Uma
avaliação crítica sobre o índice composto
na avaliação dos sistemas de saúde no mundo
Joaquim G. Valente
Resumo
Em
2000, a Organização Mundial de Saúde (OMS)
liberou um relatório1 avaliando os serviços de saúde
nos 191 países-membros da OMS. O modelo teórico-conceitual
incluía a avaliação em três domínios:
saúde, responsividade (referente a aspectos não-médicos
do atendimento) e justiça na contribuição social.
Para os dois primeiros domínios, saúde e responsividade,
o relatório apresentou resultados para o nível e a
distribuição dos indicadores e, para a justiça
na contribuição social, a trama conceitual incluía
apenas a avaliação da desigualdade na distribuição
da contribuição social.
O nível de saúde dos países-membros foi avaliado
pela expectativa de vida ajustada para incapacidade, indicador chamado
de DALE (disability-adjusted life expectancy). A distribuição
do nível de saúde foi avaliada pela desigualdade interna
dentro de cada país para a mortalidade na infância
(entre os menores de cinco anos de idade). A avaliação
dos aspectos não-médicos do atendimento incluía
a mensuração do nível e da distribuição
da responsividade, com pelo menos sete sub-áreas: rapidez
do atendimento, dignidade, comunicação, autonomia,
confidencialidade, liberdade de escolhas e qualidade das instalações.
A responsividade foi avaliada, no relatório mencionado, através
de informantes-chaves selecionados em alguns países. No caso
do Brasil, 50 participantes foram selecionados e convidados a responder
a um questionário, o qual apenas 33 (67%) devolveram preenchido.
Para os relatórios futuros de anos vindouros, a OMS pretende
utilizar questionários a serem completados em inquéritos
domiciliares.
Para a avaliação da distribuição da
justiça na contribuição social, do total de
remuneração de que as famílias dispunham, descontavam-se
inicialmente os gastos com sua subsistência, excluindo-se
apenas as despesas com alimentação. Do saldo remanescente,
mensurava-se a proporção que foi considerada como
destinada à área da saúde. Se uma família
tivesse destinado mais de 50% desse saldo para a saúde dos
seus componentes, essa família seria considerada como tendo
apresentado gastos catastróficos com saúde. Para a
obtenção dos dados do relatório, obteve-se
informações sobre a distribuição das
famílias com gastos catastróficos em saúde,
e a desigualdade da distribuição desse indicador foi
estimada para cada país.