduo, o evento que gera o registro e a unidade assistencial relacionada ao evento. Pode ser considerada o embrião da Portaria GM/MS 3.947/98 que trata dos atributos comuns a serem adotados pelos sistemas de informações em saúde. Também nesse Congresso foi colocada a necessidade de constituição de Comissão de Informação no âmbito do Conselho Nacional de Saúde.
A Oficina de Trabalho “Informações para a Gestão do Sus: Necessidades e Perspectivas” realizada no âmbito do VI Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva, em 2000, em Salvador, na qual foram tratadas propostas e estratégias de encaminhamento para o uso da informação como instrumento de apoio à decisão para gestores e para subsidiar o controle social do SUS; para a tecnologia da informação enquanto importante fator na busca da integração das informações, para a melhoria de sua qualidade e do seu uso na saúde; de melhoria da qualidade da informação em saúde e sobre a questão ética relacionada à informação em saúde enquanto um desafio.
A Oficina de Trabalho "Informação em Saúde: acertos, erros e perspectivas", realizada no âmbito do VII Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva, em 2003, em Brasília, na qual foram tratados temas como a reconstrução de agenda que consubstancie uma Política Nacional de Informações em Saúde, enquanto requisito estratégico para avanço do SUS, partindo da análise dos acertos e erros ocorridos na área; o limite político entre a esfera pública e a esfera privada da vida e as estratégias de uso das tecnologias de informação e comunicação de massa nas sociedades globalizadas; a necessidade de preservar a privacidade dos sujeitos; os interesses a que estão subordinadas as políticas de governo eletrônico (e-gov) e a necessidade de realização de uma Conferência Nacional de Informação em Saúde.

A Oficina de Trabalho “A Integração Necessária: A Perspectiva da Epidemiologia na definição de Padrões para as Informações em Saúde”, realizada em 2004, em Recife, durante o VI Congresso de Epidemiologia debateu o processo de construção de uma agenda que consubstancie uma Política Nacional de Informações em Saúde, na perspectiva da organização de uma Conferência Nacional de Informação em Saúde, e contemple os seguintes eixos: i) Estrutura e organização da gestão da informação em saúde; ii) Utilização de tecnologias de informação com destaque em: padrões, privacidade, confidencialidade, interoperabilidade e qualidade e iii) Capacitação e desenvolvimento científico tecnológico.
Finalmente, a Oficina de Trabalho "Pacto pela democratização e qualidade da informação e informática em saúde", realizada no âmbito do VIII Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva, em 2006, no Rio de janeiro, na qual foram debatidos temas como a dificuldade de implementação da Política Nacional de Informações e Informática em Saúde; a forma centralizada, verticalizada, fragmentada e proprietária de desenvolvimento de sistemas de informação no SUS, em vez de se buscar sua padronização e interoperabilidade; a necessidade de investimentos em Tecnologia da Informação, incluindo capacitação; a questão Ética relacionada à Informação em Saúde, especialmente a falta de limite entre a esfera pública e privada na padronização de trocas eletrônicas de informações entre governo, operadoras de planos de saúde e prestadores de serviços, promovida pela ANS e a maneira conservadora e pobre do Pacto pela Saúde 2006 tratar as Informações em Saúde e suas tecnologias associadas.
O GTISP/ABRASCO disponibiliza os Relatórios Finais dessas Oficinas de Trabalho em Documentos.
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