Congresso em defesa da saúde pública

 

Durante os quatro dias (14 a 18 de novembro) do 10º Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva mais de sete mil pessoas passaram pelo Campus da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), apresentaram trabalhos e assistiram aos debates e apresentações. Sob o tema “Saúde é desenvolvimento: ciência para a cidadania” mais de oito mil atividades foram realizadas. 

Já nas primeiras horas da quarta-feira, dia 14, os participantes do Abrascão 2012 começaram a ocupar corredores, salas e estandes montados na UFRGS. Além dos debates acadêmicos, científicos e políticos, tiveram um espaço relevante a participação de entidades ligadas ao saber popular em saúde e movimentos sociais, que, juntos, oxigenaram os discussões nas tendas e estandes.

Nesses espaços a diversidade, a convivência harmônica e a integração entre pessoas de diferentes locais do país e do exterior enriqueceram as discussões. Atividades lúdicas sobre saúde, desenvolvimento e cidadania foram eventos paralelos e alternativos de conscientização. As tendas mais visitadas foram as que integravam cultura popular a saúde. Organizadas pelos coletivos nacionais de educação popular em saúde, as tendas Bete Negra, Paulo Freire e Victor Valla, promoveram rodas de conversas sobre práticas populares de cuidados e diálogos sobre políticas públicas de saúde e cultura. 

 

Cidadania plena

Durante os quatro dias de congresso os debates, palestras e apresentações de trabalhos presentearam o público com ricas abordagens de conteúdos verdadeiramente relevantes sobre os temas saúde coletiva, cidadania e desenvolvimento. Entre as principais discussões estavam: crack e internação compulsório; saúde indígena, universalização de política públicas de saúde; racismo e saúde; saúde e desigualdade de gênero; organização sociais e privatização da saúde; e os sistemas de avaliação do Sistema Único de Saúde (SUS). 

Em visita às instalações do congresso, o Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que o Abrascão contribui com os gestores e ministério na criação e ampliação de políticas públicas de saúde. “É o maior congresso onde se debate saúde pública no Brasil. Reúne pessoas que se dedicam a buscar entender os fatores de risco, os condicionantes e determinantes sociais e os impactos das políticas públicas de saúde construídas em todo o país. Reúne grandes defensores do Sistema Único de Saúde (SUS). Por isso, é decisivo para ajudar o ministério”, explicou Padilha. ()

Uma das tônicas do encontro foi a necessidade de se lutar por um SUS justo, igualitário e equânime para que a sociedade brasileira tenha, de fato, um desenvolvimento sustentável e uma democracia plena.

 

Um novo olhar necessário

O penúltimo volume do Dossiê Agrotóxico, produzido pela ABRASCO foi lançado e  abordou o “conhecimento científicos e popular construindo a ecologia de saberes”. Durante a divulgação do estudo a coordenadora do projeto, Raquel Maria Rigotto, lembrou a necessidade de uma nova consciência coletiva por um novo modelo de desenvolvimento.

“O desenvolvimento não tem trazido saúde, mas sim doenças. Se pensarmos o modelo agrícola brasileiro, vemos que o Ministério da Agricultura e Pecuária quer aumentar de 30% a 70% a produção de alimentos para exportação, como algodão, soja, carne, etanol, celulose e frutas. Mas esse modelo é químico dependente”, explicou a coordenadora.

A união entre universidades, entidades de pesquisa, movimentos sociais e sociedade no enfrentamento ao uso de agrotóxicos foi apresentada como imprescindível. O último número do Dossiê enfatiza que o uso de químicos na produção de alimentos não pode ser tratado como problema de pesquisadores, mas de toda a sociedade.

Veja o depoimento de Raquel Rigoto sobre o Dossiê Agrotóxicos à TV ABRASCO